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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Estamos andando de ré?

 Quando comecei a escrever esse blog, eu tinha 20 e poucos anos. A razão pela qual começamos a escrever (para quem não sabe, esse blog era um blog de 5 amigas que depois virou só meu) foi a quantidade de histórias estranhas que vivíamos com os homens. Já nos assustava em 2009 e resolvemos brincar com tudo aquilo com bom humor e muito sarcasmo e crítica. Dito isso, eu confesso que aos 38 anos eu não imaginava que as coisas iam piorar. Nos últimos anos, o sentimento é de total desespero entre todas as mulheres hetero solteiras que eu conheço. A verdade é que parece que a humanidade está andando de ré. Evoluímos ou os homens pararam no tempo? Ou melhor, estão regredindo, porque para ser sincera, está dando até saudade das coisas que passávamos aos 20 anos. Ali nós poderíamos entender a falta de maturidade, de experiência, a vontade de viver tudo ao mesmo tempo, o processo de aprendizado... Mas o que justifica homens 30+ agindo da seguinte forma:

Eis que minha amiga *Helena (sempre usando um pseudônimo para proteger a identidade de nossas heroínas) foi passar o fim de ano na cidade de São Paulo com sua família. Helena tem 38 anos, um filho de 12 e já é divorciada. Ou seja, essa mulher já viveu poucas e boas. Mas um rapaz paulista conseguiu fazê-la viver um fato inédito: ser chamada de "desumilde" por ter se negado a ter um date dentro de um carro.

Explicando: ela ligou o Tinder por lá, conheceu um povo, conversa vai e conversa vem com um cara e o tal a convidou pra sair. Todo empolgado, super animado para conhecê-la. Ela pediu que ele sugerisse o local, porque não era de lá e não sabia de bons lugares. Eis que a seguinte conversa acontece (vai ter print porque aqui a gente mata a cobra e mostra o pau):




O sujeito teve a pachorra de sugerir que eles tivessem o primeiro date deles dentro do carro. Eu não sei o que se passou na cabeça dele, sinceramente. Ou esse homem não tem dinheiro para pagar um cachorro-quente na rua, ou esse homem ficou com medo de ela não ser o que parecia nas fotos, ou esse homem tava com medo de ela ser um assassino, ou esse homem não tem a menor noção da violência das cidades grandes, sei lá. Eu juro que a gente fica tentando entender e não encontra nenhuma explicação plausível!

Ela, então, ainda muito paciente, sugeriu que eles fossem a um café. Ele pareceu ter achado tranquilo.




Ela então foi se arrumar, tomou banho e o avisou quando estava pronta. Ele demorou 40 minutos para responder. E respondeu assim:



O cara cobrou humildade da pessoa dizendo que era médico três vezes em menos de cinco minutos, começamos por aí. Mas vem cá... esses cara tão tudo maluco?! Alguém me responde, porque é difícil de acreditar nas coisas que a gente anda vivendo por aí. Tudo parece pegadinha do Silvio Santos! É tão inacreditável que você fica se perguntando se aquilo realmente aconteceu. Se não tivesse print, ia parecer coisa inventada. Parece até que ela sugeriu ir a um restaurante com estrela Michelin. O cara simples coringou e ainda veio querer dar lição de moral com historinha triste. Agora dá para imaginar porque faz um ano que ele não sai com ninguém, né? Deve estar faltando mulher que tenha coragem para ter um date dentro de carro. 

Eu não encontro nem as palavras para terminar esse post.
Tá muito triste, gente.
Melhorem. Mas assim, melhorem MUITO. E urgentemente.
Procurem ajuda, vocês não tão bem, não!

E assim começa nossa temporada de caça de 2025... Deus abençoe o rolê!







terça-feira, 1 de outubro de 2024

Eles começaram a entregar menos que o mínimo

 Era uma vez uma mulher levemente neurótica, pagodeira, alegre, marrenta e que está solteira há 84 anos por dificuldade de encontrar um parceiro compatível.

Vez ou outra ela começa a se questionar se realmente sua lista de exigências não está longa demais ou se está beirando a intolerância ou se já se fechou por não acreditar mais... enfim, esses pensamentos que ocorrem quando seus planos não estão muito dentro do que você esperava.

Eis que um belo sábado, foi convidada por uma amiga recém-solteira a ir a um show de pagode de um de seus cantores favoritos, o herói romântico, nosso Pericão.

O show foi maravilhoso, a cia perfeita, a cerveja descendo gelada. Acabou. Elas não queriam ir embora. O DJ largou-lhe o funk de qualidade mais duvidosa possível e elas se jogaram na pista, como se não houvesse amanhã e nem ninguém.

Os funcionários já faziam a limpeza do local, o evento já estava realmente no fim, quando se aproximou um grupo de amigos em uma despedida de solteiro. Acontece que um deles conhecia a amiga e começaram a papear.

Ao avistar um dos amigos com uma camisa do Atlético, teve que ir zoar, como boa Cruzeirense que é. O assunto se engatou de uma maneira inexplicável. Não sei quanto tempo a conversa durou, mas parecia ter durado umas 3h ininterruptas sobre futebol (em nível mineiro e nacional), uma troca sobre estados, sobre festa, sobre família, os assuntos apenas iam surgindo palavra após palavra sem nenhum tipo de esforço ou pausa constrangedora. Parecia que se conheciam há anos! Aquele tipo de conexão que só se encontra once in a blue moon.

Pulando meros detalhes desimportantes, o casal terminou a noite numa intensa troca de carícias e dormiram de conchinha no apartamento dele. 

- Que loucura! - os dois diziam um para o outro. - Como isso aconteceu?

Ele constantemente afirmava sua admiração por ela, reforçando sua beleza - ambas, interna e externa -, sua força, seu caráter. Pensou em nome de filhos, questionou qual seria o time das crianças. Dizia que aquilo não seria só ali, que eles teriam muito mais pela frente. Ela achava fofo e perigoso ao mesmo tempo. Já era macaca velha, não tinha sido a primeira vez que um homem a exaltava e depois a empurrava do pedestal. Ficou por ali entre o medo de se entregar a esssa loucura e um desejo de deixar de ser tão desconfiada, de baixar a guarda.

Os dois viajaram à trabalho durante a semana. Ela, viciada em redes sociais, achou que o contato estava sendo muito esporádico, mas ao aparecer, ele aparecia bem.

Perguntou se ela voltaria no sábado e reebeu resposta afirmativa. Queria vê-la de qualquer jeito. 

- Vou cozinhar para você! Quero te conhecer melhor. Faço um risoto, tomamos um vinho. Aquele dia estávamos cheios da cachaça, mas dessa vez quero realmente te conhecer.

Embora soubesse que chegaria cansada de viagem, ela sentia vontade de revê-lo. Estava há 4 anos sem sentir nada por ninguém e aquilo tinha realmente sido diferente. Queria ter a coragem de baixar a guarda.

O vôo de volta atrasou e tiveram que fazer uma parada técnica em outra cidade. Ela avisou que chegaria 1h30 mais tarde do que o previsto. Ele disse que queria vê-la mesmo assim, que não tinha problema, que se ela chegasse 3h30 da manhã, ele ainda assim a estaria esperando.

Se sentiu lisonjeada e ficou mais ansiosa para vê-lo. Fazia tempo que alguém não parecia estar fazendo tanta questão de estar com ela.

Chegou em casa, largou as malas e correu para o banho. Se perfumou, retocou a maquiagem, colocou uma roupa bonita e foi encontrá-lo.

Eram 23h quando ela estacionou e pediu ao porteiro que interfonasse.

Ele demorou a atender. O porteiro comentou que ele estava com voz de sono.

Pensou: "o coitado deve ter dormido enquanto me esperava". Se compadeceu. Subiu.

Ao abrir a porta, ficou sem entender.

Sentiu um cheiro que só sentira quando frequentava festas open bar na faculdade: aquela mistura de odores de diferentes tipos de álcool.

Ele estava completamente embriagado. Exalando álcool. Mal se aguentando em pé. Os olhos tentavam fitá-la, chegou a elogiá-la - sua roupa, seu cheiro, seu abraço -, mas a verdade é que as piscadas estavam mais longas do que deveriam estar.

Ela sugeriu que ele tomasse um banho e esquecessem o risoto com vinho. Pedissem uma pizza.

Pensando bem agora... foi legal até demais!

Ele foi pro banho e voltou, deitando na cama, ao lado dela que o esperava - cansada e com fome.

Proferiu frases soltas como:

"Gatíssima... você já sabe né: eu, você, dois filhos e um cachorro" - disse ele, aparentemente reforçando o interesse.

"É... até que você faz o perfil da galera" - disse ele, como se a analisasse, vendo se ela cabia na vida dele e se daria bem com seus amigos.

"Dorme aqui comigo, por favor?" - disse envolvendo-a nos braços, implorando pela oportunidade de finalmente cair nos braços de Morfeu, mas sem conseguir ser "totalmente transparente", como havia dito fazer parte de sua personalidade.

Dormir? Se dormisse com ele, viraria pedra. Era difícil acreditar que ele tinha a feito se sentir tão especial e tão merda ao mesmo tempo, em um espaço de tempo tão minúsculo. Foi de 8 a 80 em 18 segundos.

Quando falamos que o mínimo não está sendo entregue, nem estamos falando de banho, sobriedade e manter-se acordado. Isso aí nem deveria entrar na matemática.

Pois bem. Aí estamos diante de alguém que não entregou o menos que o mínimo, que seria receber alguém em casa acordado, minimamente sóbrio e de banho tomado.

Primeiro se sentiu mal. 

- Caramba. Será que eu era tão NADA assim para ele, para que ele achasse que eu não merecia nem o mínimo esforço? 

Depois se corrigiu. Aquilo não tinha nada a ver com ela. Estava mais que ciente do esforço que costumava colocar numa relação e, por consequência, do esforço que merecia que lhe oferecessem.

 Oras... ela não poderia de forma alguma se rebaixar ao nível de aceitar que um homem, em um segundo date, tivesse a grande falta de respeito de esperá-la daquela maneira. Já tinha aceitado migalhas antes e prometera a si mesmo nunca mais se submeter aquilo novamente.

Então levantou-se e retirou-se. Deixando-o jogado nu na própria cama, sem muita dignidade, possivelmente se perguntando se aquilo tinha sido verdade ou algum delírio etílico.

Enquanto dirigia para casa, sua cabeça borbulhava de coisas que pensava, sentia, ensaiava dizer.

Ela tinha certeza que uma mensagem chegaria no outro dia. E chegou.

- My bad. Etilismo.

As desculpas sinceras que ele foi capaz de oferecer. E a partir dali, seria impossível reagir, questionar, lutar, falar qualquer coisa que não fosse... "É, né".

Autossabotagem? Falta de caráter? Machismo? Falta de responsabilidade afetiva? Falta de respeito por outras pessoas? Egoísmo? Tudo junto?

Não ficaria ali para descobrir. Nem era seu papel. Cada uma deve ser responsável por suas próprias atitudes e ali não era seu lugar.

E voltou a não se questionar novamente. Porque toda vez que baixava a guarda, vinha mais um para provar que ela estava certa. O tempo todo. 

"Eu sou bem melhor sozinha, sabe..."



sábado, 2 de outubro de 2021

Não pegue o boomerang. Não vale à pena.

Quando o universo te livra de gente maluca, você escute, viu? Porque se voltar que nem boomerang você devolve. Não pegue o maldito do boomerang! Eu peguei. 

Já tinha dado match com esse cara no Tinder uma vez. As fotos dele eram super bonitas e a descrição do perfil irreverente, fora do lugar comum, o que costuma me agradar. A nossa conversa foi meio estranha, não marcamos de sair e segui a vida.

O vi algumas vezes no app de novo, mas passava reto. Um dia, depois de tantas vezes ignorar, dei like. Peguei o boomerang, gente. E deu match.

Começamos a conversar, inclusive constatando que já tínhamos dado match antes, mas que não lembrávamos direito porque não tínhamos saído. Ele me chamou para sair no mesmo dia. Na verdade, a ideia dele era já vir aqui para casa ou que eu fosse para casa dele (detalhe que ele mora com a mãe). Eu disse que não topava, que ele era um desconhecido total e que não achava uma boa ideia trazer de cara para dentro da minha casa. Ele argumentou dizendo a seguinte frase icônica:

- Mas eu tenho 13 gatos e gosto de Pokemon. Que mal eu poderia te fazer?

Eu fiz aquela cara que quem me conhece bem já pode estar imaginando aí e perguntei:

- Só porque você ama os animais e gosta de coisa de criança eu tenho que confiar em você? Se tem pai que estupra filha, uai!

Enfim, marcamos uma pizza. Chegando no local, ele não parava de falar de si mesmo. O quanto ele era legal, evoluído, as experiências que ele teve, a quantidade de minas que ele já pegou, como ele sempre vira amigo das mulheres que fica, as decepções que teve, a ex... A ex apareceu na conversa do app e depois pessoalmente. O cara era tão self-centered que até quando perguntou sobre mim, foi para rebater com coisas sobre ele. O cara era tão carente que depois de uma hora conversando, perguntando o que eu tinha achado dele (não façam isso, homens, é BROCHANTE!). O cara era tão sem filtro que achou apropriado me contar que já teve primeiros encontros no tinder onde ele acabou na cama com a mulher pedindo para ela penetrá-lo no forevis.

Como se a conversa toda não tivesse sido um mar de red flags, o cara pediu a conta DO NADA, sem nem me perguntar se podia, se eu queria comer mais ou algo parecido. O que me pareceu o tempo todo é que minha opiniões, desejos e vivências eram nada relevantes para aquele encontro. 

Dei um abraço nele e segui em direção ao meu carro para ir embora. Ele morava na quadra da pizzaria, então foi indo para casa à pé. Enquanto eu colocava o cinto e ajeitava uma musiquinha para ouvir durante o caminho, ele voltou e me questionou porque eu não tinha ficado com ele. Ofereci uma carona, ele entrou no carro e fomos conversando amenidades até lá. Chegando na casa dele, eu parei o carro e disse que não tínhamos nada a ver e que, ainda por cima, ele estava obviamente ainda envolvido com a ex. Ele tentou se esquivar, dizer que não era bem assim, que estava meio triste ainda, porém superado (aham). Eu disse que não tínhamos nada em comum e que não iria rolar nada entre nós. 

Nesse momento, ele resolveu colocar a cereja em cima do bolo e revelar que o motivo maior de frustração era porque sua intenção era fazer uma perfect week.

Para quem não pegou a referência, cata aqui: no seriado How I met your mother, tem uma personagem chamado Barney Stinson (interpretado por Neil Patrick Harris). O personagem é um mulherengo, gordofóbico, etarista, boçal. Em um dos episódios, ele se empenha para completar um perfect month: 30 mulheres diferentes em 30 dias do mês.

Agora me fala... se a referência de homem para alguém é o Barney Stinson, ele tem no mínimo um caráter duvidoso. Se ele ainda tem coragem de falar abertamente na cara da pessoa, ele não tem noção e nem respeito. 

E a partir de agora, eu prometo solenemente não pegar mais o boomerang. No good can come from this.


sábado, 6 de março de 2021

La friendzone






Todos já ouviram falar, muitos já frequentaram. A famosa "friendzone" nada mais é que você acabar no território de amigo e aquela pessoa que você está a fim não conseguir te olhar de outra forma. Pode ser que você tenha ficado a fim de quem você já era amigo ou pode ser que você tenha se tornado amigo demais da pessoa que você quer ficar. Acredito que os homens passem muito mais por isso do que as mulheres.

COMO ESSE FENÔMENO ACONTECE?

Primeiramente, por você ser a melhor pessoa do mundo com ela. Se preocupar, trazer mimos, ajudar a resolver os problemas, ser todo respeitoso, estar sempre disponível etc. 

MAS ISSO É RUIM?!

Pode ser, quando você deixa nesse campo e esquece da sexualidade. Você precisa deixar suas intenções claras. Não adianta você achar que a pessoa vai te querer apenas por você ser um cara super bacana. Tem que ter toque, pele, aquela brincadeirinha de duplo sentido, aquele elogio mais safadinho, aquele abraço com mais pegada, um cheiro no cangote. E o convite para sair não pode demorar muito. Se você ficar construindo território por muito tempo, a cada dia você vai entrando mais e mais na friendzone e a maioria dos casos é irreversível. 

COMO SABER SE ESTOU NA FRIENDZONE?

Se a pessoa começar a falar com você sobre outras paqueras... pode saber que já era. Ela não sacou que você queria algo mais (porque você com certeza não foi claro) ou ela não te olha dessa forma, e aí não tem jeito. Não tem como forçar a barra. Às vezes até ela te via como uma opção no começo, mas como você nunca demonstrou interesse nesse sentido, nunca a chamou para um date, ela achou que estava viajando. 

TEM COMO SAIR DA FRIENDZONE?

É difícil, mas não custa tentar, né? Se você perceber que ela tá te vendo só como amigo, você precisa imediatamente abrir o jogo. É a única solução. Não é garantia de que vá dar certo, mas quem tá no inferno, abraça o capeta. Tem a chance de, quando você falar, a sementinha ser plantada ali na cabeça. Se ela não te olhava daquela forma, de repente comece a considerar. Talvez demore um tempo. Se ela te der um fora, se afaste. Não continue sendo o fofo dos fofos (mas também não é para ser idiota, claro), porque dessa forma ela nunca vai te olhar mesmo como algo mais. Se você não acha que está pronto para se declarar, mude de postura. Seja menos fofinho e mais "pra frente". Já vai dando as indiretas, o lance é não deixar dúvidas de que você a deseja de outra forma

E se não der certo... parte para outro, my friend (desculpe o trocadilho infame!). E aplica as lições aprendidas na próxima vez. O que não tem remédio, remediado está.

E aí, pessoal? Já frequentaram a zona? Ou ao final desse post percebeu que tem alguém na sua vida que você pode estar colocando numa friendzone? Comenta aí e compartilha esse post com quem você achar que precisa ler essas coisas! 😅

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Falha na comunicação

Já escrevi aqui reclamando sobre a pouca habilidade dos caras de se comunicar nos aplicativos de paquera. É muito comum dar match com eles e ninguém puxar assunto (ou não responder quando você puxa). É comum também conversas monossilábicas, onde o cara só responde o que você pergunta. E também aquelas conversas que não duram 24h. 

Pois bem, não sei se foi a quarentena que deixou todo mundo meio zureta, mas agora os caras, em vez de fazer o mudo, tão falando horrores. E já de cara. Não dão nem oi, já chegam com o pé nos peito da gente. Mas é aquele negócio né... margem de erro para mais ou para menos, eles continuam com aquela dificuldade imensa de falar alguma coisa que faça sentido. 

Olha só esses macholinos que encontrei por esses tempos:





Bom, primeiramente esse rapaz enviou a mesma mensagem EXATAMENTE igual, o que me leva a crer que ele deu um Ctrl C + Ctrl V bonito e deve mandar a mesma coisa para várias mulheres.





Esse aqui tentou ser romântico, mas só passou                                                         por peão mesmo.






Esse é o meu preferido! O cara sem empolgou e deixou minha autoestima em dia hahahaha 

Um gênio!







Eu demorei uns 35 minutos para ler o currículo do Catho que ele me mandou, mas fiquei bastante impressionado mesmo foi com as marcações em caixa alta. Dedicado o rapaz. Deixa essa palavra mesmo.







Se descreveu como "peculiar". Você iria?





 É o que, moço?! Não entendi nada! hahahaha






Sério... QUÊ?!



O clássico "quando uma imagem vale por mil palavras", né?! Divirtam-se. Porque pelo menos para dar risada esses apps ainda estão funcionando! 


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Sobre assédio sexual

Não é não. E pronto.

Homem, mulher ou qualquer outro gênero. Qualquer um têm direito de se recusar a ficar com alguém e deve ter seu desejo respeitado.

Eu demorei para falar do comportamento tóxico da Karol Konká aqui no blog porque eu era fã dessa mulher. As músicas dela falavam diretamente comigo, eu ouvia e me sentia empoderada. Então é um choque cair do cavalo dessa maneira. É difícil acreditar que uma mulher que gravou uma música chamada "100% feminista" esteja prestando um desserviço tão grande à causa. 

Pois bem, depois de ontem, não tem para onde correr. 

Desde o começo do jogo, Karol se mostrou interessada em Arcrebiano. Os dois fizeram prova de resistência juntos, mas ninguém tinha visto clima de romance nenhum entre os dois. Do nada, ela começou a dizer pela casa que havia um interesse da parte dele e que ela poderia estar correspondendo o tal interesse.

Ontem, Karol encurralou o rapaz. Durante o dia, se deitou de conchinha com ele e o encheu de perguntas e insinuações que o deixaram desconfortável. À noite, durante a festa, estava decidida a beijá-lo. E por mais que ele tenha negado várias vezes, ela continuou agarrando-o. Vimos cenas dela pendurada no pescoço dele, ele se esquivando e ela forçando a barra, dizendo "só um selinho, então, vai". Foram cenas de horror para os dois lados. Karol se humilhando por uma migalha (sem contar com o fato de ter jogado sua possível concorrente para os braços de outro), Arcrebiano super sem jeito, sem querer ser grosseiro, mas com nenhuma vontade de ficar com ela, aparentemente. Um não quer, o outro insiste veementemente = configura assédio.

Alguns disseram por aí "ah, mas ele acabou ficando, então é porque no fundo ele queria". Toda pessoa que já sofreu assédio e não conseguiu escapar já ouviu isso. 

Arcrebiano foi um gentleman. Não destratou Karol em nenhum momento, não foi violento e nem agressivo. Mas seu semblante mostrava claramente seu desconforto, seu constrangimento, sua vontade de se livrar daquela situação. Ele foi assediado em público, em rede nacional, por uma mulher que fala por aí em suas músicas contra o assédio. O fato de ele ter acabado ficando com ela, não apaga o fato de que ele sofreu assédio. Quantes de nós já cedemos por pressão, por medo, para se livrar da pessoa, por vergonha? 

Karol Konká, aliás, vem sendo abusiva de várias formas dentro da casa, com várias pessoas diferentes. Arcrebiano é só mais uma vítima de seu comportamento tóxico e seu jogo sujo.

A cantora chegou a afirmar em uma conversa que Juliette é o tipo de mulher que fingiria um assédio para prejudicar um homem e que ela sufocava os meninos da casa com seu jeito. Como se isso não fosse quase um pecado capital saído da boca de uma suposta feminista.. é também interessante essa colocação. Diria que minimamente irônica, não?

Aguardo as consequências das ações abusivas de Karol Konká. O tombo vai ser feio, como ela mesma já disse em sua consagrada canção.






segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O esquerdomacho

Por conta do BBB do ano passado, onde pautas como o feminismo e o racismo foram assuntos em evidência entre os participantes e definiram toda a dinâmica do jogo, o BBB21 começou com uma pegada bem diferente. Esse debate já entrou com força desde o primeiro dia do programa e iniciou-se um perigoso jogo de cancelamento dentro da própria casa e um clima de bastante intolerância.

Dentro dessa temática, surge uma figura que eu ainda não tinha catalogado aqui no blog: o esquerdomacho. Representada principalmente na figura do Fiuk dentro da casa, o esquerdomacho é aquele homem que paga de desconstruidão, de apoiador de causas como feminismo e racismo, mas no fundo não passa de um macho escroto do mesmo naipe do hetero top que tanto criticamos. É um executor ferrenho de práticas como maninterrupting e mansplaining. É aquele que pede desculpa por ser homem e nos faz revirar os olhos num movimento de 360º.

Para começar, o Fiuk estragou expressões como "desconstrução", "reconhecer seus privilégios" e "lugar de fala". Está usando de forma leviana, querendo "converter" pessoas como se ele fosse o suprassumo entendedor das causas. 

Eu não estou aqui para cancelar ninguém. Eu acredito muito na aprendizagem, na evolução das pessoas - até porque, se não acreditasse, esse blog nem existiria, porque eu o vejo como uma ponte para aprender, não só uma chuva de críticas. Porém, o que falta para quem está aprendendo esse tipo de coisa, é ouvir mais e falar menos. Aprender é colocar em prática, muito mais do que arrotar lições de moral em qualquer pessoa que aparecer na sua frente. Na maioria dos casos, o cabra presta um serviço de muito mais qualidade se mantendo de boca fechada.

O Fiuk, por exemplo, nos primeiros dias de jogo, pareceu ser super sensato, aberto, acolhedor. Seu jeito carinhoso conquistou a paraibana Juliette, que logo começou a imaginar coisas românticas a seu respeito (chegando até a deixar o público impaciente com tamanha empolgação). Fiuk estava lidando  com o assunto de forma leve, mas agora, percebendo seu poder sobre a moça, usa de um tom arrogante e superior para falar com ela e dela (mas sempre com a fala bem mansa, repare), chegando a humilhá-la e fazendo-a sentir burra e não-autêntica. Esse é um dos comportamentos-chave de um esquerdomacho. Clica aí embaixo para conferir o ataque:


Fiuk praticou maninterrupting pesado com Carla Diaz (e tem feito isso com frequência) e já é conhecido na casa como um participante que não deixa ninguém falar. Depois de ter ido atrás dela para, supostamente, saber se estava bem e queria conversar, ficou debochando dela com outros participantes da casa. Também já vimos cenas onde ele "explica" para Carla seu lugar de privilégio num tom bastante presunçoso, fazendo-a sentir culpada por ter nascido branca e por ser uma artista bem-sucedida. Isso passa bem longe do objetivo de ensinar alguém a reconhecer seus privilégios. Reconhecer seus privilégios é um passo para que você use sua voz, que é ouvida, para ajudar quem não é ouvido (entre outras coisas, claro). Não deve ser uma ferramenta para fazer alguém que não tem culpa de ter nascido privilegiado se sentir mal por sua condição natural. Clica aí embaixo para conferir a palestrinha:


Li no Twitter (não vi essa cena) que as meninas estavam falando sobre tamanho de seios e o Fiuk chegou dizendo que corpo natural é lindo, que ele se amarra em seios pequenos e coisa e tal. Já falei aqui brevemente também sobre a mania que os homens tem de palpitar sobre nossos corpos. Com certeza ele achou que estava arrasando com esse comentário, já que a sociedade idolatra mulheres com seios grandes. Porém, mais uma vez, ele chega dando palpite em coisas que desconhece. Não experimenta da dor da pressão dos padrões estéticos sobre a mulher, dá opinião que não foi solicitada e palestra sobre assuntos que nunca lhe dirão respeito. Clássico esquerdomacho.

Fiuk é tão sem noção que soltou frases como "eu tive uma vida muito difícil", "ser pobre é uma delícia" e "não sabia que eu ia passar fome aqui", numa sala onde havia pessoas que cresceram na periferia, sem 1% das oportunidades que ele teve e possivelmente tendo algum que realmente tenha passado fome. Isso prova o quanto o discurso dele é incoerente com suas ações. Se tem uma coisa que ele não sabe ainda é reconhecer seus privilégios, embora não se acanhe em puxar cada participante da casa num canto e vomitar seu discurso decorado de livro. 

Portanto minha amiga, quando você conhecer um cara que paga de desconstruidão por aí, tome cuidado. Já fique de olho nesses sinais de alerta, porque se ele for um esquerdomacho, aparecem rapidinho. 

Para terminar, deixo esse vídeo sensacional da Ademara (uma influencer comediante de Pernambuco maravilhosa!) com uma ilustração do esquerdomacho clássico:



segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

O homem-gambá

Essa quarentena mexeu com nossas cabeças de um jeito que nem Freud explicaria. Em nome da carência, algumas pessoas aceitaram coisas que até Deus duvida. E é nesse espírito que venho contar a história da nossa heroína do dia. 

Eliane um dia foi visitar uma sobrinha e conheceu uma amiga dessa sobrinha, que disse ter um irmão para apresentar para ela. Gustavo, o tal irmão, adicionou Eliane no Instagram e assim começaram a se conhecer.

Tudo foi estranho desde o começo. Gustavo insistia para que Eliane o recebesse em sua casa e chegava a ser inconveniente com a insistência. Porém, como a carentena bateu forte, Eliane acabou cedendo um dia desses e o rapaz foi parar em seu apartamento. 

Era a primeira vez que se veriam, mas pelo jeito ele não se preocupou nem em tomar um banho. Chegou com aquele fedor de quem passou o dia todo na rua e isso já deixou Eliane bastante desanimada.

Ainda assim, a carentena não deixou de falar mais alto e quando menos esperava, ela estava na cama com um cara que gritava OHHHH a cada enfiada e que urrava feito um gorila na selva quando gozava; ela nunca se esforçou tanto na vida para não rir. 

Alguns dias depois, a carentena bateu novamente e Eliane deixou Gustavo fazer uma segunda visitinha. Dessa vez, ele se superou e trouxe, junto com o já conhecido cheirinho azedo de sovaco vencido, um chulé insuportável. O futum empesteou o apartamento, ela teve que arreganhar todas as janelas numa tentativa desesperada de se livrar do odor do bofe. A paciência estava no talo. Ele sentou-se no sofá e jogou as pernas por cima dela, prendendo sua circulação. Foi o fim. Dessa vez não teve carência que desse conta, Eliane teve que se livrar do homem-gambá.

Depois de alguns dias sem dar muita moral para ele, ela recebe uma mensagem dizendo:

- Você está estranha. Você deve ter algum problema. Você ainda pensa muito no seu ex, né?

- É, você tem razão. Penso MUITO no meu ex.

O mais bonito desse tipo de homem é que ele nunca acha que o problema é ele. É o que a gente sempre diz: a autoestima do homem hetero precisa ser estudada.

E pasmem, quando ela achou que havia passado por tudo o que tinha que passar com esse homem, ele comenta um de seus stories dizendo:

- Quero você com esse bocão aí!

Às vezes é melhor ficar na carência, galera. Vai por mim. Nada é tão ruim que não possa piorar. 

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*Todos os nomes desse post estão com nomes fictícios, como sempre fazemos nesse blog.

domingo, 20 de dezembro de 2020

Tratamento especial?

Esse ano passei por uma situação delicada que quanto mais eu analiso, menos eu entendo onde foi que as coisas se perderam.

A gente fala em não criar expectativas, mas a verdade é que tudo é bullshit. O ser humano é um criador nato de expectativas e com uma boa dose de encorajamento, a coisa tende a desandar de forma desgovernada. O resultado é quase sempre um coração partido e uma quantidade infinita de "por quês".

É claro que eu não entrei imaginando que ia dar tudo certo. Afinal de contas, quando você resolve se envolver com uma pessoa que terminou um namoro de mais de uma década há pouco tempo, você já sabe que a chance de se dar mal é grande.

Mas essa probabilidade significa nada quando você e a outra pessoa parecem estar conectados de uma forma inexplicavelmente boa. Quando tudo parece estar em sintonia, quando você finalmente encontrou aquele cara que atende todos os requisitos da sua check list dos sonhos, o resto se torna invisível.

O cara te trata como rainha. Te apresenta para os pais. Te busca no aeroporto quando você chega de viagem. Te manda mensagem todo dia. Vai atrás das suas amigas para saber se você está bem quando você demora a avisar que chegou em casa. Lembra que você sonhou com um chocolate e compra o tal chocolate para te dar de presente. Olha para você com carinho, e diz o quanto ele está feliz, de forma constante. Te lembra toda hora o quanto você é maravilhosa e o quanto traz luz para vida dele. Faz planos com você. Te coloca no grupo de whatsapp dos amigos dele. Dorme na sua casa todo FDS. Quem não vai criar expectativas? Quem vai lembrar que tem ex fresca na cabeça dele?

Os sinais começam a aparecer de leve, mas ele continua bom em te deixar tranquila e não ter medo de baixar a guarda. Você baixa.

E logo, logo toma um pé na bunda por mensagem. Como se isso fosse válido em qualquer situação. E com as palavras mais frias que nem parecem estar vindo daquela pessoa que te fazia se sentir tão bem e amada.

O problema é que tem uma categoria "nova" de caras babacas por aí: eles acham que tem que tratar toda mulher como se fosse a mais especial do mundo. Que isso é ser um cara decente, um bom moço. I'll tell you what... PAREM! 

Não confundam respeito, sinceridade, transparência com brincar com os sentimentos das pessoas. Vocês não precisam tratar toda mulher como a mais especial do mundo. Para ser considerado decente, só é necessário ser respeitoso e honesto. O resto já é alimentar um amor que você não pretende colher e isso é TÃO cruel! 

Cada vez que olho para trás, me pergunto se o que vivi foi verdadeiro de alguma forma e como pode ter sido tão insignificante para outra pessoa quando foi tão importante para mim. E não adianta ele dizer que "não é bem assim"; quando alguém não tem coragem de olhar nos seus olhos e explicar porque não pode mais estar com você, já é um atestado de que você não teve tanta importância assim. E dói. Para cacete. Quando as palavras não têm coerência com as atitudes, elas são irrelevantes.

Então, eu peço, rapazes... Tratem bem as pessoas com as quais vocês se relacionam. Isso significa ter respeito e ser honesto. Se não está preparado, se não tem intenção de se abrir, não alimente. Não transforme aquilo numa relação se realmente não quiser uma. Seja educado, mas não aja como se estivesse super envolvido se não estiver. O que te faz ser babaca não é querer ou não alguém, mas a forma como você lida com esse não querer, com seus sentimentos e os da outra pessoa. Tenham responsabilidade afetiva. Se recuperar da impressão de ter passado um tempão vivendo uma mentira é muito doloroso.

Honestidade sempre vale a pena. Seja honesto com você e com os outros.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Alerta: o novo "chat da Uol"

Olá, meus amores!

Hoje vim contar uma história engraçadinha, mas para falar de um assunto sério.

Às sextas-feiras, temos um grupo de amigos que joga online. Normalmente nosso primeiro jogo é GARTIC (é uma espécie de Imagem e Ação online). Você pode entrar em salas que são abertas ao público, e geralmente é isso o que fazemos. Com isso, muitas vezes entramos em salas que tem crianças e adolescentes. Foi o que aconteceu semana passada.

Estávamos lá jogando tranquilamente, até rindo das conversas infantis das meninas que estavam na sala, quando aparece um desenho de "cafuné" para um dos meninos do grupo desenhar. Após ele desenhar, uma das meninas o marcou no chat e disse que a amiga gostava de cafuné e pediu o Whatsapp dele

Achamos super engraçado, rimos muito, até zoamos, mas depois conversando mais sobre o assunto, percebemos o quanto isso poderia ser perigoso. Imagina se um pedófilo entra numa sala dessas e acaba atraindo uma dessas meninas? Elas tiveram sorte de encontrar um homem sem más intenções no caminho, mas dependendo da pessoa, essa história poderia ter tido um fim diferente, talvez até trágico.

Algumas alunas minhas (meninas de 12, 13 anos, como as meninas do jogo) já relataram terem sido abordadas por homens no Instagram, então isso não seria nenhuma novidade. O fascínio por homens mais velhos, o mistério por trás do desconhecido, a maturidade fake que parece vir junto com a adolescência: tudo isso pode ser a receita perfeita para um pedófilo em ação. Esse ano, inclusive, houve várias denúncias de pedofilia praticada por professores nas escolas. Eles se aproveitam de todos esses aspectos citados acima, e acabam envolvendo e seduzindo jovens desavisadas com brincadeirinhas, elogios e carinhos inapropriados.

Eu não sou a favor de invasão da privacidade de adolescentes, mas acredito que seja um momento importante para que os pais fiquem de olho em qualquer comportamento atípico e sempre tenham essa conversa importante com seus filhos e - principalmente - filhas. Se antes nos diziam "não dê conversa para estranhos", agora a coisa ficou ainda mais delicada, pois a interação virtual está cada vez mais comum e conhecer estranhos o tempo todo virou parte da rotina dos adolescentes.

Se nós adultas, ao usarmos aplicativos de namoro, já temos receio de nos encontrar com alguém novo (muitas mandam a localização para uma amiga, como medida de segurança), imagina o cuidado que temos que ter com essas meninas inocentes? Pedófilos que se escondem por trás de telas de celular existem aos montes, portanto, todo cuidado é pouco.

Papais e mamães, liguem as antenas! A solução não é prender as crianças e adolescentes em uma bolha, mas mantê-los sempre bem informados sobre os perigos da Internet. Um diálogo familiar aberto também gera a confiança necessária para que eles se abram com vocês caso algo estranho aconteça no ambiente virtual (e fora dele também, claro!). Sejam os melhores amigos dos seus filhos e vocês conseguirão protegê-los com muito mais eficácia.




quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Você me chamou de quê?!

Toda terça e quinta eu e a Pri, minha personal, fazemos nosso treino em uma quadra de esportes pública aqui em Brasília. Hoje quando eu cheguei, tinha uns meninos adolescentes jogando bola e andando de skate. Tava meio confuso o que eles realmente estavam fazendo ali. Eram uns cinco ou seis. Eu fiquei esperando a Pri embaixo do bloco e quando ela chegou, eles já nem estavam mais jogando bola, estavam mais zanzando, conversando e tinha um fazendo umas manobras de skate.

Como eles não estavam jogando, a Pri pegou nosso cantinho de sempre e começou a montar as coisas do treino. Ela disse que ia falar com eles, mas que assim que ela colocou a sacola no chão, eles começaram a chutar a bola em direção ao local que ela estava, só para intimidá-la. Ela resolveu então não falar nada e só montar as coisas, porque afinal de contas, viu que eles não mereciam esse respeito.

Eu estava fazendo um exercício no chão quando comecei a ouvir a conversa deles:

- A mina é mó vagabunda, cara! Só porque ela não gostou do meu desenho no jogo, me denunciou! A mina nem me conhece, ela é uma arrombada

Eu juro que depois de ouvir isso, eu desconcentrei no exercício. Fiquei com vontade de levantar e ir lá falar umas boas verdades para eles (tô meio arrependida de não ter ido, na verdade!), mas decidi escrever esse post. Principalmente depois que a Pri complementou a conversa deles contando uma história que tinha acontecido na academia pouco tempo antes de me encontrar.

Ela me contou que a TV estava ligada em um programa de esportes, especificamente falando de futebol e havia uma mulher apresentando e comentando. Três professores se reuniram na frente da TV enquanto chamavam a mulher de vagabunda, dizendo que ela não tinha nada que estar apresentando aquele programa. Ela disse que um fez o comentário e os outros deram risada, embora não tivessem, de fato, falado alguma coisa.

E aí ouvindo duas histórias tão parecidas em sequência, eu venho aqui perguntar aos homens: POR QUE TODOS OS XINGAMENTOS QUE VOCÊS DIRECIONAM A UMA MULHER TEM CUNHO SEXUAL? 

Vagabunda
Piranha
Arrombada
Vadia
Puta
Rodada

É impressionante que mesmo quando a história não tem nada a ver com sexo, a gente acaba sendo encaixada nessa categoria de xingamentos ridículos. A verdade é que vocês nos objetificam em qualquer situação e poderiam nos xingar de qualquer outra coisa, mas sempre escolhem ofender com um xingamento sexual.

O menino que não gostou da atitude da menina poderia tê-la descrito como idiota, imbecil, babaca e tantos outros nomes, mas escolheu apelar para palavras de cunho sexual que não tinham nada a ver com o contexto.

Os caras da academia poderiam criticar a apresentadora (não vou nem focar no machismo que sempre rola com as mulheres no esporte, especialmente no futebol) de tantas outras formas! Poderiam dizer que ela é incompetente, que não gostaram dos comentários dela, que não concordam... mas sempre acabam escolhendo esse tipo de palavra. E sabe qual é a cereja no topo? Os outros que não falaram nada. Riram e foram coniventes com o machismo, mesmo que não concordassem. E se você não concorda com uma atitude de um brother seu, mas ri ou fica quieto quando ele faz, você é conivente e está tão errado quanto ele.

Não pude deixar de lembrar mais uma vez das ofensas horríveis sofridas pela presidenta Dilma, que sempre que fazia algo considerado errado ou incompetente era chamada desses mesmos nomes supracitados. Se um presidente homem faz as mesmas coisas (ou até piores, como podemos ver nesse neandertal que vocês elegeram para presidente do Brasil!), jamais vai ser atacado pelas vias sexuais. Embora a gasolina esteja o dobro do valor da época da Dilma, você não vai ver adesivos por aí com gasolina saindo do cu do Bolsonaro. E já sabe o por quê.

Uma vez eu expulsei um aluno (de 12 anos) de sala porque ele xingou uma colega da piranha, numa "brincadeira". É é assim que a gente combate esse tipo de comportamento machista, desde jovem cortando pela raiz essas escolhas vocabulares tão normalizadas e disseminadas.

A Pri contou que uma aluna ouviu o comentário dos professores da academia e na hora se levantou e foi defender a moça da TV. E assim a gente também mostra que não vamos aceitar mais essas ofensas escrotas e sem noção de braços cruzados e que a cada dia mais incorporamos o sentido da sororidade às nossas vidas.

Chegou a hora (aliás, passou da hora!) de vocês começarem a filtrar esse tipo de vocabulário da vida de vocês. Essas escolhas não são aleatórias; são reflexo de uma sociedade que nos coloca unicamente no papel de objetos sexuais e o único jeito de nos criticar é "ofendendo nossa honra". As mulheres são seres humanos que vivem fazendo cagada também, mas seja mais coerente na hora de criticar ou até mesmo de xingar. Pare de ser um macho tóxico que precisa falar da nossa "vida sexual" para nos ofender. 

Grow up.












segunda-feira, 22 de junho de 2020

VOCÊ tem direito sobre o MEU corpo?

Quando falamos por aí do desrespeito com o corpo da mulher, muitas pessoas têm a sua "opinião" sobre o que pode ser classificado como desrespeito ou não. Os homens tendem a relativizar essa coisa toda, pois cresceram em uma sociedade que os ensina que eles têm direito sobre nossos corpos. Não raramente passamos por situações constrangedoras como passarem a mão na nossa bunda, puxarem nosso cabelo, pedirem para nos conhecer já nos agarrando pela cintura, etc. Tudo isso parece besta, mas é uma tremenda violação da nossa individualidade.

E isso é só a ponta do iceberg, pois um cara que faz isso, que normalizou esse comportamento (que ele não aceitaria se fosse alguém fazendo com ele - principalmente se fosse outro homem), é capaz de fazer coisas muito piores.

Esse FDS escutei duas histórias que me fizeram refletir muito sobre como precisamos acabar com essa cultura escrota que nos expõe a tantas situações inaceitáveis.

A primeira história é de uma amiga que contou que conheceu um cara na balada. Eles ficaram e ela foi dormir na casa dele. No meio do ato sexual, ele aproveitou que ela estava de costas e tirou a camisinha, e ela só percebeu depois de um tempão.

A princípio, eu achei muito surreal, mas depois, pensando na linha toda da cultura, que acaba incentivando esse tipo de comportamento masculino, fiz um pequeno experimento. Perguntei num grupo com mais 4 amigas (sim, só 4) se já tinha acontecido isso com alguma delas. Dessa forma, eu teria uma noção se isso é uma prática recorrente entre os homens.

Prontamente uma delas disse que sim e relatou a seguinte história:

Ela estava ficando sério com um cara e a primeira vez que eles transaram, foi na loucura, dentro do carro, bêbados, e acabou rolando sem camisinha. Na segunda vez, ele veio querendo fazer sem de novo. Ela disse que não, que aquilo não aconteceria novamente, que foi um vacilo e que ela não queria mais assim. Ele insistiu, querendo fazer sem camisinha, mas ela não cedeu. Porém, no meio do sexo, ele aproveitou que ela estava de costas e tirou a camisinha sem informá-la.

Ao perceber, ela ficou muito chateada, confrontou-o e ele disse que "tirou porque estava incomodando". Ela pediu que ele a levasse para casa imediatamente. E sabe o pior disso tudo? Ela disse que se sentiu "suja, desprezada, um lixo" e morreu de chorar.

Gente, isso é errado de tantas formas diferentes! Como vocês homens não conseguem perceber a gravidade dessas atitudes?!

A primeira coisa que me choca é a falta de autocuidado. Não entendo como pessoas que têm a vida sexualmente ativa, principalmente sendo solteiros, não se preocupam com sua saúde sexual. Como vocês têm tanta certeza de que as pessoas que vocês ficam não tem doenças? Doença não tem cara, não, galera. Qualquer um pode contrair. Não dá para olhar para cara da pessoa e confiar que ela está limpa. Usar preservativo é cuidar de si mesmo, primeiramente. É claro que - não vamos ser hipócritas - às vezes a gente acaba deixando rolar sem camisinha, no calor do momento, mas isso deveria ser uma exceção, e não uma prática comum. É perigoso para todo mundo.

Segundo, o que aconteceu nessas histórias configura ABUSO SEXUAL. O consentimento foi COM camisinha. Se você ultrapassou essa linha, você violou a outra pessoa. SIM, isso também é uma forma de estupro. Estupro é sexo sem consentimento. Se ela não consentiu sem camisinha e você não respeitou, você estuprou. Parece que vocês têm dificuldade de compreender os limites! O seu direito acaba quando começa o do próximo. Se você não quer se proteger é problema seu, mas não tem direito de expor a outra pessoa a sua negligência.

As duas histórias tem antagonistas bem diferentes: um é um desconhecido de uma transa casual. O outro era alguém conhecido, fixo, no qual a minha amiga achou que poderia confiar. Isso mostra bem que não importa a relação que eles têm com a outra pessoa, eles se acham no direito de tomar decisões sobre os nossos corpos.

E por último, você desrespeita a pessoa como ser humano. O sexo é um ato conjunto, então tudo o que acontecer deve ser consentindo por todas as partes. Tirar a camisinha sem informar a outra pessoa é o cúmulo do menosprezo pelo outro. Você não se sentiria violado caso sua parceira fizesse algo sem o seu consentimento? Por que é tão complicado se colocar no lugar do outro? É só a sua vontade que conta?

E aí, além da exposição física ao perigo de uma doença sexualmente transmissível ou uma gravidez indesejada, surgem as consequências psicológicas. A primeira pessoa a me contar a história, relatou um sentimento de paranoia e extrema preocupação, que durou dias. A segunda relatou um sentimento de autodesprezo e desespero.

Mais uma vez, o egoísmo masculino nos traz consequências de atitudes que nem são nossas. Olha que absurdo: nós é que temos que lidar com as consequências das atitudes de vocês!

Essa postura é tão infantil, sabe? Vocês acham que a gente também não preferia transar sem camisinha? CLARO! Mas é uma questão de maturidade. De compreender que antes de qualquer coisa, vem a nossa saúde. Se você não concorda com isso, arranje alguém que pense como você, pois nós não temos a obrigação de lidar com suas decisões erradas. Você não pode obrigar uma outra pessoa a engolir as suas escolhas individuais contra a vontade dela. A única pessoa que tem lidar com as consequências das nossas atitudes somos nós mesmos.

GROW UP!

Já chega, machaiada! Vamos botar a mão na consciência!



sexta-feira, 15 de maio de 2020

Carentena

Olá, queridos leitores! O último post foi antes de começar a nossa tão detestada quarentena! Que vergonha dessa escritora relapsa!

Em minha defesa, o volume de trabalho tem sido maior que nunca, e bom, sem sair de casa, teoricamente, não está acontecendo muita coisa para contar né?

Só que junto com a quarentena chegou também a inevitável CARENTENA, minha gente. E eles estão de volta com as piores desculpas esfarrapadas e falta de tato para paquera. Eles. Eles mesmos. Os homens solteiros sem-noção.

Vou mostrar dois para vocês hoje. Mostrar, sim. A gente gosta é de print, né?

Sério, acho que vou lançar um curso online para ensinar esses moços a conversar porque tá difícil demais. Eu não sei se rio ou choro.

Vamos aos casos!

CASO 1: Esse rapaz super simpático (?) que conheci na igreja e literalmente só falo "oi" e "tchau", um dia desses resolveu me abordar no Whatsapp (que pegou no grupo) e puxar um assunto nada a ver. Eu achei estranho, mas respondi normalmente. Pouco depois, ele admitiu que só tinha mandado aquela mensagem para ter uma desculpa. E aí, my friends, vocês vão ver a "conversa" mais doida dos últimos tempos.


Eu achei que fui muito educada e paciente para o nível de sandice que esse rapaz apresentou. De vez em quando chega um "linda" nos meus stories, mas a gente continua sem responder, porque né... não tem propósito de tentar conversar com uma pessoa que parece um chimpanzé tentando se comunicar com seres humanos.

E aí ontem apareceu um outro mocinho, que eu nunca vi na vida, puxando assunto no Instagram. O meu Instagram é fechado, então ponderei bastante se eu ia responder. Olhei nos amigos em comum e ele tinha uma das minhas melhores amigas. Já mandei logo um print perguntando quem era e ela disse que era um cara que ela já tinha ficado duas vezes. Confesso que já fui meio armada porque se ele já tinha ficado com ela, eu provavelmente não ia dar bola pra ele. Mas aí... aí ele veio com umas ideias muito tortas:


Olha... eu admito que sou chata. Às vezes eu pego no pé mesmo. Mas vai, ele CLARAMENTE sugeriu furar a quarentena. Eu não estou ficando doida. E aí quando não colou, quis tirar o dele da reta. Se você vai propor uma idiotice, pelo menos tenha coragem de admitir o que está propondo, né? Porque as coisas que ele falou não explicam nada do que ele disse sobre "compartilhar a quarentena". E aí ele foi só aumentando o nível de babaquice mesmo.

Então é isso. A CARENTENA está batendo à porta de todos. Mas nem todo mundo sabe aproveitar bem as oportunidades, né?

Você tem uma história boa de CARENTENA? Se quiser vê-la publicada aqui, só deixar um comentário que a gente se comunica!

Até a próxima, pessoal! E FIQUEM EM CASA!



domingo, 8 de março de 2020

Sororidade para quê?

Puta. Vadia. Piranha. Vagabunda.

Toda vez que nos chamamos assim, uma fada morre.

A palavra sororidade significa união entre as mulheres. Rede de apoio, de suporte, de irmandade.

Desde o início dos tempos, um ambiente de competição foi incitado entre nós e crescemos nos enxergando não como irmãs, não como iguais - apesar de diferentes! -, mas como rivais. E como isso nos prejudica e faz mal!

Olhamos constantemente umas para as outras como se estivéssemos em uma eterna disputa de quem é a mais bonita, a mais gostosa, a mais competente, a melhor. E isso nos aproximou do machismo mais do que imaginamos. Quando olhamos para uma outra mulher com ares de superioridade, estamos reproduzindo um comportamento inventado por eles para deslegitimar nosso direito de escolha e nosso poder de decidir como viver, como usar nosso corpo, como viver nossa sexualidade, como agir em tudo.

Foram os homens que cagaram regra sobre como devemos nos comportar. Foram eles que inventaram essa história de que eles tem direito de agir de uma determinada forma, mas que se fizermos o mesmo, não seremos dignas de respeito. E acreditamos. Por isso vivemos julgando e inferiorizando mulheres que têm comportamentos que não concordamos ou que, mais ainda, a sociedade patriarcal nos ensinou estar errado.

A única presidente mulher que esse país teve, quando criticada, era chamada de vadia e vagabunda. Quando o preço da gasolina subiu, confeccionaram adesivos onde gasolina saíam de sua vagina. É o homem sexualizando e diminuindo a mulher à uma suposta função sexual. Se sentiram no direito de usar seu corpo feminino para criticar seu governo. Enquanto isso... A gasolina hoje está o dobro do preço daquela época, mas você não vê o atual presidente, homem hétero cis, com gasolina saindo de seu ânus em adesivos. Será que você não enxerga machismo nisso?

Qualquer mulher sexualmente mais ativa ou mais explícita virou piranha. Quando um homem pega todo mundo, ele é garanhão, o gostoso. Se for mulher, é vagabunda.

Chamamos mulheres com as quais não convivemos de vadia porque ela postou uma foto sensual. Não conhecemos sua história, suas lutas, suas dores, mas nos sentimos no direito de julgá-la porque ela usou seu corpo como ela mesma decidiu. E que coisa, o corpo é dela, por que nos acharmos dignas de dizer como ela deve se comportar ou não? Por que achar que é melhor que outra mulher só porque você é mais discreta em sua sexualidade? Você acha que isso veio de você, verdadeiramente? Ou consegue reconhecer que te convenceram disso?

Quando um marido trai sua mulher, sempre quem leva a surra e é chamada de vagabunda é a amante. Alguém já parou para pensar que quem tem o compromisso com você é ele? Que quem violou votos ou compromisso foi ele? Que o mau caráter maior da história é ele? Não que ela esteja certa, mas o fato é que o fardo maior sempre recai sobre a mulher. E ainda tem gente que diz que traição está no DNA do homem, para justificar suas escapadas. "É assim mesmo!", dizem. E dessa forma, seus comportamentos boçais vem sendo justificados desde sempre.

Isso veio de lá. É interessante para eles que continuemos a nos ver como competição, porque se percebermos o que podemos fazer quando nos unirmos, a vida mole deles ACABA. Sabe por que os homens tem tudo o que querem? Porque são unidos. Porque tem colaborativismo. E se tem algo que podemos aprender com eles, é isso.

SO-RO-RI-DA-DE. É um bicho tão novo, que quando escrevemos ainda fica sublinhado de vermelho. O dicionário não conhece. Muitas mulheres também não. Não sabem o poder de olhar para alguém que passa pelos mesmos apuros que você com olhos de compreensão, compaixão e respeito à diversidade.

Essa é a lição desse 08/03//2020. Aprender a olhar para outra mulher e reconhecer nela as mesmas lutas que você está lutando. Os mesmos medos, inseguranças, privação de direitos, falta de oportunidade, injustiça, violência, violação. Aquela mulher não é sua inimiga. Ela sofre as mesmas coisas que você por ser mulher. Vamos nos unir de verdade ao invés de dar as mãos só para quem se comporta como nós?

FELIZ DIA DAS MULHERES! E QUE HAJA SORORIDADE!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Ser mulher e querer sair para se divertir é...

Dia desses eu e minhas amigas do trabalho marcamos um happy hour super light, super família. Fomos a um karaokê num rolê bem alternativo, onde uma das meninas até levou os dois filhos.

Ao chegarmos, já fitei um cara bem estranho no balcão bebendo. Ele me incomodou já de cara porque nos secou dos pés à cabeça quando entramos. Meu olho treinado para pervert creeps já logo pegou o tarado no meu radar.

Tudo bem, sentamos, começamos a comer, conversar, dançar. E ele lá, bebendo sem parar no balcão, um tiozão na casa dos 60 e poucos anos, claramente sozinho e começando a ultrapassar a linha do aceitável da bebida.

Estávamos no maior papo, quando de repente ele levanta e acha apropriado ir fazer uma "dancinha seduzente" (uma tonelada de sarcasmo aqui) na nossa mesa. Todas o olharam com reprovação e ele continuava achando que tava abafando.

Educadamente, eu pedi que se retirasse da nossa mesa, pois não estávamos achando legal. Ele foi para o meu lado e disse: "agora que eu quero ouvir essa conversa mesmo!" e continuou lá rindo, se achando super engraçado e sedutor, até que eu repeti:

- Moço, você pode, por favor, se retirar? Nossa conversa é particular e você está sendo muito inapropriado.

Ele saiu com cara de cão abandonado e eu não conseguia parar de observar como ele olhava para as mulheres. QUALQUER MULHER que aparecia na frente dele, ele olhava com aquela cara de que vai te atacar a qualquer momento e eu comecei a temer pela integridade de todas ali.

Havia um grupo de 3 meninas conhecidas na mesa de trás. Após ser rejeitado na nossa mesa, percebi que ele foi à mesa delas fazer o mesmo número. Até desconcentrei da conversa com minha amiga, porque a presença dele estava obviamente incomodando a todas, mas as meninas não tiveram coragem de expulsá-lo e ficaram só olhando com cara de ódio, na esperança de ele se tocar e sair. Novamente senti a necessidade de interferir. Me levantei e disse:

- Moço, de verdade, você está sendo MUITO inconveniente!!

As meninas em coro, concordaram comigo:

- Está mesmo!

Eu continuei:

- Dá para você sair daqui e parar de incomodar, por favor?

Ele saiu, relutante, e eu já não conseguia mais relaxar naquele ambiente. Peguei um papel e escrevi para a gerente que o homem estava assediando todas as mulheres do local. Ela me respondeu que uma vez ele foi até expulso desse mesmo bar porque ficava assediando as mulheres e fazendo gestos obscenos para elas. Me disse que eu podia ficar tranquila que ele já estava pagando a conta e indo embora. Como e por qual razão eles permitiram sua volta lá, é que não ficou claro para mim.

Não estamos seguras em lugar algum. A nossa realidade é que um homem aleatório se sente à vontade para se comportar como um bicho solto na selva, nos tratar como um pedaço de carne e não respeitar quando alguém rejeita suas investidas indesejadas.

Eu estou sem palavras para terminar esse post, porque estou exausta de ter que combater esse tipo de animal que é tão comum por aí. A gente não devia passar por isso diariamente. A gente não deveria ter que sofrer assédio quando estamos tentando nos divertir. Não deveríamos ter que dizer o óbvio para um homem que sabe muito bem o que está fazendo.

Estamos cansadas. Se não sabe se comportar como ser humano, então fique preso numa jaula. Não somos obrigadas a perdermos a paz por conta de um neandertal que não tem o mínimo de auto-controle.

PELO AMOR DE DEUS, fique em casa!






domingo, 16 de fevereiro de 2020

Será que você já foi estuprada e não sabe?

- Saí com um cara de uma festa e fomos para o apartamento dele. Eu nem queria transar, só ia dar uns pegas e ir pra casa depois. Quando chegamos lá, por algum motivo, a porta não abria. Ele baixou minha saia ali mesmo no corredor e eu disse que não ia rolar, que eu não queria. Ele sugeriu que fôssemos para o carro dele. Eu disse que queria ir pra casa e ele disse que me deixava. Entramos no carro dele, e ele colocou o protetor de sol. Pulou em cima de mim, eu disse que não ia rolar, ele respondeu que ia sim. Eu fiquei pondo a mão para ele não enfiar, mas ele enfiou.

- Você foi estuprada, você sabe, né?

- An??

Pois é, gente. E foi assim que a minha amiga descobriu que tinha sido estuprada e eu vi a necessidade de falar um pouco sobre estupro, porque a nossa visão sobre ele é bem limitada.

Para muitos, estupro é só quando um maluco te arrasta para o mato e te força a transar. Mas o estupro tem muitas outras vertentes. É preciso manter na cabeça bem claro que qualquer tipo de sexo sem consentimento é estupro, sim. Não importa se você está ficando com a pessoa, namorando, casada, se já está sem roupa, se estava se pegando. Se na hora H você não quiser e a outra pessoa forçar, você está sendo estuprada.

Eu sei que é difícil aceitar isso, eu já passei por essa revelação.

Uma vez eu ficava com um cara e saímos de uma festa bêbados. Eu mal conseguia ficar em pé, estava absolutamente inconsciente, mas me lembro direitinho de falar para ele que queria ir para casa e esse pedido ser totalmente ignorado. Ele me levou para casa dele e eu só lembro de flashes dele transando comigo e eu sem conseguir reagir, até porque ele era um cara bem forte e grande.

Demorou anos para que eu entendesse que naquele dia eu fui estuprada pelo meu ficante. Ele tirou vantagem da minha condição e me violou.
Foram necessárias muitas leituras, ouvir muitos depoimentos, e finalmente, o que me derrubou, foi o clipe da Lady Gaga "Till it happens to you", que mostra várias cenas de estupro - uma delas onde o cara se aproveita de uma menina que estava inconsciente. Eu chorei quando assisti porque eu me vi ali e tomei consciência de como o estupro realmente funcionava.

A verdade é que muitas de nós fomos estupradas sem saber.
Tudo isso porque não consideramos estupro quando gostamos da pessoa ou temos tesão por ela. A gente mesmo se culpabiliza pelo excesso de álcool, provocações sexuais ou coisas parecidas. É necessário compreendermos que estupro é muito maior do que imaginamos e fomos ensinadas, e começarmos a ficar mais atentas aos sinais. SEXO SEM CONSENTIMENTO É ESTUPRO E PONTO FINAL.

Espero também que os homens comecem a pensar mais nisso. Quantas vezes você já estuprou alguém? É, é isso mesmo. Pesado? Sim. E tem que ser. Você não é muito diferente do cara que arrasta uma mulher desconhecida e estupra, não.
Quantas vezes você já forçou a barra? Pôs a mão na menina mesmo quando ela relutava, achando que ela fazia "cu doce"?
Quantas vezes você já insistiu para transar com sua namorada/esposa/peguete mesmo quando ela dizia não querer?

O nosso corpo é propriedade nossa. Eu não devo nada a você. Se eu quiser desistir na hora, eu posso. Eu não tenho obrigação nenhuma de abrir meu corpo para você quando você bem entender. O consentimento é mandatório, eu sou dona do meu corpo. Não é porque eu tenho uma relação com você ou porque te dei uns pegas que eu sou obrigada a ir até o fim. Essa decisão é apenas minha. Está mais que na hora de todos os homens entenderem isso de uma vez por todas.

E a gente fica aqui desse lado, denunciando essa cultura monstruosa e ajudando umas às outras a aprender cada vez mais um pouco sobre como a misoginia está presente no nosso dia-a-dia. Vamos à luta!

domingo, 22 de dezembro de 2019

Um perigo chamado carência

Depois de estar solteira por tantos anos, chegamos àquela encruzilhada entre o não conseguir se envolver com tanta facilidade e o acabar se envolvendo com qualquer um por pura carência. Já até escrevi aqui sobre o desafio de não ficar totalmente cética, mas também não forçar a barra só para não ficar sozinha.

Tem dias que é super fácil ser a sensata da vida e agir com maturidade, mas de tempos em tempos, a dona carência chega a um nível perigoso onde a gente corre sérios riscos de ignorar sinais importantíssimos em nome de viver um romancezinho sequer, nem que seja só para tirar a poeira do coração.

Foi aí que eu reencontrei um rapaz que havia sido apaixonado por mim na época da escola e quase troquei os pés pelas mãos. Todo aquele frisson de adolescente de alguma forma reapareceu dentro de nós e de repente estávamos nos falando todos os dias. Eu, solteira há mais de 6 anos, sem filhos. Ele, recém-separado de um relacionamento de 8 anos com uma mulher sabidamente instável e que não aceita o fim do casamento, com o adicional de 3 filhos. Parecia que a novela mexicana já estava escrita, e mesmo lendo o script antes de beijá-lo, eu acabei caindo nessa furada.

Por que será que carência deixa a gente cego tal qual quando estamos apaixonados por alguém? Por que a gente começa a relativizar tudo e relevar algumas coisas importantes, ouvindo seu cérebro dizer "ah, mas ele te trata tão bem, ele foi tão apaixonado por você, ele é uma pessoa tão bacana!"?

The thing is: não é sobre ser ou não ser bom. É sobre não ser bom para você. E pronto.

Ficar com um cara numa vibe super nostálgica e romântica e no outro dia ser bombardeada pela ex do cara (que tem todas as senhas das redes sociais dele - e eu nunca vou entender essa falta de privacidade que certos casais confundem com confiança!) é puro sinal de que é uma cilada, Bino. Por mais que saibamos da instabilidade emocional da moça (o que, acreditem, para mim é bem difícil de concordar, como feminista que sou), até onde o que ela diz é mentira? E mais, até onde o que ela diz vai passar reto e não te afetar em nada? Sou assim tão evoluída?

A verdade é que a mulher já foi denunciada por ameaçar a última tentativa de romance do ex-marido de morte e inclusive condenada a pagar indenização e prestar serviços comunitários. Ela jogou roupas e livros dele fora. Ela furou os 4 pneus de seu carro e jogou xixi nos bancos. Ela usa os filhos como forma de ameaçá-lo. E toda vez que ele chega perto de mim, ela descobre e me manda mensagem inventando alguma coisa para que eu desconfie de que tudo o que ele fala e faz é mentira.

Onde vou parar me envolvendo em uma história tão maluca, sendo enroscada em uma relação tão tóxica? Serei eu envenenada também?

E foi aí que o lado racional do meu cérebro começou a berrar, porque não importa que ele me trate como uma rainha, me faça sentir desejada, admirada ou passível de ser amada. Essa confusão é grande demais pelos poucos benefícios recebidos.

Eu mereço sim tudo isso que ele estava me fazendo sentir, mas como diria Cazuza, eu quero a sorte de um amor tranquilo. Sentir tudo isso e no dia seguinte sentir uma tensão absurda, um medo de estar sendo vigiada a cada passo e pavor de a qualquer momento sofrer alguma tipo de agressão física ou psicológica faz esse lance perder todo o valor.

Eu sinto que está na hora de meu coração voltar a ter mais do que apenas a função de bombear sangue, mas quando isso acontecer, vai ser com alguém que me faça sentir segura o tempo todo e não apenas enquanto está fisicamente na minha presença. Valeu a tentativa, universo, mas eu quero (e mereço!) muito melhor que isso.

sábado, 26 de outubro de 2019

Sexo frágil ou super-heroínas

Estive pensando nos esteriótipos que a sociedade criou para as mulheres. É óbvio que poderia passar horas fazendo uma lista de comportamentos bem específicos que exigem de nós no trabalho, em casa, na cama, enquanto mãe, irmã, esposa, namorada. Além dos padrões de beleza que nos impõem todos os dias, a juventude eterna que nos é cobrada e outras infinitas variedades que fazem do "ser mulher" algo tão complexo e muitas vezes sofrido.

Porém, hoje eu pensava especialmente sobre dois esteriótipos bem gerais: o que criaram para nós desde o começo dos tempos, o de sermos o SEXO FRÁGIL, em oposição ao que nós mesmas acabamos criando para nós, possivelmente para combater esse outro, o de sermos SUPER-HEROÍNAS.

O de sexo frágil sempre incomodou a maioria de nós, porque foi - ou é - usado pelos homens para exercer machismo sobre nós. A ideia de que precisamos de um homem para sermos felizes implica uma fragilidade, onde a mulher é emocionalmente e financeiramente dependente do sexo masculino. Ainda hoje, embora em uma escala bem menor, podemos encontrar mulheres que passam a vida procurando um marido, como se a única fonte de felicidade de sua vida fosse o casamento ou que um marido seria a garantia de uma vida próspera e feliz. Muitas famílias ainda endossam essa ideia estapafúrdia e se preocupam mais se a filha está encalhada do que com sua formação acadêmica ou saúde; e de repente encontramos várias mulheres infelizes, não-realizadas, presas a relações abusivas ou sem a menor condição de se impor por ser de alguma forma dependente de alguém do sexo masculino (normalmente o marido, às vezes o pai). Dito tudo isso, acredito que esse esteriótipo esteja caminhando para uma extinção - se tudo der certo! -, pois hoje muito se fala sobre independência feminina e quase todas nós já entendemos que independência é liberdade. Independente da mulher se considerar feminista ou não, quase nenhuma quer depender de alguém.

Para ser sincera, o esteriótipo de super-heroína anda me preocupando mais. Não me levem a mal, somos de fato heroínas. Não tem como não ser, diante de tudo o que passamos diariamente. Mas eu começo a enxergar várias consequências desse "apelido carinhoso" para as mulheres. Crescemos ouvindo, todo dia 08/03 em especial, que as mulheres são guerreiras, fortes, batalhadoras. Que aguentamos tudo, coisas que os homens nunca aguentariam. Vocês conseguem ver o perigo que isso representa na sociedade atual?

Não há espaço para a mulher ser quem ela é no momento em que ela quiser ou puder ser. Ou ela tem que ser uma flor delicada frágil ou ela tem que ser sempre a foda que tudo suporta.

Olhe para sua mãe. Qual a primeira palavra que você usaria para defini-la? Eu usaria FORTE. E aposto que muitos de vocês também.

Nossas avós foram da geração do sexo frágil. Casavam cedo, casamentos arranjados muitas vezes. A maioria não tinha emprego para ficar em casa cuidando dos filhos, o que as tornavam escravas de seus relacionamentos, aprisionadas a seu provedor, porque não teriam para onde ir ou o que comer, caso resolvessem se separar. Dessa forma, elas se submetiam a qualquer coisa.

As nossas mães vieram para abrir a caixa das heroínas. Jornada tripla de trabalho: trabalhando fora, cuidando da casa e dos filhos, estudando para conseguir algo melhor. Várias mães solteiras. Muitas começaram do nada e hoje tem uma condição confortável por conta dessa loucura de até se anular para conseguir o mínimo para sua família. Ela se superou, ela é uma guerreira. Admiram sua força.

Já pensou em quanto ela já sofreu calada por não querer que ninguém soubesse que ela também era fraca às vezes? Que ela queria ajuda, que tinha vontade de desistir? Nunca vimos as lágrimas que as nossas mães choraram escondidas. Quantas vezes perguntamos "O que foi?" e ela respondia "Nada não"? O fato é que elas precisavam passar a imagem de "sou forte o tempo todo, eu aguento qualquer coisa". Não seria essa uma outra forma de prisão?

E nossa geração também vem repetindo isso, de querer suportar tudo, porque as pessoas acreditam que nós somos guerreiras o tempo todo. Se alguma coisa da minha vida sair um pouco do padrão, então já começam a dizer que eu não estou bem. Não tem nada de errado comigo! Eu apenas sou um ser humano. Que tem momentos fortes e frágeis. Que gosta de ser vista como inspiração de força sim, mas que também precisa de ajuda e de uma palavra de carinho. Que tem vontade de jogar tudo para o alto, que comete erros e acertos. Que um dia é a determinação em pessoa e no outro dia não consegue levantar um dedo para nada. Simplesmente humana. Nenhuma guerreira invencível de Games of Thrones.

Me preocupa que desde pequena as meninas aguentem tudo. Que sofram caladas, que seja ensinado a elas que "se acostumam, vida de mulher é difícil mesmo"; que a sociedade diga que elas vão necessariamente amadurecer mais rápido que os meninos, porque é assim mesmo. ISSO NÃO É BIOLÓGICO. O amadurecimento das meninas vem antes porque isso é exigido delas desde cedo. Meninas tem que se comportar, fechar as pernas, falar baixo, ter a letra bonita, o material bem-cuidado, o caderno caprichado, as notas boas. Em que escala isso também é cobrado dos meninos? Em uma muito menor. Gente, acreditem: NADA É POR ACASO.

Quero que minhas alunas e minha sobrinha saibam que elas são fortes, sim, mas que elas não tem que aguentar tudo. Que elas podem pedir ajuda e que às vezes serão frágeis e que não tem nada de errado com isso. Que o ser humano é complexo e a vida não é mole e que não tem problema de vez em quando você se sentir uma merda. Isso não define quem você é e nem tira o seu valor.

Esse post é uma reflexão sobre em que nível estamos nos permitindo, enquanto mulheres, sermos um pouco de tudo o que todo ser humano é. A gente não tem que aguentar tudo nem ficar o tempo todo preocupada com a imagem que estamos passando. E nem depender de ninguém, para estar pronta para cair fora quando e se for necessário.

Nem sempre 8, nem sempre 80, mas todos os números do meio também. Você não é só frágil nem só forte. Você só é uma pessoa. Olha que loucura?!




domingo, 28 de julho de 2019

O maluco das lantejoulas

Com o advento das redes sociais, inauguramos uma nova era da paquera. Além dos apps específicos para isso como Happn e Tinder, o próprio Instagram se tornou um ótimo meio de conhecer pessoas novas. O problema é que na rede em que tudo parece perfeito, detalhes importantíssimos podem ficar mascarados e aí, my friend... prato cheio para esse blog aqui!

Hoje vou contar a história de um date de uma amiga (vou chamá-la de Lili) com um cara digamos, inusitado, que ela conheceu no Instagram. Vou chamá-lo de Paulo.

Após alguns dias de conversa no Direct do Instagram, Paulo convidou Lili para um cineminha, que ela prontamente aceitou.

Lili, sempre muito elegante, colocou seu scarpin vermelho, uma linda blusa, sua calça jeans preferida e passou seu melhor perfume. Linda e fina, pronta para causar aquela boa primeira impressão.

O universo já deu o primeiro sinal do desastre que aquilo seria quando Paulo disse que estava na porta de seu prédio e ela quase entrou no carro errado. Chegou a colocar a mão na maçaneta, quando recebeu uma mensagem dizendo que ele tinha errado o endereço. Quando finalmente ele chegou, ela ficou abismada com o carro do moço. Além de estar sujo, estava caindo aos pedaços. Para conseguir abrir a porta tinha toda uma técnica de segurar e empurrar para cima ao mesmo tempo, uma loucura. Como ela não tem carro, pensou "bom, eu nem tenho carro, melhor esse do que nada né?" e seguiu o baile. Difícil foi superar o look do rapaz: uma camiseta azul piscina com glitter, uma calça jeans rasgada, um cinto branco e uma jaqueta caramelo com lantejoulas.

Ao chegar no cinema, o cartão de Paulo não passou no momento de pagar pelo ingresso. Ele disse que era um problema com a bandeira e ela sugeriu que ele pedisse ao banco para trocar a bandeira do cartão, pois tinha passado pelo mesmo problema. Ele alegou que estava com o nome sujo. Felizmente, ele tinha sacado dinheiro e ela não teve que bancar tudo sozinha.

Na hora de comprar o lanche, Lili pediu uma pipoca com manteiga e coca-cola. Ele disse que estava de dieta e ela respondeu "mas eu não!".

Quando o filme começou, seu pesadelo continuou. Ele não a deixava comer e nem assistir ao filme direito, pois ficava jogando o corpo em cima dela. Colocou as pernas sobre as pernas dela e envolveu seu braço no dele (até ficar dormente), deixando totalmente sem movimento.

Ao fim do filme, ele foi deixá-la em casa. Quando ela tentou sair do carro, ele sentou no colo dela, agarrou-a e disse: "não vá, não me deixa! A lua está tão linda!". Lili ficou sem acreditar que aquilo de fato estava acontecendo, especialmente em um primeiro encontro. Conseguiu descer do carro e ir para casa após alguns minutos.

Alguns dias depois, ele a chamou para almoçar. Apesar do primeiro encontro horroroso, ela queria dar uma segunda chance, não queria julgar o rapaz por apenas uma saída.

Foram em um rodízio de galeto. Mais uma vez, o look dele foi um show à parte: calça jeans, regata com aquelas aberturas enormes nas laterais e um tênis vermelho.

Ao começarem a comer, ela ficou horrorizada com a cena: ele comia parecendo que o mundo ia acabar. A impressão é de que ele não sabia usar talheres, ficava gritando ( de boca cheia): "quero mais coxinha!"; suas mãos estavam tão oleosas que ele não conseguia segurar o copo e pedia que ela colocasse o refrigerante em sua boca. A boca também estava toda imunda, mas mesmo assim ele ficava pedindo que ela o beijasse.

Durante o almoço, ela descobriu que todas as tatuagens que ele tinha haviam sido feitas com ex-namoradas. Ele disse que iria cobri-las e que custaria 5mil reais. Ela sugeriu que esse dinheiro seria melhor gasto pagando o cartão e limpando o nome dele.

Após o almoço, Lili queria ir embora, mas Paulo disse que queria apresentá-la a melhor amiga - que estava na casa dele -, não sem antes dizer que ele tinha perdido a virgindade de boca com ela (sabe lá Deus porque ele achou que essa informação fosse relevante). Quando entrou na casa de Paulo, Lili descobriu que ele morava com mais 10 pessoas. A casa era imunda, tinha comida e roupa para tudo quanto é lado. Ele disse que precisava estender umas roupas no varal. Nesse momento, ela percebeu que todas as roupas dele tinham glitter e/ou lantejoulas. Foi um golpe duro demais para aguentar.

Ela suplicou para que ele a deixasse em casa. O irmão dele, que a propósito estava super bêbado, foi junto, deixando a volta para casa ainda mais terrível.

Depois de dois dates como esse, ela resolveu que realmente não tinha como aquilo dar certo e parou de respondê-lo. Até que um dia ele lhe manda uma mensagem desaforada dizendo que ela tinha acabado com a vida dele. Que ele sonhava com o casamento deles; que ele seria personal e ela ficaria em casa cuidando dos filhos. Quando você pensa que o sujeito não tem como ser mais tosco, ele ainda fecha com chave de ouro.

A lição que tiramos disso tudo? Cuidado com redes sociais. Antes de sair com uma pessoa, certifique-se de que o estio dela te agrada, que vocês tem afinidade e que ele não seja um maluco machista querendo te transformar em dona de casa. E se der, tente descobrir algo sobre os hábitos de higiene do rapaz, por que né? Beijo com óleo de galeto... ninguém merece!