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sábado, 2 de outubro de 2021

Não pegue o boomerang. Não vale à pena.

Quando o universo te livra de gente maluca, você escute, viu? Porque se voltar que nem boomerang você devolve. Não pegue o maldito do boomerang! Eu peguei. 

Já tinha dado match com esse cara no Tinder uma vez. As fotos dele eram super bonitas e a descrição do perfil irreverente, fora do lugar comum, o que costuma me agradar. A nossa conversa foi meio estranha, não marcamos de sair e segui a vida.

O vi algumas vezes no app de novo, mas passava reto. Um dia, depois de tantas vezes ignorar, dei like. Peguei o boomerang, gente. E deu match.

Começamos a conversar, inclusive constatando que já tínhamos dado match antes, mas que não lembrávamos direito porque não tínhamos saído. Ele me chamou para sair no mesmo dia. Na verdade, a ideia dele era já vir aqui para casa ou que eu fosse para casa dele (detalhe que ele mora com a mãe). Eu disse que não topava, que ele era um desconhecido total e que não achava uma boa ideia trazer de cara para dentro da minha casa. Ele argumentou dizendo a seguinte frase icônica:

- Mas eu tenho 13 gatos e gosto de Pokemon. Que mal eu poderia te fazer?

Eu fiz aquela cara que quem me conhece bem já pode estar imaginando aí e perguntei:

- Só porque você ama os animais e gosta de coisa de criança eu tenho que confiar em você? Se tem pai que estupra filha, uai!

Enfim, marcamos uma pizza. Chegando no local, ele não parava de falar de si mesmo. O quanto ele era legal, evoluído, as experiências que ele teve, a quantidade de minas que ele já pegou, como ele sempre vira amigo das mulheres que fica, as decepções que teve, a ex... A ex apareceu na conversa do app e depois pessoalmente. O cara era tão self-centered que até quando perguntou sobre mim, foi para rebater com coisas sobre ele. O cara era tão carente que depois de uma hora conversando, perguntando o que eu tinha achado dele (não façam isso, homens, é BROCHANTE!). O cara era tão sem filtro que achou apropriado me contar que já teve primeiros encontros no tinder onde ele acabou na cama com a mulher pedindo para ela penetrá-lo no forevis.

Como se a conversa toda não tivesse sido um mar de red flags, o cara pediu a conta DO NADA, sem nem me perguntar se podia, se eu queria comer mais ou algo parecido. O que me pareceu o tempo todo é que minha opiniões, desejos e vivências eram nada relevantes para aquele encontro. 

Dei um abraço nele e segui em direção ao meu carro para ir embora. Ele morava na quadra da pizzaria, então foi indo para casa à pé. Enquanto eu colocava o cinto e ajeitava uma musiquinha para ouvir durante o caminho, ele voltou e me questionou porque eu não tinha ficado com ele. Ofereci uma carona, ele entrou no carro e fomos conversando amenidades até lá. Chegando na casa dele, eu parei o carro e disse que não tínhamos nada a ver e que, ainda por cima, ele estava obviamente ainda envolvido com a ex. Ele tentou se esquivar, dizer que não era bem assim, que estava meio triste ainda, porém superado (aham). Eu disse que não tínhamos nada em comum e que não iria rolar nada entre nós. 

Nesse momento, ele resolveu colocar a cereja em cima do bolo e revelar que o motivo maior de frustração era porque sua intenção era fazer uma perfect week.

Para quem não pegou a referência, cata aqui: no seriado How I met your mother, tem uma personagem chamado Barney Stinson (interpretado por Neil Patrick Harris). O personagem é um mulherengo, gordofóbico, etarista, boçal. Em um dos episódios, ele se empenha para completar um perfect month: 30 mulheres diferentes em 30 dias do mês.

Agora me fala... se a referência de homem para alguém é o Barney Stinson, ele tem no mínimo um caráter duvidoso. Se ele ainda tem coragem de falar abertamente na cara da pessoa, ele não tem noção e nem respeito. 

E a partir de agora, eu prometo solenemente não pegar mais o boomerang. No good can come from this.


sábado, 6 de março de 2021

La friendzone






Todos já ouviram falar, muitos já frequentaram. A famosa "friendzone" nada mais é que você acabar no território de amigo e aquela pessoa que você está a fim não conseguir te olhar de outra forma. Pode ser que você tenha ficado a fim de quem você já era amigo ou pode ser que você tenha se tornado amigo demais da pessoa que você quer ficar. Acredito que os homens passem muito mais por isso do que as mulheres.

COMO ESSE FENÔMENO ACONTECE?

Primeiramente, por você ser a melhor pessoa do mundo com ela. Se preocupar, trazer mimos, ajudar a resolver os problemas, ser todo respeitoso, estar sempre disponível etc. 

MAS ISSO É RUIM?!

Pode ser, quando você deixa nesse campo e esquece da sexualidade. Você precisa deixar suas intenções claras. Não adianta você achar que a pessoa vai te querer apenas por você ser um cara super bacana. Tem que ter toque, pele, aquela brincadeirinha de duplo sentido, aquele elogio mais safadinho, aquele abraço com mais pegada, um cheiro no cangote. E o convite para sair não pode demorar muito. Se você ficar construindo território por muito tempo, a cada dia você vai entrando mais e mais na friendzone e a maioria dos casos é irreversível. 

COMO SABER SE ESTOU NA FRIENDZONE?

Se a pessoa começar a falar com você sobre outras paqueras... pode saber que já era. Ela não sacou que você queria algo mais (porque você com certeza não foi claro) ou ela não te olha dessa forma, e aí não tem jeito. Não tem como forçar a barra. Às vezes até ela te via como uma opção no começo, mas como você nunca demonstrou interesse nesse sentido, nunca a chamou para um date, ela achou que estava viajando. 

TEM COMO SAIR DA FRIENDZONE?

É difícil, mas não custa tentar, né? Se você perceber que ela tá te vendo só como amigo, você precisa imediatamente abrir o jogo. É a única solução. Não é garantia de que vá dar certo, mas quem tá no inferno, abraça o capeta. Tem a chance de, quando você falar, a sementinha ser plantada ali na cabeça. Se ela não te olhava daquela forma, de repente comece a considerar. Talvez demore um tempo. Se ela te der um fora, se afaste. Não continue sendo o fofo dos fofos (mas também não é para ser idiota, claro), porque dessa forma ela nunca vai te olhar mesmo como algo mais. Se você não acha que está pronto para se declarar, mude de postura. Seja menos fofinho e mais "pra frente". Já vai dando as indiretas, o lance é não deixar dúvidas de que você a deseja de outra forma

E se não der certo... parte para outro, my friend (desculpe o trocadilho infame!). E aplica as lições aprendidas na próxima vez. O que não tem remédio, remediado está.

E aí, pessoal? Já frequentaram a zona? Ou ao final desse post percebeu que tem alguém na sua vida que você pode estar colocando numa friendzone? Comenta aí e compartilha esse post com quem você achar que precisa ler essas coisas! 😅

domingo, 20 de dezembro de 2020

Tratamento especial?

Esse ano passei por uma situação delicada que quanto mais eu analiso, menos eu entendo onde foi que as coisas se perderam.

A gente fala em não criar expectativas, mas a verdade é que tudo é bullshit. O ser humano é um criador nato de expectativas e com uma boa dose de encorajamento, a coisa tende a desandar de forma desgovernada. O resultado é quase sempre um coração partido e uma quantidade infinita de "por quês".

É claro que eu não entrei imaginando que ia dar tudo certo. Afinal de contas, quando você resolve se envolver com uma pessoa que terminou um namoro de mais de uma década há pouco tempo, você já sabe que a chance de se dar mal é grande.

Mas essa probabilidade significa nada quando você e a outra pessoa parecem estar conectados de uma forma inexplicavelmente boa. Quando tudo parece estar em sintonia, quando você finalmente encontrou aquele cara que atende todos os requisitos da sua check list dos sonhos, o resto se torna invisível.

O cara te trata como rainha. Te apresenta para os pais. Te busca no aeroporto quando você chega de viagem. Te manda mensagem todo dia. Vai atrás das suas amigas para saber se você está bem quando você demora a avisar que chegou em casa. Lembra que você sonhou com um chocolate e compra o tal chocolate para te dar de presente. Olha para você com carinho, e diz o quanto ele está feliz, de forma constante. Te lembra toda hora o quanto você é maravilhosa e o quanto traz luz para vida dele. Faz planos com você. Te coloca no grupo de whatsapp dos amigos dele. Dorme na sua casa todo FDS. Quem não vai criar expectativas? Quem vai lembrar que tem ex fresca na cabeça dele?

Os sinais começam a aparecer de leve, mas ele continua bom em te deixar tranquila e não ter medo de baixar a guarda. Você baixa.

E logo, logo toma um pé na bunda por mensagem. Como se isso fosse válido em qualquer situação. E com as palavras mais frias que nem parecem estar vindo daquela pessoa que te fazia se sentir tão bem e amada.

O problema é que tem uma categoria "nova" de caras babacas por aí: eles acham que tem que tratar toda mulher como se fosse a mais especial do mundo. Que isso é ser um cara decente, um bom moço. I'll tell you what... PAREM! 

Não confundam respeito, sinceridade, transparência com brincar com os sentimentos das pessoas. Vocês não precisam tratar toda mulher como a mais especial do mundo. Para ser considerado decente, só é necessário ser respeitoso e honesto. O resto já é alimentar um amor que você não pretende colher e isso é TÃO cruel! 

Cada vez que olho para trás, me pergunto se o que vivi foi verdadeiro de alguma forma e como pode ter sido tão insignificante para outra pessoa quando foi tão importante para mim. E não adianta ele dizer que "não é bem assim"; quando alguém não tem coragem de olhar nos seus olhos e explicar porque não pode mais estar com você, já é um atestado de que você não teve tanta importância assim. E dói. Para cacete. Quando as palavras não têm coerência com as atitudes, elas são irrelevantes.

Então, eu peço, rapazes... Tratem bem as pessoas com as quais vocês se relacionam. Isso significa ter respeito e ser honesto. Se não está preparado, se não tem intenção de se abrir, não alimente. Não transforme aquilo numa relação se realmente não quiser uma. Seja educado, mas não aja como se estivesse super envolvido se não estiver. O que te faz ser babaca não é querer ou não alguém, mas a forma como você lida com esse não querer, com seus sentimentos e os da outra pessoa. Tenham responsabilidade afetiva. Se recuperar da impressão de ter passado um tempão vivendo uma mentira é muito doloroso.

Honestidade sempre vale a pena. Seja honesto com você e com os outros.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

VOCÊ tem direito sobre o MEU corpo?

Quando falamos por aí do desrespeito com o corpo da mulher, muitas pessoas têm a sua "opinião" sobre o que pode ser classificado como desrespeito ou não. Os homens tendem a relativizar essa coisa toda, pois cresceram em uma sociedade que os ensina que eles têm direito sobre nossos corpos. Não raramente passamos por situações constrangedoras como passarem a mão na nossa bunda, puxarem nosso cabelo, pedirem para nos conhecer já nos agarrando pela cintura, etc. Tudo isso parece besta, mas é uma tremenda violação da nossa individualidade.

E isso é só a ponta do iceberg, pois um cara que faz isso, que normalizou esse comportamento (que ele não aceitaria se fosse alguém fazendo com ele - principalmente se fosse outro homem), é capaz de fazer coisas muito piores.

Esse FDS escutei duas histórias que me fizeram refletir muito sobre como precisamos acabar com essa cultura escrota que nos expõe a tantas situações inaceitáveis.

A primeira história é de uma amiga que contou que conheceu um cara na balada. Eles ficaram e ela foi dormir na casa dele. No meio do ato sexual, ele aproveitou que ela estava de costas e tirou a camisinha, e ela só percebeu depois de um tempão.

A princípio, eu achei muito surreal, mas depois, pensando na linha toda da cultura, que acaba incentivando esse tipo de comportamento masculino, fiz um pequeno experimento. Perguntei num grupo com mais 4 amigas (sim, só 4) se já tinha acontecido isso com alguma delas. Dessa forma, eu teria uma noção se isso é uma prática recorrente entre os homens.

Prontamente uma delas disse que sim e relatou a seguinte história:

Ela estava ficando sério com um cara e a primeira vez que eles transaram, foi na loucura, dentro do carro, bêbados, e acabou rolando sem camisinha. Na segunda vez, ele veio querendo fazer sem de novo. Ela disse que não, que aquilo não aconteceria novamente, que foi um vacilo e que ela não queria mais assim. Ele insistiu, querendo fazer sem camisinha, mas ela não cedeu. Porém, no meio do sexo, ele aproveitou que ela estava de costas e tirou a camisinha sem informá-la.

Ao perceber, ela ficou muito chateada, confrontou-o e ele disse que "tirou porque estava incomodando". Ela pediu que ele a levasse para casa imediatamente. E sabe o pior disso tudo? Ela disse que se sentiu "suja, desprezada, um lixo" e morreu de chorar.

Gente, isso é errado de tantas formas diferentes! Como vocês homens não conseguem perceber a gravidade dessas atitudes?!

A primeira coisa que me choca é a falta de autocuidado. Não entendo como pessoas que têm a vida sexualmente ativa, principalmente sendo solteiros, não se preocupam com sua saúde sexual. Como vocês têm tanta certeza de que as pessoas que vocês ficam não tem doenças? Doença não tem cara, não, galera. Qualquer um pode contrair. Não dá para olhar para cara da pessoa e confiar que ela está limpa. Usar preservativo é cuidar de si mesmo, primeiramente. É claro que - não vamos ser hipócritas - às vezes a gente acaba deixando rolar sem camisinha, no calor do momento, mas isso deveria ser uma exceção, e não uma prática comum. É perigoso para todo mundo.

Segundo, o que aconteceu nessas histórias configura ABUSO SEXUAL. O consentimento foi COM camisinha. Se você ultrapassou essa linha, você violou a outra pessoa. SIM, isso também é uma forma de estupro. Estupro é sexo sem consentimento. Se ela não consentiu sem camisinha e você não respeitou, você estuprou. Parece que vocês têm dificuldade de compreender os limites! O seu direito acaba quando começa o do próximo. Se você não quer se proteger é problema seu, mas não tem direito de expor a outra pessoa a sua negligência.

As duas histórias tem antagonistas bem diferentes: um é um desconhecido de uma transa casual. O outro era alguém conhecido, fixo, no qual a minha amiga achou que poderia confiar. Isso mostra bem que não importa a relação que eles têm com a outra pessoa, eles se acham no direito de tomar decisões sobre os nossos corpos.

E por último, você desrespeita a pessoa como ser humano. O sexo é um ato conjunto, então tudo o que acontecer deve ser consentindo por todas as partes. Tirar a camisinha sem informar a outra pessoa é o cúmulo do menosprezo pelo outro. Você não se sentiria violado caso sua parceira fizesse algo sem o seu consentimento? Por que é tão complicado se colocar no lugar do outro? É só a sua vontade que conta?

E aí, além da exposição física ao perigo de uma doença sexualmente transmissível ou uma gravidez indesejada, surgem as consequências psicológicas. A primeira pessoa a me contar a história, relatou um sentimento de paranoia e extrema preocupação, que durou dias. A segunda relatou um sentimento de autodesprezo e desespero.

Mais uma vez, o egoísmo masculino nos traz consequências de atitudes que nem são nossas. Olha que absurdo: nós é que temos que lidar com as consequências das atitudes de vocês!

Essa postura é tão infantil, sabe? Vocês acham que a gente também não preferia transar sem camisinha? CLARO! Mas é uma questão de maturidade. De compreender que antes de qualquer coisa, vem a nossa saúde. Se você não concorda com isso, arranje alguém que pense como você, pois nós não temos a obrigação de lidar com suas decisões erradas. Você não pode obrigar uma outra pessoa a engolir as suas escolhas individuais contra a vontade dela. A única pessoa que tem lidar com as consequências das nossas atitudes somos nós mesmos.

GROW UP!

Já chega, machaiada! Vamos botar a mão na consciência!



domingo, 22 de dezembro de 2019

Um perigo chamado carência

Depois de estar solteira por tantos anos, chegamos àquela encruzilhada entre o não conseguir se envolver com tanta facilidade e o acabar se envolvendo com qualquer um por pura carência. Já até escrevi aqui sobre o desafio de não ficar totalmente cética, mas também não forçar a barra só para não ficar sozinha.

Tem dias que é super fácil ser a sensata da vida e agir com maturidade, mas de tempos em tempos, a dona carência chega a um nível perigoso onde a gente corre sérios riscos de ignorar sinais importantíssimos em nome de viver um romancezinho sequer, nem que seja só para tirar a poeira do coração.

Foi aí que eu reencontrei um rapaz que havia sido apaixonado por mim na época da escola e quase troquei os pés pelas mãos. Todo aquele frisson de adolescente de alguma forma reapareceu dentro de nós e de repente estávamos nos falando todos os dias. Eu, solteira há mais de 6 anos, sem filhos. Ele, recém-separado de um relacionamento de 8 anos com uma mulher sabidamente instável e que não aceita o fim do casamento, com o adicional de 3 filhos. Parecia que a novela mexicana já estava escrita, e mesmo lendo o script antes de beijá-lo, eu acabei caindo nessa furada.

Por que será que carência deixa a gente cego tal qual quando estamos apaixonados por alguém? Por que a gente começa a relativizar tudo e relevar algumas coisas importantes, ouvindo seu cérebro dizer "ah, mas ele te trata tão bem, ele foi tão apaixonado por você, ele é uma pessoa tão bacana!"?

The thing is: não é sobre ser ou não ser bom. É sobre não ser bom para você. E pronto.

Ficar com um cara numa vibe super nostálgica e romântica e no outro dia ser bombardeada pela ex do cara (que tem todas as senhas das redes sociais dele - e eu nunca vou entender essa falta de privacidade que certos casais confundem com confiança!) é puro sinal de que é uma cilada, Bino. Por mais que saibamos da instabilidade emocional da moça (o que, acreditem, para mim é bem difícil de concordar, como feminista que sou), até onde o que ela diz é mentira? E mais, até onde o que ela diz vai passar reto e não te afetar em nada? Sou assim tão evoluída?

A verdade é que a mulher já foi denunciada por ameaçar a última tentativa de romance do ex-marido de morte e inclusive condenada a pagar indenização e prestar serviços comunitários. Ela jogou roupas e livros dele fora. Ela furou os 4 pneus de seu carro e jogou xixi nos bancos. Ela usa os filhos como forma de ameaçá-lo. E toda vez que ele chega perto de mim, ela descobre e me manda mensagem inventando alguma coisa para que eu desconfie de que tudo o que ele fala e faz é mentira.

Onde vou parar me envolvendo em uma história tão maluca, sendo enroscada em uma relação tão tóxica? Serei eu envenenada também?

E foi aí que o lado racional do meu cérebro começou a berrar, porque não importa que ele me trate como uma rainha, me faça sentir desejada, admirada ou passível de ser amada. Essa confusão é grande demais pelos poucos benefícios recebidos.

Eu mereço sim tudo isso que ele estava me fazendo sentir, mas como diria Cazuza, eu quero a sorte de um amor tranquilo. Sentir tudo isso e no dia seguinte sentir uma tensão absurda, um medo de estar sendo vigiada a cada passo e pavor de a qualquer momento sofrer alguma tipo de agressão física ou psicológica faz esse lance perder todo o valor.

Eu sinto que está na hora de meu coração voltar a ter mais do que apenas a função de bombear sangue, mas quando isso acontecer, vai ser com alguém que me faça sentir segura o tempo todo e não apenas enquanto está fisicamente na minha presença. Valeu a tentativa, universo, mas eu quero (e mereço!) muito melhor que isso.

sábado, 26 de outubro de 2019

Sexo frágil ou super-heroínas

Estive pensando nos esteriótipos que a sociedade criou para as mulheres. É óbvio que poderia passar horas fazendo uma lista de comportamentos bem específicos que exigem de nós no trabalho, em casa, na cama, enquanto mãe, irmã, esposa, namorada. Além dos padrões de beleza que nos impõem todos os dias, a juventude eterna que nos é cobrada e outras infinitas variedades que fazem do "ser mulher" algo tão complexo e muitas vezes sofrido.

Porém, hoje eu pensava especialmente sobre dois esteriótipos bem gerais: o que criaram para nós desde o começo dos tempos, o de sermos o SEXO FRÁGIL, em oposição ao que nós mesmas acabamos criando para nós, possivelmente para combater esse outro, o de sermos SUPER-HEROÍNAS.

O de sexo frágil sempre incomodou a maioria de nós, porque foi - ou é - usado pelos homens para exercer machismo sobre nós. A ideia de que precisamos de um homem para sermos felizes implica uma fragilidade, onde a mulher é emocionalmente e financeiramente dependente do sexo masculino. Ainda hoje, embora em uma escala bem menor, podemos encontrar mulheres que passam a vida procurando um marido, como se a única fonte de felicidade de sua vida fosse o casamento ou que um marido seria a garantia de uma vida próspera e feliz. Muitas famílias ainda endossam essa ideia estapafúrdia e se preocupam mais se a filha está encalhada do que com sua formação acadêmica ou saúde; e de repente encontramos várias mulheres infelizes, não-realizadas, presas a relações abusivas ou sem a menor condição de se impor por ser de alguma forma dependente de alguém do sexo masculino (normalmente o marido, às vezes o pai). Dito tudo isso, acredito que esse esteriótipo esteja caminhando para uma extinção - se tudo der certo! -, pois hoje muito se fala sobre independência feminina e quase todas nós já entendemos que independência é liberdade. Independente da mulher se considerar feminista ou não, quase nenhuma quer depender de alguém.

Para ser sincera, o esteriótipo de super-heroína anda me preocupando mais. Não me levem a mal, somos de fato heroínas. Não tem como não ser, diante de tudo o que passamos diariamente. Mas eu começo a enxergar várias consequências desse "apelido carinhoso" para as mulheres. Crescemos ouvindo, todo dia 08/03 em especial, que as mulheres são guerreiras, fortes, batalhadoras. Que aguentamos tudo, coisas que os homens nunca aguentariam. Vocês conseguem ver o perigo que isso representa na sociedade atual?

Não há espaço para a mulher ser quem ela é no momento em que ela quiser ou puder ser. Ou ela tem que ser uma flor delicada frágil ou ela tem que ser sempre a foda que tudo suporta.

Olhe para sua mãe. Qual a primeira palavra que você usaria para defini-la? Eu usaria FORTE. E aposto que muitos de vocês também.

Nossas avós foram da geração do sexo frágil. Casavam cedo, casamentos arranjados muitas vezes. A maioria não tinha emprego para ficar em casa cuidando dos filhos, o que as tornavam escravas de seus relacionamentos, aprisionadas a seu provedor, porque não teriam para onde ir ou o que comer, caso resolvessem se separar. Dessa forma, elas se submetiam a qualquer coisa.

As nossas mães vieram para abrir a caixa das heroínas. Jornada tripla de trabalho: trabalhando fora, cuidando da casa e dos filhos, estudando para conseguir algo melhor. Várias mães solteiras. Muitas começaram do nada e hoje tem uma condição confortável por conta dessa loucura de até se anular para conseguir o mínimo para sua família. Ela se superou, ela é uma guerreira. Admiram sua força.

Já pensou em quanto ela já sofreu calada por não querer que ninguém soubesse que ela também era fraca às vezes? Que ela queria ajuda, que tinha vontade de desistir? Nunca vimos as lágrimas que as nossas mães choraram escondidas. Quantas vezes perguntamos "O que foi?" e ela respondia "Nada não"? O fato é que elas precisavam passar a imagem de "sou forte o tempo todo, eu aguento qualquer coisa". Não seria essa uma outra forma de prisão?

E nossa geração também vem repetindo isso, de querer suportar tudo, porque as pessoas acreditam que nós somos guerreiras o tempo todo. Se alguma coisa da minha vida sair um pouco do padrão, então já começam a dizer que eu não estou bem. Não tem nada de errado comigo! Eu apenas sou um ser humano. Que tem momentos fortes e frágeis. Que gosta de ser vista como inspiração de força sim, mas que também precisa de ajuda e de uma palavra de carinho. Que tem vontade de jogar tudo para o alto, que comete erros e acertos. Que um dia é a determinação em pessoa e no outro dia não consegue levantar um dedo para nada. Simplesmente humana. Nenhuma guerreira invencível de Games of Thrones.

Me preocupa que desde pequena as meninas aguentem tudo. Que sofram caladas, que seja ensinado a elas que "se acostumam, vida de mulher é difícil mesmo"; que a sociedade diga que elas vão necessariamente amadurecer mais rápido que os meninos, porque é assim mesmo. ISSO NÃO É BIOLÓGICO. O amadurecimento das meninas vem antes porque isso é exigido delas desde cedo. Meninas tem que se comportar, fechar as pernas, falar baixo, ter a letra bonita, o material bem-cuidado, o caderno caprichado, as notas boas. Em que escala isso também é cobrado dos meninos? Em uma muito menor. Gente, acreditem: NADA É POR ACASO.

Quero que minhas alunas e minha sobrinha saibam que elas são fortes, sim, mas que elas não tem que aguentar tudo. Que elas podem pedir ajuda e que às vezes serão frágeis e que não tem nada de errado com isso. Que o ser humano é complexo e a vida não é mole e que não tem problema de vez em quando você se sentir uma merda. Isso não define quem você é e nem tira o seu valor.

Esse post é uma reflexão sobre em que nível estamos nos permitindo, enquanto mulheres, sermos um pouco de tudo o que todo ser humano é. A gente não tem que aguentar tudo nem ficar o tempo todo preocupada com a imagem que estamos passando. E nem depender de ninguém, para estar pronta para cair fora quando e se for necessário.

Nem sempre 8, nem sempre 80, mas todos os números do meio também. Você não é só frágil nem só forte. Você só é uma pessoa. Olha que loucura?!




quinta-feira, 7 de junho de 2018

Ceticismo x forçar a barra - o difícil desafio de não estacionar em nenhum dos dois

Chega um momento, após estar solteira há um certo tempo, que a gente começa a perceber que o ceticismo tomou conta do nosso coração. Já perdemos a capacidade de acreditar que alguém pode gostar da gente pelo que somos de verdade, que alguém possa se abrir para te conhecer ou até mesmo que possa existir alguém sincero em meio a tanta falsidade, mentiras e futilidades.

Também começamos a questionar até que ponto esse ceticismo está disfarçando uma possível auto-sabotagem e esse é um momento crucial e perigoso. Atrás de uma negação, de não conseguir conceber que nos fechamos tanto para as possibilidades, começamos a querer forçar relacionamentos, interesses, e fingir coisas que não sentimentos para de repente nos convencer de que temos sim a capacidade de nos abrir.

Considero perigoso porque podemos cair na armadilha de achar que qualquer pessoa que seja menos pior ou boazinha ou sincera é o suficiente para nós.

Afinal, o que é necessário para construir um sentimento? Um relacionamento de verdade?

Já fiz isso algumas vezes na minha vida, mas confesso que agora com esse tempo recorde solteira, a tentação é ainda maior. Ainda bem que a maturidade também é e por isso é mais fácil identificar quando você está tentando enfiar o pé em um sapato muito apertado.

Cansei de perceber que alguns caras que não tinham nada a ver comigo tinham interesse nesse meu jeito espevitado (talvez pela curiosidade do diferente!), e me aproveitar disso para seduzir o cara. Não era por mal, nunca foi. Era sempre pensando: esse cara é bacana. Gente boa, inteligente, do bem, trata bem as mulheres. Vou me envolver com ele, preciso dar chance para pessoas assim.

Daí começava a ficar com pessoas que tinham zero afinidades comigo: super nerds, meninos caseiros demais, pessoas que não gostavam de viajar, caras passivos e até mesmo acomodados, e por aí vai. Pessoas que acabavam sendo overpowered pela minha personalidade. Eu achava que estava apaixonada - às vezes até estava pela ideia que tinha construído do cara -, quando de repente vinha aquela avalanche de percepções. "Esse cara não tem nada a ver com você", "Vocês não tem afinidades", "Nem o beijo encaixa direito", "Você mal tem tesão por ele", "Que admiração você tem por uma pessoa dessa?" e a lista não parava de crescer.

Até que eu não aguentava mais e pegava ranço da cara do sujeito. A situação ficava insustentável, eu não conseguia nem sequer olhar nos olhos da pessoa. Algumas vezes chegava a maltratar alguém que gostava de mim porque não conseguia controlar minha falta de interesse e paciência. Muitas vezes insistia, lá tava eu enfiando o pé no maldito sapato apertado, me enganando com frases como "é só uma fase", "isso vai passar", "não vai jogar um homem que gosta tanto de você fora". É claro que isso sempre acabava em eu dando um pé na bunda do cara, ele se perguntando "onde foi que eu errei?" e eu me sentindo a pior pessoa do mundo depois.

Estou me colocando de forma super vulnerável aqui para vocês. Depois do meu último namoro, até terapia fui procurar porque não conseguia entender o meu comportamento. Por que tenho tanta dificuldade em manter meus relacionamentos com esses caras tão "maravilhosos"? Qual é o meu problema, afinal?

Hoje consigo compreender que não adianta a gente forçar a barra com coisas que não nos pegam no coração de verdade. Ele pode ser o cara bacana que for, mas se não bater, se não der liga, se não tiver aquela afinidade gostosa, admiração e tesão, NÃO É PARA VOCÊ!

Mesmo quem gosta de ser solteira, tem seus muitos momentos de solidão e pensa: "será que vou ficar sozinha para sempre?". Esse medinho do futuro (não que tenha algum problema em estar sozinha!) às vezes nos faz fingir coisas só para não estar sozinha. Quantas amigas em relacionamentos infelizes eu ouvi dizer: "mas Dany, se eu termino com ele, vou ficar sozinha pra sempre! A coisa está feia!". Será possível que chegou-se ao ponto de acreditar que é melhor fingir ser feliz e estar morrendo por dentro do que aprender a gostar da sua própria companhia e se respeitar? Acreditamos de fato nessa balela toda de que só há uma fórmula para ser feliz e ela necessariamente inclui estar em um relacionamento amoroso?

O desafio é: sim, nos abrir para possibilidades, pessoas novas, coisas diferentes, mas ter a sensibilidade de perceber que se abrir não é a única coisa que falta para encontrarmos alguém especial. Existem vários caras bacanas que não vão se encaixar com você, com seus princípios, com seus gostos, com suas crenças e isso não faz deles (ou de você!) menos especial. Apenas não era seu número. AND THAT'S OKAY! A gente lamenta, parte pra próxima... e quem sabe qualquer dia o sapato entra no pé, bem confortável? E se não... oras... vamos andar com os pés descalços na areia, que cá entre nós, também é uma delícia!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Papo sério - por que o uso de proteção está sendo ignorado?

Boa noite, pessoal!

Hoje vou deixar um pouco de lado as piadinhas e sarcasmos para falar de um assunto muito sério: a quantidade de gente fazendo sexo sem camisinha.

Estava lendo uma reportagem agorinha que alertava sobre os números altíssimos de DST que figuram aqui no Brasil. O número disparou nos últimos tempos simplesmente porque o brasileiro anda bem despreocupado em cuidar da saúde sexual - da sua própria e de seu/sua parceiro (a).

A verdade é que as pessoa andam se preocupando só com gravidez e quando descobrem que suas parceiras tomam anticoncepcional relaxam de vez. Até mesmo quando elas não usam, eles fazem aquela velha sugestão simples "qualquer coisa é só tomar pílula do dia seguinte".

Tem muita coisa errada nesse pensamento. Para começar, vamos falar do efeito da pílula do dia seguinte no corpo de uma mulher. Esse comprimido é nada mais nada menos que uma BOMBA DE HORMÔNIO (com efeito abortivo segundo pesquisas). Ele não só causa um efeito que não necessariamente seria a intenção de quem toma e nem é 100% garantido, mas faz um mal danado à saúde da pessoa. O remédio é tão forte que não é recomendado que se tome mais de uma vez em 6 meses. E é muito simples para o homem contar com isso, pois afinal de contas, ele não sofrerá as consequências e mais uma vez o fardo de se cuidar recai única e exclusivamente sob a mulher. A gente escuta tanto "mas com camisinha é muito ruim" ou "eu não consigo sem camisinha", que já perdi as contas.

Segundo e não menos importante, vem a falta de preocupação com doenças sexualmente transmissíveis. Aquela velha síndrome do super-homem, onde você acha que essas coisas só acontecem na TV ou com os outros, mas que seu santo é forte e você nunca vai passar por isso. A preocupação com o outro então é inexistente! Se você não está preocupado com sua própria saúde, é óbvio que se importará muito menos com a dos outros.



"Quase quatro em cada dez brasileiros de 18 a 29 anos ouvidos na pesquisa “Juventude, Comportamento e DST/Aids”, que entrevistou 1 208 pessoas nessa faixa etária em 2012, admitiram não usar preservativo em sua última relação. É mais uma evidência que corrobora uma triste constatação: nesse grupo, o fator de risco para doenças que mais cresceu nas últimas duas décadas foi o sexo inseguro. De 1990 a 2013, migrou da 12ª para a 2ª colocação na faixa dos 15 aos 19 anos e do 6º para o 2º lugar para quem tem entre 20 e 24 anos – só perde para o consumo de álcool."




Se esses dados não forem alarmantes para vocês, não sei o que será.

Todos nós já acabamos caindo na tentação e transando sem camisinha, porque CLARO, é muito mais gostoso, mas será que vale a pena o risco?

Com o Brasil sendo país referência no combate à AIDS e hoje em dia ser muito difícil ouvir falar de alguém que contraiu o vírus e morreu por causa dele, parece que as pessoas se tornaram auto-confiantes ao extremo e acham que não tem problema praticar sexo inseguro. Mas e as outras DSTs? Você está interessado em contrair gonorréia, HPV, sífilis, hepatite B, entre outras, só porque camisinha tira um pouco da sensibilidade do órgão?
Será que não é possível encontrar prazer no ato como um todo, em todas as partes do corpo, no envolvimento, ao invés de ficar focado em um pequeno e rápido desconforto que pode salvar a sua vida?

Gente, é o seguinte: sexo é uma delícia. Sexo sem camisinha então, nem se fala (nem vou mentir dizendo que é ruim!). Mas VIVER e COM SAÚDE é ainda mais! Então coloquemos todos nossas mãos na consciência e tomemos mais cuidado conosco e com a pessoa que está dividindo esse momento de intimidade com a gente! Que tal jogar essas estatísticas ruins lá para baixo? Vamos fazer nossa parte?! =)

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Vocês estão namorando errado

Cheguei a uma conclusão essa semana que pode explicar porque a maioria dos homens tem tantas ressalvas quando o assunto é se envolver. Claro que tem o fator "piranhagem geral", mas tudo seria amenizado se não tivesse tanta gente por aí namorando errado.

"Como assim namorando errado, Dany?"

Meus caros, já reparou o que acontece na vida do indivíduo quanto ele começa a namorar? De repente ele DESAPARECE. Não vê mais os amigos, só fica em casa vendo filme ou pulando de restaurante em restaurante postando foto de tudo em dupla: prato duplo, copo duplo, vela dupla. Ele (a) começa a parar de frequentar os lugares que adorava, de fazer as coisas que o faziam se divertir tanto.

O namoro de muitos parece mais uma prisão do que um relacionamento, onde de repente você não tem liberdade para fazer nada que não seja grudado com sua namorado (a), uma panela de pressão, cheio de cobranças. Você muitas vezes se torna outra pessoa, desprovido daquela personalidade que tanto atraiu a outra pessoa, primeiramente.

Eu sempre me preocupo com isso quando namoro. Faço questão de trazer meu namorado para o meu círculo de amizades e de me tornar parte do dele. Eu entendo que você não vai ter exatamente a mesma vida, que outra pessoa está integrada a sua vida e que algumas coisas devem ser adaptadas, mas se for pra ficar numa relação onde eu tenha que cortar todos os meus prazeres, deixar de estar com meus amigos e família e envelhecer 2 anos por dia por conta de cobrança, de monotonia, de ciúmes, nem me chama.

Relacionamento tem que ser diversão, tesão, companheirismo, cumplicidade, zoação, cuidado. Tem que ser para compartilhar, vir para somar e não para subtrair a pessoa da sua própria vida! Um relacionamento que chega e muda todos os seus hábitos, te faz se sentir distante dos seus amigos, te faz desistir das coisas que você gostava e te aprisiona não é um relacionamento legal. Pensa como é arriscado apostar sua felicidade, todas as suas fichas em apenas um aspecto da sua vida?! Não faz sentido!

Você fala que está numa festa e que o outro sumiu e ele responde "mas tô namorando, ne". Quer dizer que quando está namorando não pode mais ir a festas?

O sujeito amava dançar, de repente some 3 anos e depois "volta o cão arrependido". Quando você pergunta o porquê do sumiço: "Tava namorando". Ué. Namoro significa que não pode mais dançar?

Entendem o que estou dizendo? Não estou dizendo que a vida de solteiro é exatamente igual a de comprometido e que nada muda - não ponham palavras na minha boca! -, o que estou dizendo é: a vida de pessoa comprometido pode ser tão atraente quanto a vida de solteiro. Você não precisa se sentir como um passarinho saindo da gaiola quando terminar um relacionamento e "precisar de um tempo para curtir", como se não fosse possível ter curtição dentro de um relacionamento. Há um conceito muito deturpado de curtição. Separado em status de relacionamento: se você está solteiro você está curtindo e se divertindo. Se você está comprometido, vive com sono e sua vida é monótona. A curtição, a diversão, a alegria só depende de vocês! Dá para ter aventuras, histórias loucas e engraçadas e muita zoeira estando em um relacionamento, sim! Você pode fazer acontecer em dupla! Imagina que maravilha misturar tanta coisa legal: gostar de alguém massa, estar com alguém que te dá atenção, que te respeita e ainda super te diverte?! Ideal! META!

Então é isso... parem de tratar namoro como suicídio social e bora meter o louco em dupla! E ainda poder ter aquele colo e cafuné cheio de amor em dias chuvosos e frios! =)

terça-feira, 8 de março de 2016

Machismo x Feminismo – para entender de uma vez por todas


Muito me entristece que cheguemos no ano de 2016 e eu ainda tenha que escutar mulheres dizendo que odeiam feministas ou que não são feministas, mas sim humanistas, ou que não precisam do feminismo ou que feministas são chatas.

Tudo isso só tem dois possíveis motivos. Das duas, uma: ou você realmente não sabe o que é feminismo – e acha que sabe - ou você é machista. Se você não sabe, isso é muito fácil de resolver. Se você é machista... bem, é mais difícil de resolver, mas não impossível.

Vivemos em uma sociedade machista e é claro que, mesmo nós que nos declaramos feministas, às vezes soltamos uma frase machista, nos comportamos de tal forma, enfim, a cultura de uma sociedade patriarcal está arraigada dentro de nós e isso é algo que temos que nos policiar e combater dia após dia. Por isso, acredito que destruir o machismo dentro das mulheres não seja impossível.

Há pouco tempo, eu não sabia o que era feminismo. Sempre fui, mas não sabia que era [feminista], então dizia que não era, porque só escutava o povo falar mal do movimento. Até que resolvi ir atrás e estudar um pouco sobre o assunto. Não é preciso ir muito longe, basta jogar no Google a palavra FEMINISMO e bam, lá está no WIKIPEDIA:

“Feminismo é um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de gênero”.


Ou seja, o feminismo, ao contrário do que muitos pensam, não quer oprimir o sexo masculino – e portanto, não é o oposto do MACHISMO – e sim buscar a igualdade de gênero, dando à mulher o mesmo poder de escolha que foi dado ao homem desde o início dos tempos. O machismo é a opressão do homem sobre a mulher.

Homens que acreditam na igualdade de gênero são feministas. E mulheres que acreditam que os homens merecem mais que nós ou que tem direito sobre nós de alguma forma são machistas.

Vai aí uma lista de atitudes aleatórias e aparentemente inocentes. Se você ler e se identificar, fique atenta. Moça, você é machista.

- Chamar alguma mulher de piranha por causa da roupa que ela está usando.
- Achar que quem tem que cozinhar, lavar e passar em casa é só a mulher e que quem troca pneu, instala Internet ou entende de carro é só o homem.
- Achar que mulheres tem que ter cabelo longo, falar delicadamente e se comportar como “mocinha”.
- Descobrir uma traição do seu namorado e ir querer tirar satisfação com a menina e não com ele.
- Achar que futebol, luta ou subir em árvore não é coisa de menina.
- Achar válido que um homem ganhe mais que uma mulher, pelo mesmo serviço executado.
- Achar que quem tem cuidar dos filhos são as mães e os pais não.
- Dizer que alguém é um “super pai” porque o viu trocando fralda, dando banho ou cuidando do seu filho de qualquer forma. Ou seja, ele está “ajudando” a mãe.
- Achar que fulano é um ótimo marido porque “ajuda” a esposa nos serviços de casa.
- Proferir frases do tipo “também, olha a roupa que ela sai de casa” ou “olha o jeito que ela dança” ou “mulher não devia beber desse jeito” para justificar casos de estupro.
- Achar que o homem tem que pagar a conta sozinho, pronto e acabou.

Poderia passar 3 anos fazendo essa lista e não terminaria. O fato é que o machismo domina a nossa sociedade, mas graças a Deus existiram – e existem - mulheres que enfrentaram o patriarcalismo em busca de justiça e igualdade de gênero. E por causa delas, hoje podemos estudar, trabalhar, votar, escolher nossos maridos, nossas carreiras, nossas roupas (apesar de que alguns desses direitos ainda estão no caminho de serem completamente concretizados). Portanto, cuidado ao dizer por aí que não precisa do feminismo. Graças a ele, você não vive como sua bisavó viveu – provavelmente num cárcere privado, sem poder fazer nada que quisesse.

“Mulher quer igualdade? Então vai ter que carregar as compras sozinhas, trocar pneus, pagar a conta”. Ok, machista. Presta atenção: mulher pode fazer o que ela quiser. Homem também. Contanto que ninguém desrespeite o outro. O seu direito acaba quando começa o meu. Quando falamos sobre igualdade, não estamos falando de mulher = homem. Cada gênero tem suas habilidades, facilidades, particularidades. Quando falamos de igualdade, nos referimos aos direitos e deveres, guardadas às devidas particularidades de cada um. Não me venha com seus argumentos vazios para não perdermos nosso tempo, ok?

Caras mulheres, companheiras de tantas lutas, que compartilham comigo o medo de andar sozinha à noite e ser estuprada. De ser assediada na rua, no ônibus, no trabalho, na faculdade. De usar roupa curta e ser taxada de vagabunda. De casar tarde (ou não casar) e ser chamada de encalhada. De usar cabelo curto e ser rotulada de sapatão. De ser lésbica e ter que ouvir convite de homem para fazer ménage. De ouvir piadas de duplo sentido dos amigos. De ter que fazer todo o serviço de casa enquanto seu irmão, marido ou pai assiste televisão. De falar palavrão e ser chamada de mal-educada (porque isso não é coisa de mocinha). De sofrer com cólica e TPM e ouvir que “é frescura”. Apenas nós sabemos a dor e a doçura de ser mulher. Um homem nunca vai saber o que é, mas são bem-vindos se quiserem ter empatia ou tentar compreender e nos apoiar. A luta continua diariamente! VAMOS NESSA!

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O que você tem a oferecer?

É engraçado como as coisas mudam com o passar do tempo. Vamos crescendo em idade e junto disso vem a maturidade e o entendimento de certas coisas que costumávamos fazer e acabavam nos dando muita dor de cabeça. Infelizmente - ou felizmente, porque afinal a vida tem que ter emoção! -, não aprendemos tudo, mas algumas lições ajudam a lidar melhor com nossos desejos e também com as nossas frustrações.

Todo mundo sabe que não existe ninguém perfeito e que quando começamos a nos relacionar com alguém estamos sujeitos a sofrer com os defeitos da outra pessoa e ela com os nossos. Apesar de sabermos disso, tenho a impressão de que por vezes esquecíamos que é impossível encontrar uma pessoa que atenda a todas as nossas necessidades e que tenha todas as características que procuramos em um significant other. De repente, lá estávamos nós tentando, a todo custo, modificar aquela pessoa imperfeita, na vã esperança de que o transformaríamos em nosso príncipe encantado. Por que nunca paramos para nos dar conta de que seria mais fácil aceitar que o outro tenha defeitos ou cair fora porque não aceita? Por que tanta insistência em querer mudar alguém? Quanto de nós mesmos estamos dispostos a mudar para atender às necessidades do outro?

Quando você se dá conta de que não tem jeito mesmo, todo mundo vem com defeito de fábrica - inclusive você! -, você começa a modificar seu pensamento. Chega um ponto em que todos sabemos o que queremos em um relacionamento. Nem digo em uma pessoa, mas na forma como ela se relaciona com você. Agora, ao invés de pensar "ele podia ser mais carinhoso" ou "ele podia me ligar mais vezes ao dia" ou "ele podia frequentar mais as festas da minha família" ou "ele podia falar três línguas", passamos a pensar: "ele é assim. Estou disposta a aceitá-lo com tudo de bom e ruim que ele é?". Ou ainda: "isso é o que ele tem para me oferecer. Será suficiente para mim?"

O segredo é mudar o foco. Ao invés de pensar em moldar a outra pessoa para que ela fique como você quer, o negócio é entender a relação entre o que você quer e o que o outro tem a oferecer.

Claro que tem coisas que podem ser resolvidas em uma conversa, que relacionamento é ceder de um lado e de outro, e acredito que estar em uma relação significa abrir mão de certos hábitos nossos (ou ao menos se policiar) que possam chatear ou magoar a outra pessoa. Mas me parece que não conseguimos internalizar de que nunca vai haver alguém que atenda 100% das nossas necessidades e é por isso que ficamos por aí perdendo nosso tempo atrás de algo que não existe.

Você tem todo o direito de querer um certo tipo de relacionamento. Mas não pode obrigar o outro a querer o mesmo que você. A te oferecer o que ele não tem para dar. Então a decisão é sua: o que ele pode me oferecer é o suficiente para me fazer feliz? E daí você vai ter que abrir mão de alguma coisa: ou desse romance que não está preenchendo suas expectativas ou de certas exigências da sua lista do relacionamento perfeito.

Enfim, tudo isso para dizer que não adianta a gente ficar por aí tentando transformar sapo em príncipe - e nem sapa em princesa, for that matter. Aceita que o sapinho tem defeitos, que vai ter dificuldade de atender certas necessidades suas e tome sua decisão: sou capaz de viver com isso? Tá bom ou eu quero mais? E assim que você decidir, vai ter bem mais autonomia sobre seus desejos, frustrações e relacionamentos.

"Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo
Mas aprendendo a jogar."

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Ai de mim que sou romântica!

O povo me pergunta porque eu tô solteira há tanto tempo (na verdade, ainda nem fez 3 anos. Mas como meu último namoro durou só 3 meses, a gente pode contar com os quase 2 anos que fiquei solteira antes dele) e eu não sei o que responder.

As pessoas me acusam de ser muito seletiva, mas tenho a impressão de quem está comprometido, especialmente se for há muito tempo, não tem noção de que a coisa está feia. Não é simplesmente uma questão de querer ou não. É uma questão também de ser querida ou não. E de que, claro, alguns fatores pesam contra mim nesse momento:

1) Adoro balada, roupa curta e falo palavrão, então, obviamente, não sou mulher para você apresentar para sua mãe.
2) Faço 29 anos mês que vem.
3) Nunca tive relacionamento longo.
4) Ah, tá, vai, sou um pouco seletiva, sim e acabo ficando meio impaciente.

Mas vou contar para vocês dois episódios da minha vida que provam que não é tão simples quanto achar que eu escolho demais. Vou contar dois, mas vai parecer que é só um:

Estava eu lá, linda e ruiva, de boa na lagoa, quando de repente um certo alguém vem e se "declara" pra mim no whatsapp. Fiquei chocada, não esperava. Ele me pediu pra pensar. E foi o que eu fiz. Comecei a pensar na pessoa que ele era. Rapaz muita gente boa, extrovertido, carinhoso, trabalhador, blablabla, tudo o que uma mulher podia pedir a Deus e, mesmo sem ele fazer meu tipo, baixei a guarda e resolvi dar uma chance. Achava que estava entrando num local seguro, ele não fazia o tipo galinha. Tinha certeza que ele não ia me magoar e na verdade eu tinha era muito medo de magoá-lo. Depois de duas ou três semanas de intensa conversa no whatsapp, ele vira e fala pra mim que vai se mudar de Brasília.

A outra história é mais ou menos igual. Veja bem... o universo anda tão sacana que nem sequer se dignifica a mudar a história e manda duas repetidas: uma atrás da outra.

O primeiro, ainda depois da mudança, continuou num flerte eterno comigo, e eu continuei com a guarda lá embaixo, cogitando coisas, pensando, refletindo, até que ele resolve me dar o gelo do século e, assim como qualquer outro que eu fique numa balada, some e nunca mais olha para trás.

O segundo ainda não foi embora de Brasília e vez em quando vem demonstrar sua extrema dúvida e sua firme vontade de continuar ficando comigo, mas já deixei claro: WHY BOTHER? A gente continua, daqui a um mês você se manda e eu fico como? E você, fica como? Melhor não complicar as coisas.

Aí a pessoa mal sabe da minha vida e fala que "eu escolho demais"? Faça-me o favor! Abri meu coração para pessoas inimagináveis e não adiantou nada.
Não é melhor voltar a se proteger e ficar de boa, nas minhas baladas, sem me envolver?

No fundo, eu sou a personagem da música MUTANTE, eternizada pela Daniela Mercury.

"Juro que eu me sinto um pouco rejeitada, me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa, depois eu passo para outra
Como um mutante, no fundo sempre sozinho, seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica!"

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Masoquismo emocional

Esse Carnaval conheci uma menina linda! Tão doce, gente fina, divertida! Mas estava sofrendo. Há poucos dias tinha levado um delicioso pé na bunda, depois de 1 ano e 5 meses de namoro.
Achei curioso o relato dela, porque pela descrição, o comportamento dele era absurdo (somando-se ao fato de ter terminado um namoro na véspera do Carnaval, claro).

Ela disse que ele reclamava que ela era muito ciumenta. Até aí, parece que a culpa era dela, né? Mas quando ela começa a contar detalhes, você vê que o buraco é bem mais embaixo.

Segundo ela, ele dizia frases como "eu não posso garantir que nunca vou te trair" e olhava para outras mulheres na frente dela, sem nenhuma cerimônia. Mantinha amizades suspeitas, dizia que olhava para outras mulheres com desejo, e sempre a fazia se sentir insegura. Segundo ele, preferia ser "sincero" com ela.

Outra coisa que ela reclamou também foi da constante falta de apoio e também relatos de que ele sempre a diminuía, deixando a auto-estima dela no chão. Nenhum esforço que ela fizesse para ficar bonita, para passar num concurso, ou para melhorar suas inseguranças eram apreciados, mas sim diminuídos.

Vamos analisar a situação: ele dizia que queria ser honesto com ela. Oras, ninguém deve prometer o que não vai cumprir, mas o cara chegar para namorada, que supostamente ama, e falar "não posso garantir que nunca vou te trair" e ainda depois reclamar que ela é muito ciumenta, só pode ser brincadeira, né? A carne é fraca, e de verdade, no fundo isso é uma coisa que ninguém pode prometer, mas para mim ele deixou claro que isso não era um problema para ele e que ele não ia fazer o maior dos esforços para se comportar, não.

Olhar para outras mulheres, ok, todo homem olha. Ou melhor, toda pessoa olha. Nós também olhamos, comentamos com a amiga ao lado e seguimos a vida. Ninguém é tão ingênuo a ponto de achar que uma pessoa atraente vai passar ao lado e seu bofe/bofa não vá notar. Mas há de se ter esse cuidado com quem gostamos! Discrição, a velha frase do "acho você muito mais linda" ou qualquer coisa do tipo. Mas olhar descaradamente e ainda admitir que olha com desejo, como se o outro ao seu lado não tivesse importância e tivesse que aturar seu comportamento sexual animal, é o fim, né?

Por último, e analisando bem, talvez o mais grave, é você ficar voluntariamente com uma pessoa que só te coloca para baixo. Uma relação legal, é uma relação onde um apóia os sonhos do outro, sofre junto as derrotas e vibra junto nas conquistas. É ter alguém com quem se possa contar para tudo, para enxugar suas lágrimas quando você estiver triste, te dar aquele abraço quando você estiver feliz, te ajudar a levantar quando você estiver por baixo. E não jogar a terra na sua cova! Qual é o objetivo de estar com uma pessoa que te faz te sentir péssima sobre quem você é? Qual é objetivo de ficar com uma pessoa que te trata como lixo?

Ela contava tudo e depois dizia "mas eu amo ele. E quando a gente ama é uma merda". Quando a gente ama, é uma merda. Mas quando a gente SE ama, a merda passa mais rápido.

Eu tinha acabado de conhecê-la, então não tive coragem de dizer tudo o que eu realmente achava, até porque, não é da minha conta. Mas eu fiquei com o coração do tamanho de uma ervilha ouvindo-a falar. Esse cara fazia um mal danado para ela, e ela estava cega. Deus a livrou de uma armadilha das boas! É tão difícil percebermos o nosso valor quando estamos tão apaixonadas! Acho que ela estava viciada na dor. Era um masoquismo emocional. Tenho certeza que ela não consegue enxergar o quanto ela merece mais.

Uma vez, quando eu estava sofrendo por um alguém que não me amava mais, uma amiga disse: "você tem que saber seu valor". Eu disse que sabia. E ela rebateu dizendo que não, eu não sabia.
Ela tinha razão. No dia que a gente descobre, a gente se liberta. A gente consegue enxergar nosso limite e diz "não" para tudo o que não nos faz bem. Do fundo do coração, espero que ela perceba isso o quanto antes e que enxergue o quanto ela merece respeito, amor, dedicação, cuidado e companheirismo.

Pessoal, é claro que ouvi apenas um lado da história, e ele deve ter a versão dele, porém, eu duvido muito que seja muito destoante do que ela contou, porque foram coisas muito pontuais. Na minha opinião, ninguém tem responsabilidade de 100% do fim de um relacionamento. É claro que tem gente que tem mais culpa que o outro, mas... nesse caso, ela precisava mesmo ter se submetido a tanto sofrimento? Não. Então se ela permitiu que ele a tratasse da forma como tratava, tem sua parcela de culpa também.

Relacionamentos são complicados. Mas é aquele velho e sábio ditado: antes só do que mal acompanhado.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Sentimento de posse e o que fazer com ele - a decisão é sua

Mulher é um bicho estranho. A gente vive sentindo coisas que não quer sentir. E depois tem que ficar ouvindo todo mundo dizer "você quer se sentir assim!" - não é tão fácil. Quem foi que disse aquela frase estapafúrdia "O sofrimento é opcional"? Lógico, transformamos qualquer coisa em um drama sem fim, e com o tempo, aprendemos que a única coisa que podemos fazer é turn off the drama e move on. Não dá pra perder meses sofrendo, como quando se é adolescente. Mas o que nos faz sofrer?

Não sei o que acontece comigo, acho que devo ter muito bom gosto (ou as pessoas estão sem opção mesmo!!), mas desde o começo da minha vida amorosa é um tal das minhas amigas furarem meu olho sem nenhum pudor. Não é uma coisa isolada, já aconteceu mais de 3 vezes, fico pensando: sou muito inocente, muito desapegada ou trouxa mesmo?! Qual é o meu problema?

Minhas amigas brigavam comigo, no passado, dizendo que isso era muita sacanagem, e que eu tinha que me vingar ou nunca mais olhar na cara de quem fez isso comigo. Eu não vou dizer que já terminei amizades - no sentido literal, tipo "nunca mais quero te ver na minha vida" -, mas já coloquei o pé no freio depois que muitas dessas coisas aconteceram, não confiava mais na pessoa, e acabava que de uma forma ou de outra, a amizade acabava indo pro saco.

Hoje, porém, penso: até quando vale a pena pôr um fim numa amizade por causa de um carinha?! Pior, por causa de um carinha que não significa lá grandes coisas para você?!

Oras, todas nós temos aqueles bofes que já ficamos e criamos um sentimento de posse sobre o indivíduo. É aquela pessoa que, às vezes nem rolou sentimento, mas rolou uma atração fatal, uma coisa de pele fora do comum. Você não quer que ninguém buline com aquela pessoa. Muito menos suas amigas, dammit. Mas se o infeliz for sem-vergonha (como na maioria das vezes é, porque normalmente você vai ter coisa de pele e sentimento de posse com gente que não presta e que você não vai ter nada sério. Mas não interessa, você não quer que ninguém fique com ele!!) e você tiver uma amiga atraente, ela não vai escapar. Ele vai ser insistente e envolvente, ela vai ser fraca e curiosa e BAM! Quando pensa que não, lá vem ela: "amiga, preciso te contar uma coisa".

Aconteceu comigo. Aliás, está acontecendo - não foi uma coisa pontual, para matar curiosidade; é uma coisa que virou interesse das duas partes e agora eu tenho que decidir o tamanho da importância que vou dar para isso.

Vamos aos fatos:

1) Eu tinha certeza que ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Ela já havia demonstrado interesse e é linda e solteira. Ele é sem vergonha, envolvente e não perde tempo. Era apenas uma questão de oportunidade. Eu já sabia que ia rolar, mesmo eu tendo pedido para ela não ficar;

2) Ele parou de dar em cima de mim após ter ficado com ela. Sinal de que o babado é mais tenso do que eu imaginava.

3) Nossa amizade é relativamente nova.

4) Eu não tenho o menor interesse em ter algo sério com ele: ele é quase 7 anos mais novo que eu, moleque em todos os sentidos da palavra, fama de infiel, e a ex dele me adora.

5) Temos uma atração forte um pelo outro, mas só ficamos de fato há 3 anos, apesar das constantes trocas de flertes e provocações.

6) Eu já "perdi" grandes amigas por causa de caras que não valiam a pena.

7) Não sou mais adolescente.

8) Mas também não tenho sangue de barata.

9) Ele está passando por um momento muito difícil e ela está sendo a mais fofa das pessoas, ajudando-o, dando a maior força. Isso aumenta muito a chance de eles terem algo sério. Terei que lidar com essa possibilidade.

Bom, quando ela me contou, demonstrei que não tinha ficado lá muito feliz. Mas deixei claro que não estava com raiva e que não havia sentimento em relação a ele, apenas uma atração física. Ela disse que tinha sido uma coisa isolada, mas como não é minha primeira vez e não nasci ontem, é claro que não acreditei. Disseram que eu tinha que ter sido mais clara em relação ao fato de não ter gostado, mas o fato é que eu realmente não quero dar ibope para esse ciúmes que estou sentindo. É infundado, é ridículo. Se eu quisesse ficar com ele, eu tinha ficado antes. Desde que ficamos, há 3 anos, ele vivia dando em cima de mim e eu me fazendo de rogada. Uma semana antes de ficar com ela, lá estava ele dando em cima de mim. Se eu tivesse ficado, talvez ele nunca tivesse ficado com ela. Gostava do ego inflado com os elogios, com as investidas, mas de fato, de fato, não era uma coisa que eu super sonhava em repetir. É estranho como o ser humano pode ser escroto: eu não quero, mas também não quero que ninguém queira. Se eu tivesse alguma intenção de levá-lo a sério, eu diria a ela "back off, he's mine", mas fazer isso só por capricho? Para ficar com ele de novo e ver que, ok, a atração está lá, mas é só, não vai ter futuro?! Finalmente aprendi a usar a razão em muitas coisas na minha vida que antes eram absolutamente comandadas pela minha impulsividade. Não estou dizendo que está sendo MEGA agradável ou SUPER fácil vê-los juntos, que não morro de ciúmes por dentro e que não fico com vontade de sair correndo quando sei que eles estão no mesmo ambiente que eu. Mas é só porque eu não tenho como controlar o que sinto, mas graças a Deus tenho como controlar minhas reações externas e não deixar as pessoas perceberem o que tá rolando por dentro. Vai passar isso também. Já, já, eu me acostumo. Já, já, eu desencano. Já, já, arranjo outra preocupação. Mas por enquanto é isso: controlar os impulsos e optar pela sanidade. E principalmente pela relação que é mais importante para mim. I'll survive.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Desvendando o universo masculino: tudo o que você sempre quis perguntar e nunca teve coragem - parte III

Bom dia, leitores queridos! Vamos oa terceiro post da série que se originou da pesquisa que fiz com 15 homens de diferentes idades, profissões, personalidades e status de relacionamento.

1) A primeira pergunta era: "Você apresenta (em um evento específico de amigos, tipo reencontro, festa particular, aniversário do seu amigo etc) uma garota qualquer para seus amigos? E para sua família?" - Será que esse é um sinal de que as coisas estão ficando sérias, meninas?

Luckily, a maioria respondeu que não apresenta qualquer uma para amigos e família. Alguns apresentam para colegas que não sejam muito íntimos, mas amigos e família geralmente é coisa séria. Para o empresário DV, 27 anos, solteiro, não tem a menor chance de apresentar uma menina que não significa nada para ele: "Lógico que não. Pra entrar no meu círculo de convivência é preciso ser especial. Não é qualquer uma que ganha o direito de conhecer minha família e meus amigos. Se chegou a esse ponto, é especial". Para o professor de educação física, JR, 26 anos, solteiro, só há uma exceção: "Só se eu já pegar ela na balada com eles". O estudante de direito, AS, 22 anos, solteiro, lembra que educação nunca é demais: "Claro que não vou ser mal educado; se ela vir me cumprimentar e eu estiver com alguém, vou apresentar sim. Mas levar para um evento, não". Para o bancário BP, 27 anos, enrolado, não há problema em apresentar para os amigos, mas família é algo muito sério: "Amigos às vezes rola de apresentar uma qualquer, quando vou pra bar e etc. Família só namorada". O professor de educação física, GA, 32 anos, namorando, acha que fazer isso sem estar realmente interessado na garota é uma grande falta de consideração e desrespeito: "Se vejo potencial na pessoa pra algo a mais, apresento. Se não, não. Mas uma qualquer só pra dizer que tô com alguém não dá, respeito o sentimento dos outros. Acredito muito na lei do vai e volta". O coordenador pedagógico não apresenta porque tem um forte motivo: "Não apresento de jeito nenhum! Primeiro porque no meu grupo de amigos nego vai zoar demais, e só quem vale a pena pra mim, nesse caso, merece essa zoação. Porque se aguentar, é porque já vale a pena. Família muito menos! Tem que merecer!". O estudante de educação física GM, 23 anos, solteiro, tem um ponto de vista diferente: "Família tem que ser algo mais sólido. Amigos, se não for nada muito particular, eu apresento numa boa. Pra mim faz parte da "avaliação" da companhia".

2) A segunda questão é uma das que mais atormenta nossas mentes malucas femininas diariamente: o que separa uma ficante fixa de se tornar namorada? Porque às vezes achamos que o cara gosta de nós, mas não nos assume? Quais são os fatores considerados por eles na hora de promover a garota à oficial?

O consultor de vendas LL, 26 anos, solteiro, dá uma dica para perceber quando o cara não quer nada sério com você: "Enrolar seria tipo separar ela das coisas que ele gosta de fazer. Chamar ela pra fazer algo só quando não tem nada pra fazer. Esse tipo de coisa...". O coordenador pedagógico MC assina embaixo: "Uma coisa é fato: se não sair pros lugares, apresentar para galera depois de estar pegando há um tempo, vai ter futuro não". Para o bancário AL, 31 anos, enrolado, tudo é questão apenas de sentimento: "Sentimento. Às vezes a menina é bacana mas não te desperta, aí você fica ficando até que apareça uma que te desperte o sentimento. Ou você fica trocando até acertar... Acho que é o sentimento".

Eu, particularmente, acho isso uma sacanagem sem fim. Se você sabe que ela não te desperta aquele sentimento para namorar, porque continuar iludindo uma pessoa legal, que gosta de você, sabendo que vai acabar magoando-a? Será que não seria legal ter um pouco de consideração? Cozinhar alguém em banho maria até achar alguém melhor é muita crueldade. AL se defende: "Quem é que não gosta de alguém cuidando de você??? Então, vocês sempre cuidam da gente... talvez seja um motivo também pra gente manter". Dica para as mulheres: não cuidem de marmanjos que ainda não te levaram a sério. Quem sabe assim consigamos um pouco de sinceridade, né?

O música TJ, 32 anos, namorando, diz: "Quando faz parte da vida. Se falar todo dia, demonstrar ciúmes, se importar com tudo na vida da pessoa. Ai já rolou a promoção de ficante para girlfriend". O bancário BP, 27 anos tem apenas um motivo: "Quando não tenho vontade de ficar com outras, porque sinto necessidade de estar só com ela. Compatibilidade". O estudante AS tocou em um ponto interessante: "No meu caso, é questão de momento mesmo. Eu que não estou querendo namorar. Mas acho que é um conjunto de aspectos... Afinidade, cumplicidade, etc". Eu perguntei se existia esse tal de "momento" quando você realmente gosta de uma pessoa. "Sim, pode acontecer de eu gostar de alguém e começar a namorar, mas quando se sabe o que quer, fica mais difícil. Sou uma pessoa que se considera imaturo pra namorar, pelo menos por enquanto. Por isso meu racional muitas vezes acaba falando mais alto que o emocional". Achei justo evitar a fadiga se você sabe que mais para frente vai dar errado. O professor de educação física JR é contra enrolação: "Então, no meu caso eu não curto muito esse lance de peguete fixa, sei lá, acho que se estou com a mina a algum tempo prefiro namorar do que parecer que estou enrolando ela". O empresário DV acaba juntando todos esses motivos numa panela só: "Eu acredito que não exista fórmula mágica ou receita de bolo para uma relação dar certo ou não. Vai muito do momento que cada um está vivendo. Às vezes a gente encontra uma pessoa só que não se envolve muito pelo momento emocional que está passando. E para saber se o cara está enrolando é fácil: se ele evita saídas para lugares onde conhece muita gente, se não dá muita atenção para as conversas, se não falar muito dela pros outros, etc".

3) As desculpas mais comuns para não engatar um relacionamento sério serão listadas a seguir. Favor apontar as que podem ser reais e as que são com certeza e sempre falsas: “medo de relacionamento (medo de se envolver)”, “trauma por causa da última namorada”, “acabou de sair de um relacionamento longo”, “tem viagem de carnaval ou para o exterior programada”, “tenho medo de estragar nossa amizade”, “você é boa demais para mim”, “nos encontramos na hora errada”.

Nessa os meninos foram bastante diferentes. Embora eu ache que trauma e medo de relacionamento são pura conversa fiada, teve gente que respondeu que esses podem ser motivos reais, e não apenas desculpas esfarrapadas. O estudante CF, 26 anos, solteiro, fala sobre essa história de se encontrar no tempo errado: "Por mais falso que pareça, é verdadeiro. Tem umas pessoas que passam pela vida da gente quando não somos maduros o suficiente para entender". Para o bancário BP a única que cola é a viagem, porque pela viagem você adia o início de um relacionamento sério; o resto é tudo desculpa esfarrapada: "Não existe hora errada quando gosta, não existe medo de se envolver quando gosta, não existe trauma quando gosta, e etc". O músico TJ concorda plenamente: "Todas falsas. Quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa". Para o coordenador MC, não há verdades absolutas: "Todas podem ser falsas e todas podem ser verdadeiras. Depende muito das experiências que cada um passou".

Pois é. Pelo que parece, nesse caso, vamos continuar com a pulga atrás da orelha!

Bom, por hoje é só! Espero que tenham curtido o terceiro post da série! Semana que vem tem mais!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Duas pessoas, um pensamento

Em um episódio de Sex and the City, Carrie e suas amigas recebem um convite para uma festa de noivado que dizia "duas pessoas, um pensamento".
Ela logo solta "se eles são duas pessoas e só têm um pensamento, algo está errado". E não é que é?

Ultimamente tenho observado o comportamento de certos casais, especialmente casados (principalmente recém-casados) e a conclusão é devastadora: é possível que você se relacione com uma pessoa e de repente perca toda sua identidade? Pior, além de perder sua identidade, você assuma a identidade do outro?

Para mim, esse sempre foi o tipo de relacionamento mais assustador e fadado ao fracasso. Aquele relacionamento onde você se anula para viver a vida do outro, ter as convicções e princípios do outro e onde é pecado mortal ter diferentes opiniões em questão de futebol, política, religião ou gastronomia. O casal gosta das mesmas coisas, faz as mesmas coisas, torce pro mesmo time, vota no mesmo candidato, odeia os mesmos políticos, rejeita o mesmo tipo de comida. O primeiro sinal disso é o uso constante da palavra NÓS onde uma pessoa normal usaria EU.

- Qual é o SEU prato preferido?
- Nós gostamos de pizza.
- Em que candidato VOCÊ vai votar?
- Vamos votar no Lula.

COME ON!

E o mais irritante é quando a pessoa era totalmente aberta, moderna, até meio porra-louca e casa com um conservador radical - o que por si só consiste numa bizarrice, devo dizer. De repente, a pessoa que era amiga dos homossexuais, saía pra balada com as amigas sozinha, dançava até o chão e até mesmo cogitava a traição, começa a ser homofóbica, votar nos Republicanos e ser fã nº 1 do Papa Bento XVI.

Diz-se por aí - e acredito piamente - que o segredo para um relacionamento bom e duradouro é saber ceder. Saber abrir mão de certas coisas, em certos momentos e não querer impor a sua verdade sobre a do outro, sempre. Ainda assim, esses dias, um amigo meu que está prestes a casar teve que ouvir de um conhecido recém-casado a seguinte frase:

- Cara, vou te dar um conselho sobre casamento. O único jeito de funcionar, é se a mulher for 100% submissa ao homem.

WTF? Eu sei, eu sei, tá lá escrito na bíblia - no VELHO Testamento, by the way - e lá vem as carolas jogarem isso na minha cara católica. Acontece, que também está escrito que o homem deve respeitar e amar a sua mulher, e quando alguém te respeita e te ama, ela acolhe sua opinião, ela cede, ela não te quer submissa à ela. Ser submisso a alguém é completamente contraditório à ideia do amor entre duas pessoas iguais. Somos submissos aos nossos pais enquanto eles pagam nossas contas porque dependemos deles, e somos submissos a Deus porque... bom, porque Ele é o todo-poderoso; mas submissão a uma pessoa na mesma posição que a minha, não faz o menor sentido.

Não tenha medo de expressar sua opinião porque ela é diferente da do seu marido/namorado. Ele se apaixonou por você e não por um espelho dele. Acatar tudo o que ele diz, faz e gosta pode até parecer uma boa ideia no começo, ele vai achar que está tendo uma influência positiva sobre você, mas acredite, em pouco tempo isso vai te levar ao fracasso. Ninguém gosta de gente sem personalidade. Lá no fundo, ninguém gosta de gente submissa, nem mesmo os conservadores. Os questionadores são mais interessantes e se você disser amém para tudo o que seu marido/namorado faz, logo ele vai perder o interesse em você. Why bother? Você é igualzinha a ele, não há novidades nisso.

Vejam bem, não estou dizendo que você tem que discordar de tudo no seu relacionamento e transformar tudo em briga e fazer do seu lar um verdadeiro campo minado. Se vocês têm a mesma opinião em várias coisas, DE VERDADE, que ótimo! Facilita muito as coisas não ter que entrar em discussão por tudo! Só estou fazendo um apelo para que não percamos nossa identidade quando nos encontramos em um relacionamento. Antes de sermos casal, somos indivíduos, e devemos ser respeitados - e nos respeitar! - como tal.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Curtindo a calmaria

“Socks.
Men like socks.
This column socks.
You’re definitely getting fired.”

Assim se desenrola um episódio de Sex and the City onde a Carrie não consegue escrever a coluna porque está passando por um período de seca amorosa – e o trabalho dela depende disso. Se eu escrevesse esse blog por dinheiro, estaria me sentindo como ela, como se estivesse prestes a ser demitida. Hopefully, no fim do episódio ela acaba fazendo fotos para publicar um livro com suas melhores colunas.

É estranho quando você, que sempre foi acostumada com uma vida amorosa agitada – até demais! – se encontra em um longo período de seca. A seca não se refere apenas a sexo ou beijo na boca, mas principalmente a sentimentos.

É aquele não gostar de alguém. É aquele ouvir música romântica e não se abalar – nem sorrir e nem chorar. É aquele não ter com quem ir ao casamento dos seus amigos e nem em quem pensar no dia de São Valentim.

Lembro-me de outros períodos – porém, menores – em que isso aconteceu comigo e eu me sentia extremamente incomodada. Parecia que eu estava incompleta, que se eu não tivesse drama na minha vida, ela não estava valendo tanto a pena.
Hoje, mais madura (pelo menos em tese), aprendi a apreciar esse período de calmaria. Dei valor a pequenos prazeres e sentimentos que ficam longe de mim quando estou apaixonada. Não sentir ciúmes, poder ficar curtindo um “nadismo” no FDS, ficar mais tempo com meus amigos e família, poder paquerar à vontade, viajar para festas loucas, não ter sogra, essas coisas bobinhas.

Apesar da pressão que começa a cair sobre meus ombros – estar perto dos 30 na nossa sociedade é estar correndo contra o tempo para encontrar marido, ter filhos e estabilidade financeira -, eu ando mesmo é ignorando os 7 anos depois dos 20 e aproveitando muito esses momentos.

Às vezes bate aquela carência, não vou mentir. Mas é bom estar num momento tranquilo da vida, finalmente. Podendo fazer minhas próprias escolhas e escolhendo não me envolver com qualquer um pelo prazer de ter o coração acelerado. Acho que isso vai dar muito mais importância ao próximo amor que me aparecer. Eu vou estar pronta para viver algo concreto. Eu acho. O coração é muito imprevisível, tudo pode acontecer e a qualquer momento e com qualquer pessoa.

Agora sinto que já passei por tudo: a fase pegação, a fase “se apaixonando por todo mundo”, a fase “não quero ficar solteira de jeito nenhum” e agora vivo a fase “me sinto bem com o coração vazio”. Se a próxima fase vai ser repetida ou nova, eu não sei. Mas minha pressa é zero. E por isso sinto que vai ser boa demais. Enquanto isso, que continue essa linda calmaria...!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O poder do dinheiro

Esses dias entrei numa discussão super comum com minhas amigas; porém, o que me surpreendeu foi o desfecho.

Estávamos lá discutindo sobre "rachar ou não rachar a conta com o bofe". Eu sou do tipo meio chata-radical-feminista (às vezes até fazendo uso errado dessa última palavra). Não gosto que paguem nada para mim.

Sério? Você pode perguntar. Sério, eu respondo. Pode ser loucura da minha cabeça, mas sou meio independente desde pequena. Comecei a trabalhar cedo e há anos e anos não peço um centavo para meus pais (no máximo emprestado. E devo o banco, mas não devo meus pais, faço questão de pagar cada centavo). Quando um homem quer pagar algo para mim (embora isso esteja se tornando cada dia mais raro), eu me sinto à mercê dele, entende? É como se ele tivesse algum controle sobre mim, algum tipo de poder. Como se por estar pagando algo para mim, eu tivesse que necessariamente retribuir de alguma forma. Uma espécie de obrigação implícita. Se eu pagar minha parte, não sinto remorso nenhum de não bejar o cara no fim da noite ou não ter um second date com ele. Posso estar viajando, e muitos dizem que estou, mas eu prefiro me proteger. Eu me sinto MAL, de fato, quando um homem paga alguma coisa para mim.

Já minhas amigas (as que estavam na discussão comigo) adoram quando o homem se oferecem para pagar. Elas dizem que sempre fazem a dancinha da carteira: pegam a carteira como quem diz, "eu posso rachar, mas..." e esperam o bofe mandar um "não precisa, é por minha conta, eu faço questão".

Separemos as coisas: muitos homens tem mania de ficar dizendo por aí que mulher gosta mesmo é de dinheiro. Se esse é o único tipo de mulher que você anda atraindo, interesseira, talvez seja melhor rever suas conceitos, atitudes e as mulheres com as quais você anda se envolvendo. Quem fica por aí ostentando, atrai esse tipinho de gente mesmo. Porém, estamos aqui falando de pessoas normais, pessoas de bem. Afinal, gostar de dinheiro não tem absolutamente nada a ver com gênero: dinheiro é unanimidade, todo mundo gosta.

Então voltando ao tópico, minhas amigas disseram não ter problema nenhum quanto ao cara pagar o restaurante, o motel, o cinema, whatever, e que o que as deixa ainda mais à vontade é que eles, in fact, GOSTAM de pagar.

É o que?

Elas disseram que o homem se sente orgulhoso, poderoso, macho-alfa e no controle da situação, quando pagam. Eles têm prazer em "prover para a fêmea". Citaram vários homens (namorados, irmãos, amigos) que alegaram isso. Que os homens gostam do ritual: dancinha da carteira + pagar a conta.

Fiquei meio reflexiva e por que não dizer, um tanto surpresa, com a tal revelação. Afinal de contas, minhas reação não é tão absurda assim. Eu sempre detestei que homem pagasse para mim porque sentia uma sensação de poder vinda daquele gesto masculino, e agora que minhas amigas falaram isso, foi como a cereja no topo da minha tese. I was right. I AM right.

O dinheiro é sinal de poder na sociedade, nas relações, em tudo. Difícil fugir disso, mas enquanto eu tiver dinheiro para pagar minha própria cerveja, nadarei contra a maré. Se o cara tiver dinheiro para pagar a parte dele para mim tá maravilhoso! Me chamem de louca ou do que quiser, o fato é: eu gosto de dinheiro. Mas do meu, não do dos outros.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Amigo do ex - território proibido?

É aquele negócio, né: pimenta nos olhos dos outros é refresco. Quando nosso ex quer ficar com uma amiga nossa, a gente acha um absurdo. Mas vive lembrando daquele amigo gatinho do seu ex que, na época do namoro, você pensava: "poxa, se não tivesse namorando, eu super pegaria você".

É claro que existem níveis e níveis de "amizade". Eu jamais ficaria com o melhor amigo do meu ex. Há de se ter limites para respeitar. Mas e se não for assim um grande amigo, mas um colega do colégio, do futebol, um cara que é da galera, mas nada demais? E seu ex já está namorando outra, todo feliz e sorridente?! VALE?!

Olha, eu tô dizendo isso porque é possível que 95% das pessoas já tenham passado por isso. Todo mundo tem um ex que tem um ou outro amigo gatinho que você pegaria, mas que fica pisando em ovos por medo de dar merda.

Você encontra com ele nas festas, rola aquele contato físico maior do que necessário - que você provavelmente não teria e não permitira se ainda tivesse namorando. Aquela mãozinha dele na sua cintura - e vice-versa - aquele abraço mais apertado, aquele sorriso mais prolongado... E você pensa: será? Estou viajando sozinha?

Você acha que ele ficou boa parte da noite te olhando - e corresponde aos olhares -, mas se censura o tempo todo, pensando: "não, nada a ver, ele é amigo do meu ex, jamais iria me dar bola". Daí sua amiga vira e diz: ele tá super te olhando!
VocÊ até tenta mentir para si mesma e diz: "não, acho que ele tá olhando é para você". Ai ela: "Naooo, eu sei quando um homem tá olhando para mim! Era para você mesmo!"

Você então começa a quase se convencer de que ele está te dando um mole. Nada grosseiro, bem sutil. No maior estilo: "não sou legal, tô te dando mole". Mas ele NUNCA chega em você. Aí que você começa a duvidar mesmo de que essa atração seja recíproca.

Vamos desenvolver as teorias:

1) Você está viajando. Ele não está te olhando e nem está te dando mole. Fica na sua.
2) Ele se sente atraído, mas jamais ficaria com você porque você é ex do brother dele.
3) Ele te quer, mas tem medo de chegar em você porque acha que vai levar um toco porque você é ex do brother dele.
4) Ele é homem-pamonha. Não chega em ninguém, fica mandando os sinais, mas não chega, emputecendo as mulheres.
5) Ele tem um tique nervoso nos olhos e tende a olhar sempre na sua direção quando te encontra, mas é sem querer.
6) Ele é gay e só está te olhando porque adorou seu modelito.

Enquanto a gente fica por aí se esbarrando com amigos gatinhos de nossos ex-namorados e mantendo essa guerra-fria, nunca saberemos o verdadeiro motivo dessa guerra não esquentar mais. Alguém tem um palpite?

quarta-feira, 20 de março de 2013

Uma vida de escolhas

Acredito que ao menos 99% dos seres humanos odeiam ter que fazer escolhas. O problema é que fazer escolhas é mais rotineiro do que fazer xixi. Estamos o tempo todo tendo que fazer pequenas escolhas diárias e muitas vezes grandes escolhas que podem mudar nossa vida. Afinal, por que fazer escolhas é tão difícil e detestável?

Oras, já diria nosso saudoso Chorão, "cada escolha é uma renúncia" e é bem aí que o sapato aperta. Nós simplesmente morremos de medo de fazer a escolha errada. Tomar decisões normalmente nos tira da zona de conforto, e o lado covarde do ser humano é altamente ativado diante de certas situações. Algumas delas: experimentar um novo prato no seu restaurante preferido (para que diabos você pega o cardápio e fica olhando 20min se sabe que sempre escolhe a mesma coisa?!), mudar de emprego (você odeia seu chefe, seus colegas, seu trabalho, mas morre de medo do desemprego eterno ou de não arranjar coisa melhor), cortar o cabelo (está há anos com o mesmo corte, mas vai que você tenta algo novo e fica ruim?), terminar um relacionamento (você não está mais feliz, tem certeza que essa pessoa não é a tampa da sua panela, vê mais defeitos do que qualidades na pessoa, mas tem medo de ficar sozinha, ou de terminar e se arrepender ou de não arranjar ninguém melhor).

Sendo muito sincera, odeio fazer escolhas. Quero morrer quando alguém diz: "escolhe aí!". Mas eu faço! Não vim nesse mundo a passeio e não estou aqui para ser infeliz. Se algo não está me fazendo feliz, EU VOU CAIR FORA! Já saí de uns três empregos porque comecei a me sentir super estressada e não conseguia mais produzir. Medo do desemprego? Claro! Mas o medo só atrapalha quem não tem coragem para lutar pelo o que quer e acredita! Já mudei o cabelo várias vezes! Vira e mexe enjoo da minha própria cara e penso: time to shake things up! Daí lá vou eu cortar, pintar, repicar, franja... Medo de não ficar bom? Claro que tenho! Uma vez a mulher cortou minha franja há um palmo das minhas sobrancelhas. É um risco que se corre! Mas me recuso a viver a vida toda com a mesma aparência - se mudar seu cabelo é mudança demais para você, está na hora de rever seus conceitos, essa é a mudança MÍNIMA na vida de uma pessoa!

Terminar relacionamento é um SACO! Eu normalmente me encho de culpa, seja lá qual for o motivo, e quando decido terminar com alguém acabo chorando mais do que o próprio sujeito levando o pé na bunda. Mas desculpe, me recuso a ser infeliz. Me recuso a me acomodar com qualquer sentimento morno que o universo queira me oferecer. Me recuso a me acovardar por trás de milhões de desculpas esfarrapadas. Mesmo que não tenha certeza se terminar é a melhor solução, eu faço. Sabe por quê? Porque se eu não estou feliz nesse relacionamento, é porque algo precisa ser mudado. Se eu já tentei mudar as coisas dentro do relacionamento e não deu certo, parto para outra. E se um relacionamento é feito de duas pessoas e só uma está tentando salvar, é porque já acabou há muito tempo! Se você termina um relacionamento, você passa a vê-lo de uma perspectiva diferente e acaba descobrindo o que tanto estava errado e você não conseguia enxergar. E se resolver tentar voltar com a pessoa e ela não te quiser mais, é porque ela não gosta mais de você. E daí, what's the point? Se ela não te quer mais, MOVE ON!

Tudo isso é para dizer que esses pequenos riscos são a graça da vida! Ficar em cima do muro a vida toda é uma verdadeira tortura psicológica! E se você quer se fazer feliz, arrisque! Experimente uma sabor de pizza diferente, um novo refrigerante, um novo estilo musical, corte e pinte o cabelo, assista um novo seriado, mude de emprego, dê uma virada em sua vida amorosa, recomece! Nem sempre estabilidade é sinal de felicidade. Muitas vezes estabilidade é sinal de comodismo. E sinceramente, comodismo para mim é pura preguiça de se fazer feliz! SAIA DA SUA ZONA DE CONFORTO!

What do you say to taking chances?!