Mostrando postagens com marcador Desabafos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desabafos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Estamos andando de ré?

 Quando comecei a escrever esse blog, eu tinha 20 e poucos anos. A razão pela qual começamos a escrever (para quem não sabe, esse blog era um blog de 5 amigas que depois virou só meu) foi a quantidade de histórias estranhas que vivíamos com os homens. Já nos assustava em 2009 e resolvemos brincar com tudo aquilo com bom humor e muito sarcasmo e crítica. Dito isso, eu confesso que aos 38 anos eu não imaginava que as coisas iam piorar. Nos últimos anos, o sentimento é de total desespero entre todas as mulheres hetero solteiras que eu conheço. A verdade é que parece que a humanidade está andando de ré. Evoluímos ou os homens pararam no tempo? Ou melhor, estão regredindo, porque para ser sincera, está dando até saudade das coisas que passávamos aos 20 anos. Ali nós poderíamos entender a falta de maturidade, de experiência, a vontade de viver tudo ao mesmo tempo, o processo de aprendizado... Mas o que justifica homens 30+ agindo da seguinte forma:

Eis que minha amiga *Helena (sempre usando um pseudônimo para proteger a identidade de nossas heroínas) foi passar o fim de ano na cidade de São Paulo com sua família. Helena tem 38 anos, um filho de 12 e já é divorciada. Ou seja, essa mulher já viveu poucas e boas. Mas um rapaz paulista conseguiu fazê-la viver um fato inédito: ser chamada de "desumilde" por ter se negado a ter um date dentro de um carro.

Explicando: ela ligou o Tinder por lá, conheceu um povo, conversa vai e conversa vem com um cara e o tal a convidou pra sair. Todo empolgado, super animado para conhecê-la. Ela pediu que ele sugerisse o local, porque não era de lá e não sabia de bons lugares. Eis que a seguinte conversa acontece (vai ter print porque aqui a gente mata a cobra e mostra o pau):




O sujeito teve a pachorra de sugerir que eles tivessem o primeiro date deles dentro do carro. Eu não sei o que se passou na cabeça dele, sinceramente. Ou esse homem não tem dinheiro para pagar um cachorro-quente na rua, ou esse homem ficou com medo de ela não ser o que parecia nas fotos, ou esse homem tava com medo de ela ser um assassino, ou esse homem não tem a menor noção da violência das cidades grandes, sei lá. Eu juro que a gente fica tentando entender e não encontra nenhuma explicação plausível!

Ela, então, ainda muito paciente, sugeriu que eles fossem a um café. Ele pareceu ter achado tranquilo.




Ela então foi se arrumar, tomou banho e o avisou quando estava pronta. Ele demorou 40 minutos para responder. E respondeu assim:



O cara cobrou humildade da pessoa dizendo que era médico três vezes em menos de cinco minutos, começamos por aí. Mas vem cá... esses cara tão tudo maluco?! Alguém me responde, porque é difícil de acreditar nas coisas que a gente anda vivendo por aí. Tudo parece pegadinha do Silvio Santos! É tão inacreditável que você fica se perguntando se aquilo realmente aconteceu. Se não tivesse print, ia parecer coisa inventada. Parece até que ela sugeriu ir a um restaurante com estrela Michelin. O cara simples coringou e ainda veio querer dar lição de moral com historinha triste. Agora dá para imaginar porque faz um ano que ele não sai com ninguém, né? Deve estar faltando mulher que tenha coragem para ter um date dentro de carro. 

Eu não encontro nem as palavras para terminar esse post.
Tá muito triste, gente.
Melhorem. Mas assim, melhorem MUITO. E urgentemente.
Procurem ajuda, vocês não tão bem, não!

E assim começa nossa temporada de caça de 2025... Deus abençoe o rolê!







terça-feira, 1 de outubro de 2024

Eles começaram a entregar menos que o mínimo

 Era uma vez uma mulher levemente neurótica, pagodeira, alegre, marrenta e que está solteira há 84 anos por dificuldade de encontrar um parceiro compatível.

Vez ou outra ela começa a se questionar se realmente sua lista de exigências não está longa demais ou se está beirando a intolerância ou se já se fechou por não acreditar mais... enfim, esses pensamentos que ocorrem quando seus planos não estão muito dentro do que você esperava.

Eis que um belo sábado, foi convidada por uma amiga recém-solteira a ir a um show de pagode de um de seus cantores favoritos, o herói romântico, nosso Pericão.

O show foi maravilhoso, a cia perfeita, a cerveja descendo gelada. Acabou. Elas não queriam ir embora. O DJ largou-lhe o funk de qualidade mais duvidosa possível e elas se jogaram na pista, como se não houvesse amanhã e nem ninguém.

Os funcionários já faziam a limpeza do local, o evento já estava realmente no fim, quando se aproximou um grupo de amigos em uma despedida de solteiro. Acontece que um deles conhecia a amiga e começaram a papear.

Ao avistar um dos amigos com uma camisa do Atlético, teve que ir zoar, como boa Cruzeirense que é. O assunto se engatou de uma maneira inexplicável. Não sei quanto tempo a conversa durou, mas parecia ter durado umas 3h ininterruptas sobre futebol (em nível mineiro e nacional), uma troca sobre estados, sobre festa, sobre família, os assuntos apenas iam surgindo palavra após palavra sem nenhum tipo de esforço ou pausa constrangedora. Parecia que se conheciam há anos! Aquele tipo de conexão que só se encontra once in a blue moon.

Pulando meros detalhes desimportantes, o casal terminou a noite numa intensa troca de carícias e dormiram de conchinha no apartamento dele. 

- Que loucura! - os dois diziam um para o outro. - Como isso aconteceu?

Ele constantemente afirmava sua admiração por ela, reforçando sua beleza - ambas, interna e externa -, sua força, seu caráter. Pensou em nome de filhos, questionou qual seria o time das crianças. Dizia que aquilo não seria só ali, que eles teriam muito mais pela frente. Ela achava fofo e perigoso ao mesmo tempo. Já era macaca velha, não tinha sido a primeira vez que um homem a exaltava e depois a empurrava do pedestal. Ficou por ali entre o medo de se entregar a esssa loucura e um desejo de deixar de ser tão desconfiada, de baixar a guarda.

Os dois viajaram à trabalho durante a semana. Ela, viciada em redes sociais, achou que o contato estava sendo muito esporádico, mas ao aparecer, ele aparecia bem.

Perguntou se ela voltaria no sábado e reebeu resposta afirmativa. Queria vê-la de qualquer jeito. 

- Vou cozinhar para você! Quero te conhecer melhor. Faço um risoto, tomamos um vinho. Aquele dia estávamos cheios da cachaça, mas dessa vez quero realmente te conhecer.

Embora soubesse que chegaria cansada de viagem, ela sentia vontade de revê-lo. Estava há 4 anos sem sentir nada por ninguém e aquilo tinha realmente sido diferente. Queria ter a coragem de baixar a guarda.

O vôo de volta atrasou e tiveram que fazer uma parada técnica em outra cidade. Ela avisou que chegaria 1h30 mais tarde do que o previsto. Ele disse que queria vê-la mesmo assim, que não tinha problema, que se ela chegasse 3h30 da manhã, ele ainda assim a estaria esperando.

Se sentiu lisonjeada e ficou mais ansiosa para vê-lo. Fazia tempo que alguém não parecia estar fazendo tanta questão de estar com ela.

Chegou em casa, largou as malas e correu para o banho. Se perfumou, retocou a maquiagem, colocou uma roupa bonita e foi encontrá-lo.

Eram 23h quando ela estacionou e pediu ao porteiro que interfonasse.

Ele demorou a atender. O porteiro comentou que ele estava com voz de sono.

Pensou: "o coitado deve ter dormido enquanto me esperava". Se compadeceu. Subiu.

Ao abrir a porta, ficou sem entender.

Sentiu um cheiro que só sentira quando frequentava festas open bar na faculdade: aquela mistura de odores de diferentes tipos de álcool.

Ele estava completamente embriagado. Exalando álcool. Mal se aguentando em pé. Os olhos tentavam fitá-la, chegou a elogiá-la - sua roupa, seu cheiro, seu abraço -, mas a verdade é que as piscadas estavam mais longas do que deveriam estar.

Ela sugeriu que ele tomasse um banho e esquecessem o risoto com vinho. Pedissem uma pizza.

Pensando bem agora... foi legal até demais!

Ele foi pro banho e voltou, deitando na cama, ao lado dela que o esperava - cansada e com fome.

Proferiu frases soltas como:

"Gatíssima... você já sabe né: eu, você, dois filhos e um cachorro" - disse ele, aparentemente reforçando o interesse.

"É... até que você faz o perfil da galera" - disse ele, como se a analisasse, vendo se ela cabia na vida dele e se daria bem com seus amigos.

"Dorme aqui comigo, por favor?" - disse envolvendo-a nos braços, implorando pela oportunidade de finalmente cair nos braços de Morfeu, mas sem conseguir ser "totalmente transparente", como havia dito fazer parte de sua personalidade.

Dormir? Se dormisse com ele, viraria pedra. Era difícil acreditar que ele tinha a feito se sentir tão especial e tão merda ao mesmo tempo, em um espaço de tempo tão minúsculo. Foi de 8 a 80 em 18 segundos.

Quando falamos que o mínimo não está sendo entregue, nem estamos falando de banho, sobriedade e manter-se acordado. Isso aí nem deveria entrar na matemática.

Pois bem. Aí estamos diante de alguém que não entregou o menos que o mínimo, que seria receber alguém em casa acordado, minimamente sóbrio e de banho tomado.

Primeiro se sentiu mal. 

- Caramba. Será que eu era tão NADA assim para ele, para que ele achasse que eu não merecia nem o mínimo esforço? 

Depois se corrigiu. Aquilo não tinha nada a ver com ela. Estava mais que ciente do esforço que costumava colocar numa relação e, por consequência, do esforço que merecia que lhe oferecessem.

 Oras... ela não poderia de forma alguma se rebaixar ao nível de aceitar que um homem, em um segundo date, tivesse a grande falta de respeito de esperá-la daquela maneira. Já tinha aceitado migalhas antes e prometera a si mesmo nunca mais se submeter aquilo novamente.

Então levantou-se e retirou-se. Deixando-o jogado nu na própria cama, sem muita dignidade, possivelmente se perguntando se aquilo tinha sido verdade ou algum delírio etílico.

Enquanto dirigia para casa, sua cabeça borbulhava de coisas que pensava, sentia, ensaiava dizer.

Ela tinha certeza que uma mensagem chegaria no outro dia. E chegou.

- My bad. Etilismo.

As desculpas sinceras que ele foi capaz de oferecer. E a partir dali, seria impossível reagir, questionar, lutar, falar qualquer coisa que não fosse... "É, né".

Autossabotagem? Falta de caráter? Machismo? Falta de responsabilidade afetiva? Falta de respeito por outras pessoas? Egoísmo? Tudo junto?

Não ficaria ali para descobrir. Nem era seu papel. Cada uma deve ser responsável por suas próprias atitudes e ali não era seu lugar.

E voltou a não se questionar novamente. Porque toda vez que baixava a guarda, vinha mais um para provar que ela estava certa. O tempo todo. 

"Eu sou bem melhor sozinha, sabe..."



domingo, 20 de dezembro de 2020

Tratamento especial?

Esse ano passei por uma situação delicada que quanto mais eu analiso, menos eu entendo onde foi que as coisas se perderam.

A gente fala em não criar expectativas, mas a verdade é que tudo é bullshit. O ser humano é um criador nato de expectativas e com uma boa dose de encorajamento, a coisa tende a desandar de forma desgovernada. O resultado é quase sempre um coração partido e uma quantidade infinita de "por quês".

É claro que eu não entrei imaginando que ia dar tudo certo. Afinal de contas, quando você resolve se envolver com uma pessoa que terminou um namoro de mais de uma década há pouco tempo, você já sabe que a chance de se dar mal é grande.

Mas essa probabilidade significa nada quando você e a outra pessoa parecem estar conectados de uma forma inexplicavelmente boa. Quando tudo parece estar em sintonia, quando você finalmente encontrou aquele cara que atende todos os requisitos da sua check list dos sonhos, o resto se torna invisível.

O cara te trata como rainha. Te apresenta para os pais. Te busca no aeroporto quando você chega de viagem. Te manda mensagem todo dia. Vai atrás das suas amigas para saber se você está bem quando você demora a avisar que chegou em casa. Lembra que você sonhou com um chocolate e compra o tal chocolate para te dar de presente. Olha para você com carinho, e diz o quanto ele está feliz, de forma constante. Te lembra toda hora o quanto você é maravilhosa e o quanto traz luz para vida dele. Faz planos com você. Te coloca no grupo de whatsapp dos amigos dele. Dorme na sua casa todo FDS. Quem não vai criar expectativas? Quem vai lembrar que tem ex fresca na cabeça dele?

Os sinais começam a aparecer de leve, mas ele continua bom em te deixar tranquila e não ter medo de baixar a guarda. Você baixa.

E logo, logo toma um pé na bunda por mensagem. Como se isso fosse válido em qualquer situação. E com as palavras mais frias que nem parecem estar vindo daquela pessoa que te fazia se sentir tão bem e amada.

O problema é que tem uma categoria "nova" de caras babacas por aí: eles acham que tem que tratar toda mulher como se fosse a mais especial do mundo. Que isso é ser um cara decente, um bom moço. I'll tell you what... PAREM! 

Não confundam respeito, sinceridade, transparência com brincar com os sentimentos das pessoas. Vocês não precisam tratar toda mulher como a mais especial do mundo. Para ser considerado decente, só é necessário ser respeitoso e honesto. O resto já é alimentar um amor que você não pretende colher e isso é TÃO cruel! 

Cada vez que olho para trás, me pergunto se o que vivi foi verdadeiro de alguma forma e como pode ter sido tão insignificante para outra pessoa quando foi tão importante para mim. E não adianta ele dizer que "não é bem assim"; quando alguém não tem coragem de olhar nos seus olhos e explicar porque não pode mais estar com você, já é um atestado de que você não teve tanta importância assim. E dói. Para cacete. Quando as palavras não têm coerência com as atitudes, elas são irrelevantes.

Então, eu peço, rapazes... Tratem bem as pessoas com as quais vocês se relacionam. Isso significa ter respeito e ser honesto. Se não está preparado, se não tem intenção de se abrir, não alimente. Não transforme aquilo numa relação se realmente não quiser uma. Seja educado, mas não aja como se estivesse super envolvido se não estiver. O que te faz ser babaca não é querer ou não alguém, mas a forma como você lida com esse não querer, com seus sentimentos e os da outra pessoa. Tenham responsabilidade afetiva. Se recuperar da impressão de ter passado um tempão vivendo uma mentira é muito doloroso.

Honestidade sempre vale a pena. Seja honesto com você e com os outros.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

O dia em que legalizaram o estupro no Brasil

O dia em que legalizaram o estupro no Brasil - o vídeo


Hoje eu morri um pouquinho. Vivi para ver um juiz inocentar um estuprador mesmo cheio de provas. E isso me matou.

Fica até difícil colocar os sentimentos em palavras porque é um nível de revolta que nos deixa atônitas, sem ter mesmo como se expressar. 

Como se o nosso país já não fosse super perigoso para ser mulher, eles conseguiram deixar ainda pior. Levantaram a possibilidade de que é possível estuprar sem ter a intenção.

Ler a reportagem do "The Intercept" sobre o julgamento foi a mesma sensação de ficar de cabeça para baixo depois de ter comido muito. Náusea. Vontade de vomitar.

Como se costuma fazer por aqui, expuseram a vida da vítima. Mostraram fotos de seus trabalhos de modelo, com pouca roupa, fazendo poses sensuais. Questionaram sua integridade, sua moral, suas motivações. Disseram até que não gostariam "de ter uma filha do seu nível". Humilharam-na de todas as formas possíveis, com a permissão do juiz. O ás da justiça.

E aí, quando imaginava-se que não podia ficar pior... Emitiram a sentença por falta de provas, com a fundamentação de que não tinha como ele saber se a vítima estava em condições de reagir ou não e que não existe categoria culposa do crime de estupro de vulnerável; portanto, o crime não teria acontecido. Aos que não entendem, isso significa que o réu "não teve a intenção de estuprar". 

Agora me diga... como alguém não tem intenção de estuprar?! Ninguém transa com alguém à força sem querer. Isso é tão absurdo, tão ridículo, que parece até sem noção explicar. E por não existir esse crime previsto em lei, André Aranha, o estuprador, foi absolvido. MAS É CLARO QUE NÃO EXISTE ESSE CRIME EM LEI. Isso não existe! Não existe estupro não intencional! Existe uma sociedade bosta, misógina, imunda, QUE QUER NOS MATAR.

A partir de agora, quantos estupradores serão absolvidos sob a alegação de "estupro culposo"? Quantos advogados alegarão que seu cliente não teve a intenção de estuprar? O termo [estupro culposo], de fato, não foi utilizado como tal, mas a interpretação pode se dar dessa forma. Há muito mais escrito nas entrelinhas dessa sentença (e na forma como esse julgamento foi conduzido) do que apenas as palavras que podemos ler. Legalizaram o estupro no Brasil, minha gente. LEGALIZARAM o estupro no Brasil.

É pra combater essa cultura assassina que blogs como o meu existem. Para denunciar, para gritar nossas dores, para que eles saibam que não vão nos calar! Que por mais que passemos por coisas absurdas como essas, não passaremos caladas e passivas! 

Hoje, eu tenho dois pedidos para vocês:

1) Assinem a petição Abaixo-assinado por Mariana Ferrer

2) Compartilhem esse post com o máximo de mulheres que puderem (e homens que nos apoiam também, claro!)

Mexeu com uma, mexeu com todas! Vamos colocar a boca no trombone!


"O estado opressor é um macho estuprador."


PS: Após ler a sentença do juiz na íntegra, alterei algumas coisas do post. O estuprador foi, na verdade, condenado por "falta de provas" ou "provas fracas". Porém, na apelação o promotor cita a "falta de dolo", o que caracterizaria que ele acha que alguém pode estuprar sem ter a intenção.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

VOCÊ tem direito sobre o MEU corpo?

Quando falamos por aí do desrespeito com o corpo da mulher, muitas pessoas têm a sua "opinião" sobre o que pode ser classificado como desrespeito ou não. Os homens tendem a relativizar essa coisa toda, pois cresceram em uma sociedade que os ensina que eles têm direito sobre nossos corpos. Não raramente passamos por situações constrangedoras como passarem a mão na nossa bunda, puxarem nosso cabelo, pedirem para nos conhecer já nos agarrando pela cintura, etc. Tudo isso parece besta, mas é uma tremenda violação da nossa individualidade.

E isso é só a ponta do iceberg, pois um cara que faz isso, que normalizou esse comportamento (que ele não aceitaria se fosse alguém fazendo com ele - principalmente se fosse outro homem), é capaz de fazer coisas muito piores.

Esse FDS escutei duas histórias que me fizeram refletir muito sobre como precisamos acabar com essa cultura escrota que nos expõe a tantas situações inaceitáveis.

A primeira história é de uma amiga que contou que conheceu um cara na balada. Eles ficaram e ela foi dormir na casa dele. No meio do ato sexual, ele aproveitou que ela estava de costas e tirou a camisinha, e ela só percebeu depois de um tempão.

A princípio, eu achei muito surreal, mas depois, pensando na linha toda da cultura, que acaba incentivando esse tipo de comportamento masculino, fiz um pequeno experimento. Perguntei num grupo com mais 4 amigas (sim, só 4) se já tinha acontecido isso com alguma delas. Dessa forma, eu teria uma noção se isso é uma prática recorrente entre os homens.

Prontamente uma delas disse que sim e relatou a seguinte história:

Ela estava ficando sério com um cara e a primeira vez que eles transaram, foi na loucura, dentro do carro, bêbados, e acabou rolando sem camisinha. Na segunda vez, ele veio querendo fazer sem de novo. Ela disse que não, que aquilo não aconteceria novamente, que foi um vacilo e que ela não queria mais assim. Ele insistiu, querendo fazer sem camisinha, mas ela não cedeu. Porém, no meio do sexo, ele aproveitou que ela estava de costas e tirou a camisinha sem informá-la.

Ao perceber, ela ficou muito chateada, confrontou-o e ele disse que "tirou porque estava incomodando". Ela pediu que ele a levasse para casa imediatamente. E sabe o pior disso tudo? Ela disse que se sentiu "suja, desprezada, um lixo" e morreu de chorar.

Gente, isso é errado de tantas formas diferentes! Como vocês homens não conseguem perceber a gravidade dessas atitudes?!

A primeira coisa que me choca é a falta de autocuidado. Não entendo como pessoas que têm a vida sexualmente ativa, principalmente sendo solteiros, não se preocupam com sua saúde sexual. Como vocês têm tanta certeza de que as pessoas que vocês ficam não tem doenças? Doença não tem cara, não, galera. Qualquer um pode contrair. Não dá para olhar para cara da pessoa e confiar que ela está limpa. Usar preservativo é cuidar de si mesmo, primeiramente. É claro que - não vamos ser hipócritas - às vezes a gente acaba deixando rolar sem camisinha, no calor do momento, mas isso deveria ser uma exceção, e não uma prática comum. É perigoso para todo mundo.

Segundo, o que aconteceu nessas histórias configura ABUSO SEXUAL. O consentimento foi COM camisinha. Se você ultrapassou essa linha, você violou a outra pessoa. SIM, isso também é uma forma de estupro. Estupro é sexo sem consentimento. Se ela não consentiu sem camisinha e você não respeitou, você estuprou. Parece que vocês têm dificuldade de compreender os limites! O seu direito acaba quando começa o do próximo. Se você não quer se proteger é problema seu, mas não tem direito de expor a outra pessoa a sua negligência.

As duas histórias tem antagonistas bem diferentes: um é um desconhecido de uma transa casual. O outro era alguém conhecido, fixo, no qual a minha amiga achou que poderia confiar. Isso mostra bem que não importa a relação que eles têm com a outra pessoa, eles se acham no direito de tomar decisões sobre os nossos corpos.

E por último, você desrespeita a pessoa como ser humano. O sexo é um ato conjunto, então tudo o que acontecer deve ser consentindo por todas as partes. Tirar a camisinha sem informar a outra pessoa é o cúmulo do menosprezo pelo outro. Você não se sentiria violado caso sua parceira fizesse algo sem o seu consentimento? Por que é tão complicado se colocar no lugar do outro? É só a sua vontade que conta?

E aí, além da exposição física ao perigo de uma doença sexualmente transmissível ou uma gravidez indesejada, surgem as consequências psicológicas. A primeira pessoa a me contar a história, relatou um sentimento de paranoia e extrema preocupação, que durou dias. A segunda relatou um sentimento de autodesprezo e desespero.

Mais uma vez, o egoísmo masculino nos traz consequências de atitudes que nem são nossas. Olha que absurdo: nós é que temos que lidar com as consequências das atitudes de vocês!

Essa postura é tão infantil, sabe? Vocês acham que a gente também não preferia transar sem camisinha? CLARO! Mas é uma questão de maturidade. De compreender que antes de qualquer coisa, vem a nossa saúde. Se você não concorda com isso, arranje alguém que pense como você, pois nós não temos a obrigação de lidar com suas decisões erradas. Você não pode obrigar uma outra pessoa a engolir as suas escolhas individuais contra a vontade dela. A única pessoa que tem lidar com as consequências das nossas atitudes somos nós mesmos.

GROW UP!

Já chega, machaiada! Vamos botar a mão na consciência!



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Ser mulher e querer sair para se divertir é...

Dia desses eu e minhas amigas do trabalho marcamos um happy hour super light, super família. Fomos a um karaokê num rolê bem alternativo, onde uma das meninas até levou os dois filhos.

Ao chegarmos, já fitei um cara bem estranho no balcão bebendo. Ele me incomodou já de cara porque nos secou dos pés à cabeça quando entramos. Meu olho treinado para pervert creeps já logo pegou o tarado no meu radar.

Tudo bem, sentamos, começamos a comer, conversar, dançar. E ele lá, bebendo sem parar no balcão, um tiozão na casa dos 60 e poucos anos, claramente sozinho e começando a ultrapassar a linha do aceitável da bebida.

Estávamos no maior papo, quando de repente ele levanta e acha apropriado ir fazer uma "dancinha seduzente" (uma tonelada de sarcasmo aqui) na nossa mesa. Todas o olharam com reprovação e ele continuava achando que tava abafando.

Educadamente, eu pedi que se retirasse da nossa mesa, pois não estávamos achando legal. Ele foi para o meu lado e disse: "agora que eu quero ouvir essa conversa mesmo!" e continuou lá rindo, se achando super engraçado e sedutor, até que eu repeti:

- Moço, você pode, por favor, se retirar? Nossa conversa é particular e você está sendo muito inapropriado.

Ele saiu com cara de cão abandonado e eu não conseguia parar de observar como ele olhava para as mulheres. QUALQUER MULHER que aparecia na frente dele, ele olhava com aquela cara de que vai te atacar a qualquer momento e eu comecei a temer pela integridade de todas ali.

Havia um grupo de 3 meninas conhecidas na mesa de trás. Após ser rejeitado na nossa mesa, percebi que ele foi à mesa delas fazer o mesmo número. Até desconcentrei da conversa com minha amiga, porque a presença dele estava obviamente incomodando a todas, mas as meninas não tiveram coragem de expulsá-lo e ficaram só olhando com cara de ódio, na esperança de ele se tocar e sair. Novamente senti a necessidade de interferir. Me levantei e disse:

- Moço, de verdade, você está sendo MUITO inconveniente!!

As meninas em coro, concordaram comigo:

- Está mesmo!

Eu continuei:

- Dá para você sair daqui e parar de incomodar, por favor?

Ele saiu, relutante, e eu já não conseguia mais relaxar naquele ambiente. Peguei um papel e escrevi para a gerente que o homem estava assediando todas as mulheres do local. Ela me respondeu que uma vez ele foi até expulso desse mesmo bar porque ficava assediando as mulheres e fazendo gestos obscenos para elas. Me disse que eu podia ficar tranquila que ele já estava pagando a conta e indo embora. Como e por qual razão eles permitiram sua volta lá, é que não ficou claro para mim.

Não estamos seguras em lugar algum. A nossa realidade é que um homem aleatório se sente à vontade para se comportar como um bicho solto na selva, nos tratar como um pedaço de carne e não respeitar quando alguém rejeita suas investidas indesejadas.

Eu estou sem palavras para terminar esse post, porque estou exausta de ter que combater esse tipo de animal que é tão comum por aí. A gente não devia passar por isso diariamente. A gente não deveria ter que sofrer assédio quando estamos tentando nos divertir. Não deveríamos ter que dizer o óbvio para um homem que sabe muito bem o que está fazendo.

Estamos cansadas. Se não sabe se comportar como ser humano, então fique preso numa jaula. Não somos obrigadas a perdermos a paz por conta de um neandertal que não tem o mínimo de auto-controle.

PELO AMOR DE DEUS, fique em casa!






domingo, 16 de fevereiro de 2020

Será que você já foi estuprada e não sabe?

- Saí com um cara de uma festa e fomos para o apartamento dele. Eu nem queria transar, só ia dar uns pegas e ir pra casa depois. Quando chegamos lá, por algum motivo, a porta não abria. Ele baixou minha saia ali mesmo no corredor e eu disse que não ia rolar, que eu não queria. Ele sugeriu que fôssemos para o carro dele. Eu disse que queria ir pra casa e ele disse que me deixava. Entramos no carro dele, e ele colocou o protetor de sol. Pulou em cima de mim, eu disse que não ia rolar, ele respondeu que ia sim. Eu fiquei pondo a mão para ele não enfiar, mas ele enfiou.

- Você foi estuprada, você sabe, né?

- An??

Pois é, gente. E foi assim que a minha amiga descobriu que tinha sido estuprada e eu vi a necessidade de falar um pouco sobre estupro, porque a nossa visão sobre ele é bem limitada.

Para muitos, estupro é só quando um maluco te arrasta para o mato e te força a transar. Mas o estupro tem muitas outras vertentes. É preciso manter na cabeça bem claro que qualquer tipo de sexo sem consentimento é estupro, sim. Não importa se você está ficando com a pessoa, namorando, casada, se já está sem roupa, se estava se pegando. Se na hora H você não quiser e a outra pessoa forçar, você está sendo estuprada.

Eu sei que é difícil aceitar isso, eu já passei por essa revelação.

Uma vez eu ficava com um cara e saímos de uma festa bêbados. Eu mal conseguia ficar em pé, estava absolutamente inconsciente, mas me lembro direitinho de falar para ele que queria ir para casa e esse pedido ser totalmente ignorado. Ele me levou para casa dele e eu só lembro de flashes dele transando comigo e eu sem conseguir reagir, até porque ele era um cara bem forte e grande.

Demorou anos para que eu entendesse que naquele dia eu fui estuprada pelo meu ficante. Ele tirou vantagem da minha condição e me violou.
Foram necessárias muitas leituras, ouvir muitos depoimentos, e finalmente, o que me derrubou, foi o clipe da Lady Gaga "Till it happens to you", que mostra várias cenas de estupro - uma delas onde o cara se aproveita de uma menina que estava inconsciente. Eu chorei quando assisti porque eu me vi ali e tomei consciência de como o estupro realmente funcionava.

A verdade é que muitas de nós fomos estupradas sem saber.
Tudo isso porque não consideramos estupro quando gostamos da pessoa ou temos tesão por ela. A gente mesmo se culpabiliza pelo excesso de álcool, provocações sexuais ou coisas parecidas. É necessário compreendermos que estupro é muito maior do que imaginamos e fomos ensinadas, e começarmos a ficar mais atentas aos sinais. SEXO SEM CONSENTIMENTO É ESTUPRO E PONTO FINAL.

Espero também que os homens comecem a pensar mais nisso. Quantas vezes você já estuprou alguém? É, é isso mesmo. Pesado? Sim. E tem que ser. Você não é muito diferente do cara que arrasta uma mulher desconhecida e estupra, não.
Quantas vezes você já forçou a barra? Pôs a mão na menina mesmo quando ela relutava, achando que ela fazia "cu doce"?
Quantas vezes você já insistiu para transar com sua namorada/esposa/peguete mesmo quando ela dizia não querer?

O nosso corpo é propriedade nossa. Eu não devo nada a você. Se eu quiser desistir na hora, eu posso. Eu não tenho obrigação nenhuma de abrir meu corpo para você quando você bem entender. O consentimento é mandatório, eu sou dona do meu corpo. Não é porque eu tenho uma relação com você ou porque te dei uns pegas que eu sou obrigada a ir até o fim. Essa decisão é apenas minha. Está mais que na hora de todos os homens entenderem isso de uma vez por todas.

E a gente fica aqui desse lado, denunciando essa cultura monstruosa e ajudando umas às outras a aprender cada vez mais um pouco sobre como a misoginia está presente no nosso dia-a-dia. Vamos à luta!

domingo, 22 de dezembro de 2019

Um perigo chamado carência

Depois de estar solteira por tantos anos, chegamos àquela encruzilhada entre o não conseguir se envolver com tanta facilidade e o acabar se envolvendo com qualquer um por pura carência. Já até escrevi aqui sobre o desafio de não ficar totalmente cética, mas também não forçar a barra só para não ficar sozinha.

Tem dias que é super fácil ser a sensata da vida e agir com maturidade, mas de tempos em tempos, a dona carência chega a um nível perigoso onde a gente corre sérios riscos de ignorar sinais importantíssimos em nome de viver um romancezinho sequer, nem que seja só para tirar a poeira do coração.

Foi aí que eu reencontrei um rapaz que havia sido apaixonado por mim na época da escola e quase troquei os pés pelas mãos. Todo aquele frisson de adolescente de alguma forma reapareceu dentro de nós e de repente estávamos nos falando todos os dias. Eu, solteira há mais de 6 anos, sem filhos. Ele, recém-separado de um relacionamento de 8 anos com uma mulher sabidamente instável e que não aceita o fim do casamento, com o adicional de 3 filhos. Parecia que a novela mexicana já estava escrita, e mesmo lendo o script antes de beijá-lo, eu acabei caindo nessa furada.

Por que será que carência deixa a gente cego tal qual quando estamos apaixonados por alguém? Por que a gente começa a relativizar tudo e relevar algumas coisas importantes, ouvindo seu cérebro dizer "ah, mas ele te trata tão bem, ele foi tão apaixonado por você, ele é uma pessoa tão bacana!"?

The thing is: não é sobre ser ou não ser bom. É sobre não ser bom para você. E pronto.

Ficar com um cara numa vibe super nostálgica e romântica e no outro dia ser bombardeada pela ex do cara (que tem todas as senhas das redes sociais dele - e eu nunca vou entender essa falta de privacidade que certos casais confundem com confiança!) é puro sinal de que é uma cilada, Bino. Por mais que saibamos da instabilidade emocional da moça (o que, acreditem, para mim é bem difícil de concordar, como feminista que sou), até onde o que ela diz é mentira? E mais, até onde o que ela diz vai passar reto e não te afetar em nada? Sou assim tão evoluída?

A verdade é que a mulher já foi denunciada por ameaçar a última tentativa de romance do ex-marido de morte e inclusive condenada a pagar indenização e prestar serviços comunitários. Ela jogou roupas e livros dele fora. Ela furou os 4 pneus de seu carro e jogou xixi nos bancos. Ela usa os filhos como forma de ameaçá-lo. E toda vez que ele chega perto de mim, ela descobre e me manda mensagem inventando alguma coisa para que eu desconfie de que tudo o que ele fala e faz é mentira.

Onde vou parar me envolvendo em uma história tão maluca, sendo enroscada em uma relação tão tóxica? Serei eu envenenada também?

E foi aí que o lado racional do meu cérebro começou a berrar, porque não importa que ele me trate como uma rainha, me faça sentir desejada, admirada ou passível de ser amada. Essa confusão é grande demais pelos poucos benefícios recebidos.

Eu mereço sim tudo isso que ele estava me fazendo sentir, mas como diria Cazuza, eu quero a sorte de um amor tranquilo. Sentir tudo isso e no dia seguinte sentir uma tensão absurda, um medo de estar sendo vigiada a cada passo e pavor de a qualquer momento sofrer alguma tipo de agressão física ou psicológica faz esse lance perder todo o valor.

Eu sinto que está na hora de meu coração voltar a ter mais do que apenas a função de bombear sangue, mas quando isso acontecer, vai ser com alguém que me faça sentir segura o tempo todo e não apenas enquanto está fisicamente na minha presença. Valeu a tentativa, universo, mas eu quero (e mereço!) muito melhor que isso.

sábado, 26 de outubro de 2019

Sexo frágil ou super-heroínas

Estive pensando nos esteriótipos que a sociedade criou para as mulheres. É óbvio que poderia passar horas fazendo uma lista de comportamentos bem específicos que exigem de nós no trabalho, em casa, na cama, enquanto mãe, irmã, esposa, namorada. Além dos padrões de beleza que nos impõem todos os dias, a juventude eterna que nos é cobrada e outras infinitas variedades que fazem do "ser mulher" algo tão complexo e muitas vezes sofrido.

Porém, hoje eu pensava especialmente sobre dois esteriótipos bem gerais: o que criaram para nós desde o começo dos tempos, o de sermos o SEXO FRÁGIL, em oposição ao que nós mesmas acabamos criando para nós, possivelmente para combater esse outro, o de sermos SUPER-HEROÍNAS.

O de sexo frágil sempre incomodou a maioria de nós, porque foi - ou é - usado pelos homens para exercer machismo sobre nós. A ideia de que precisamos de um homem para sermos felizes implica uma fragilidade, onde a mulher é emocionalmente e financeiramente dependente do sexo masculino. Ainda hoje, embora em uma escala bem menor, podemos encontrar mulheres que passam a vida procurando um marido, como se a única fonte de felicidade de sua vida fosse o casamento ou que um marido seria a garantia de uma vida próspera e feliz. Muitas famílias ainda endossam essa ideia estapafúrdia e se preocupam mais se a filha está encalhada do que com sua formação acadêmica ou saúde; e de repente encontramos várias mulheres infelizes, não-realizadas, presas a relações abusivas ou sem a menor condição de se impor por ser de alguma forma dependente de alguém do sexo masculino (normalmente o marido, às vezes o pai). Dito tudo isso, acredito que esse esteriótipo esteja caminhando para uma extinção - se tudo der certo! -, pois hoje muito se fala sobre independência feminina e quase todas nós já entendemos que independência é liberdade. Independente da mulher se considerar feminista ou não, quase nenhuma quer depender de alguém.

Para ser sincera, o esteriótipo de super-heroína anda me preocupando mais. Não me levem a mal, somos de fato heroínas. Não tem como não ser, diante de tudo o que passamos diariamente. Mas eu começo a enxergar várias consequências desse "apelido carinhoso" para as mulheres. Crescemos ouvindo, todo dia 08/03 em especial, que as mulheres são guerreiras, fortes, batalhadoras. Que aguentamos tudo, coisas que os homens nunca aguentariam. Vocês conseguem ver o perigo que isso representa na sociedade atual?

Não há espaço para a mulher ser quem ela é no momento em que ela quiser ou puder ser. Ou ela tem que ser uma flor delicada frágil ou ela tem que ser sempre a foda que tudo suporta.

Olhe para sua mãe. Qual a primeira palavra que você usaria para defini-la? Eu usaria FORTE. E aposto que muitos de vocês também.

Nossas avós foram da geração do sexo frágil. Casavam cedo, casamentos arranjados muitas vezes. A maioria não tinha emprego para ficar em casa cuidando dos filhos, o que as tornavam escravas de seus relacionamentos, aprisionadas a seu provedor, porque não teriam para onde ir ou o que comer, caso resolvessem se separar. Dessa forma, elas se submetiam a qualquer coisa.

As nossas mães vieram para abrir a caixa das heroínas. Jornada tripla de trabalho: trabalhando fora, cuidando da casa e dos filhos, estudando para conseguir algo melhor. Várias mães solteiras. Muitas começaram do nada e hoje tem uma condição confortável por conta dessa loucura de até se anular para conseguir o mínimo para sua família. Ela se superou, ela é uma guerreira. Admiram sua força.

Já pensou em quanto ela já sofreu calada por não querer que ninguém soubesse que ela também era fraca às vezes? Que ela queria ajuda, que tinha vontade de desistir? Nunca vimos as lágrimas que as nossas mães choraram escondidas. Quantas vezes perguntamos "O que foi?" e ela respondia "Nada não"? O fato é que elas precisavam passar a imagem de "sou forte o tempo todo, eu aguento qualquer coisa". Não seria essa uma outra forma de prisão?

E nossa geração também vem repetindo isso, de querer suportar tudo, porque as pessoas acreditam que nós somos guerreiras o tempo todo. Se alguma coisa da minha vida sair um pouco do padrão, então já começam a dizer que eu não estou bem. Não tem nada de errado comigo! Eu apenas sou um ser humano. Que tem momentos fortes e frágeis. Que gosta de ser vista como inspiração de força sim, mas que também precisa de ajuda e de uma palavra de carinho. Que tem vontade de jogar tudo para o alto, que comete erros e acertos. Que um dia é a determinação em pessoa e no outro dia não consegue levantar um dedo para nada. Simplesmente humana. Nenhuma guerreira invencível de Games of Thrones.

Me preocupa que desde pequena as meninas aguentem tudo. Que sofram caladas, que seja ensinado a elas que "se acostumam, vida de mulher é difícil mesmo"; que a sociedade diga que elas vão necessariamente amadurecer mais rápido que os meninos, porque é assim mesmo. ISSO NÃO É BIOLÓGICO. O amadurecimento das meninas vem antes porque isso é exigido delas desde cedo. Meninas tem que se comportar, fechar as pernas, falar baixo, ter a letra bonita, o material bem-cuidado, o caderno caprichado, as notas boas. Em que escala isso também é cobrado dos meninos? Em uma muito menor. Gente, acreditem: NADA É POR ACASO.

Quero que minhas alunas e minha sobrinha saibam que elas são fortes, sim, mas que elas não tem que aguentar tudo. Que elas podem pedir ajuda e que às vezes serão frágeis e que não tem nada de errado com isso. Que o ser humano é complexo e a vida não é mole e que não tem problema de vez em quando você se sentir uma merda. Isso não define quem você é e nem tira o seu valor.

Esse post é uma reflexão sobre em que nível estamos nos permitindo, enquanto mulheres, sermos um pouco de tudo o que todo ser humano é. A gente não tem que aguentar tudo nem ficar o tempo todo preocupada com a imagem que estamos passando. E nem depender de ninguém, para estar pronta para cair fora quando e se for necessário.

Nem sempre 8, nem sempre 80, mas todos os números do meio também. Você não é só frágil nem só forte. Você só é uma pessoa. Olha que loucura?!




quinta-feira, 7 de junho de 2018

Ceticismo x forçar a barra - o difícil desafio de não estacionar em nenhum dos dois

Chega um momento, após estar solteira há um certo tempo, que a gente começa a perceber que o ceticismo tomou conta do nosso coração. Já perdemos a capacidade de acreditar que alguém pode gostar da gente pelo que somos de verdade, que alguém possa se abrir para te conhecer ou até mesmo que possa existir alguém sincero em meio a tanta falsidade, mentiras e futilidades.

Também começamos a questionar até que ponto esse ceticismo está disfarçando uma possível auto-sabotagem e esse é um momento crucial e perigoso. Atrás de uma negação, de não conseguir conceber que nos fechamos tanto para as possibilidades, começamos a querer forçar relacionamentos, interesses, e fingir coisas que não sentimentos para de repente nos convencer de que temos sim a capacidade de nos abrir.

Considero perigoso porque podemos cair na armadilha de achar que qualquer pessoa que seja menos pior ou boazinha ou sincera é o suficiente para nós.

Afinal, o que é necessário para construir um sentimento? Um relacionamento de verdade?

Já fiz isso algumas vezes na minha vida, mas confesso que agora com esse tempo recorde solteira, a tentação é ainda maior. Ainda bem que a maturidade também é e por isso é mais fácil identificar quando você está tentando enfiar o pé em um sapato muito apertado.

Cansei de perceber que alguns caras que não tinham nada a ver comigo tinham interesse nesse meu jeito espevitado (talvez pela curiosidade do diferente!), e me aproveitar disso para seduzir o cara. Não era por mal, nunca foi. Era sempre pensando: esse cara é bacana. Gente boa, inteligente, do bem, trata bem as mulheres. Vou me envolver com ele, preciso dar chance para pessoas assim.

Daí começava a ficar com pessoas que tinham zero afinidades comigo: super nerds, meninos caseiros demais, pessoas que não gostavam de viajar, caras passivos e até mesmo acomodados, e por aí vai. Pessoas que acabavam sendo overpowered pela minha personalidade. Eu achava que estava apaixonada - às vezes até estava pela ideia que tinha construído do cara -, quando de repente vinha aquela avalanche de percepções. "Esse cara não tem nada a ver com você", "Vocês não tem afinidades", "Nem o beijo encaixa direito", "Você mal tem tesão por ele", "Que admiração você tem por uma pessoa dessa?" e a lista não parava de crescer.

Até que eu não aguentava mais e pegava ranço da cara do sujeito. A situação ficava insustentável, eu não conseguia nem sequer olhar nos olhos da pessoa. Algumas vezes chegava a maltratar alguém que gostava de mim porque não conseguia controlar minha falta de interesse e paciência. Muitas vezes insistia, lá tava eu enfiando o pé no maldito sapato apertado, me enganando com frases como "é só uma fase", "isso vai passar", "não vai jogar um homem que gosta tanto de você fora". É claro que isso sempre acabava em eu dando um pé na bunda do cara, ele se perguntando "onde foi que eu errei?" e eu me sentindo a pior pessoa do mundo depois.

Estou me colocando de forma super vulnerável aqui para vocês. Depois do meu último namoro, até terapia fui procurar porque não conseguia entender o meu comportamento. Por que tenho tanta dificuldade em manter meus relacionamentos com esses caras tão "maravilhosos"? Qual é o meu problema, afinal?

Hoje consigo compreender que não adianta a gente forçar a barra com coisas que não nos pegam no coração de verdade. Ele pode ser o cara bacana que for, mas se não bater, se não der liga, se não tiver aquela afinidade gostosa, admiração e tesão, NÃO É PARA VOCÊ!

Mesmo quem gosta de ser solteira, tem seus muitos momentos de solidão e pensa: "será que vou ficar sozinha para sempre?". Esse medinho do futuro (não que tenha algum problema em estar sozinha!) às vezes nos faz fingir coisas só para não estar sozinha. Quantas amigas em relacionamentos infelizes eu ouvi dizer: "mas Dany, se eu termino com ele, vou ficar sozinha pra sempre! A coisa está feia!". Será possível que chegou-se ao ponto de acreditar que é melhor fingir ser feliz e estar morrendo por dentro do que aprender a gostar da sua própria companhia e se respeitar? Acreditamos de fato nessa balela toda de que só há uma fórmula para ser feliz e ela necessariamente inclui estar em um relacionamento amoroso?

O desafio é: sim, nos abrir para possibilidades, pessoas novas, coisas diferentes, mas ter a sensibilidade de perceber que se abrir não é a única coisa que falta para encontrarmos alguém especial. Existem vários caras bacanas que não vão se encaixar com você, com seus princípios, com seus gostos, com suas crenças e isso não faz deles (ou de você!) menos especial. Apenas não era seu número. AND THAT'S OKAY! A gente lamenta, parte pra próxima... e quem sabe qualquer dia o sapato entra no pé, bem confortável? E se não... oras... vamos andar com os pés descalços na areia, que cá entre nós, também é uma delícia!

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Homens Ruffles - vistosos por fora, vazios por dentro

Olá, galera!

Estamos aqui para fazer a primeira catalogação de espécie macholina de 2018! Fazia tempo que não encontrávamos uma nova espécie na fauna! Não que fosse novidade, mas quando as histórias e reclamações começam a se repetir demais, vejo a necessidade de catalogar, para não perder nenhum detalhe da biologia masculina.

Dito isso, vamos ao que interessa!

Entrei 2018 com aquela positive vibe, comecei o ano postando uma história fofa e maravilhosa de amor, mas pelo jeito as coisas não vão melhorar muito por enquanto.

Parece que ultimamente os homens estão com uma imensa preguiça de interagir e deixando o cérebro de lado quando se trata de se aproximar do sexo feminino. É inacreditável a quantidade de besteira que a gente anda ouvindo por aí e a falta de qualidade nas "conversas" - se é que posso chamar de conversa o que anda acontecendo ultimamente.

Um cara que aparentemente estava a fim de você chegar te "insultando" como forma de chamar sua atenção está na moda.

"Nossa, você está muito branquela" quando você volta da praia ou "Que nerd" quando você está assistindo a alguma série da Netflix, entre outras, viraram coisas comuns e a gente fica daqui se perguntando: "Ok, podia ser uma piada para puxar assunto", mas daí fica por aí e você fica "ueh?"

Tá lado a lado com aquele cara que dá match com você no Tinder e acha super apropriado iniciar a conversa dizendo "bela língua" só porque você tem uma foto engraçadinha dando língua no perfil. Classifico esse junto com o cara que assobia/buzina para você na rua. O que eles acham que vai acontecer? Que vamos achar super sexy, parar e agarrá-los? O cara que puxa assunto dessa maneira acha mesmo que eu vou me dar ao trabalho de responder um negócio desses?! Oo

Sem contar com aquele cara que só quer sair com você no meio da semana, porque afinal de contar "sábado é dia de balada" ou aquele que, só porque você não tem medo de falar abertamente de sexo, acha que não precisa se esforçar nenhum pouco e te trata como lanchinho da madrugada sem a menor cerimônia até mesmo antes de transar com você.

Só tenho uma pergunta a fazer: o que aconteceu com o hábito de CONVERSAR? Sério, tem alguma coisa errada. Porque vocês são inteligentes, a gente sabe. Aonde vai parar tudo isso quando o assunto é se relacionar conosco? Será que vocês de fato acham que não merecemos/queremos um bom papo?

Deixa eu dar uma notícia aqui para vocês: inteligência é afrodisíaco. Bom papo é essencial. Não adianta parecer aquele saco de Ruffles super brilhoso e quando abrir só ter ar dentro. A gente quer conteúdo. E não, não interessa se vai ser só casual, ninguém quer ir para cama com uma ameba que mal sabe conduzir uma conversa decente.

Sejam interessantes, for God's sake!




segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

A floresta de homens frouxos

Hello, people! Feliz Natal procês!

Vocês podem pensar que 2017 foi um ano fraco porque escrevi poucos posts, mas eis que hoje, dia 25/12/2017, vou escrever um post que resume bem a espécie macholina que mais se apresentou em abundância na fauna desse nosso Brasilzão sem porteira: O HOMEM FROUXO.

Oras, minha gente, já falei aqui sobre a liberação feminina e de como estamos tentando tomar as rédeas da nossa vida amorosa sem ficar dependendo da iniciativa exclusivamente masculina - porque vamos combinar que isto está super two thousand late. Sempre que comento que a maioria dos homens não está preparada para lidar com mulheres que tomam iniciativa, lá vem uma chuva de reclamação masculina dizendo que não é verdade, que eles gostam sim quando a gente chega junto e isso e aquilo. Mas, gente, está impossível defender vocês diante dos relatos das minhas amigas (e amigas das amigas) - e os meus também, claro!

Juntamente com a nossa vontade de dar o primeiro - o segundo, o terceiro - passo, também tem o fato de que sim, às vezes nós só queremos um trem casual, matar a vontade de sexo ou até mesmo de beijar na boca ou tomar uma cerveja num bar. Então primeiramente, abram-se para essas possibilidades. Acompanhem o novo tipo de mulher que está disponível no mercado e parem (PELOAMORDEDEUS) de achar que toda mulher que te dá mole vai se apaixonar por você e quer namorar, casar e ter filhos.

Dito tudo isso, já está ficando chato sentar na mesa de bar com as amigas e ouvir sempre a mesma frase: POUTZ, SÓ TEM HOMEM FROUXO, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?!
E lá vamos nós à definição de homem frouxo:

Aquele sujeito que te dá mole para caramba e na hora que você arroxa, peida na farofa.
Aquele sujeito que curte/comenta todas as suas fotos e quando você manda um direct sugerindo um lesco-lesco, some.
Aquele sujeito que vive te arroizando em festas e dizendo "que dia a gente vai fazer algo" e nunca de fato te chamar para sair.
Aquele sujeito que você já ficou/fica e vive dizendo que te quer, mas quando você se mostra disponível parece que de repente perde a graça para ele.
Aquele sujeito que dá em cima de você descaradamente, você corresponde, mas ele vive sempre muito ocupado para de fato concretizar uma saída.
Aquele sujeito que dá MATCH com você nos apps de paquera, mas não puxa papo (ou te ignora quando VOCÊ puxa papo).

Poderia passar 24h escrevendo mil situações que tem se repetido ao longo do ano e que tem dificultado bastante a nossa satisfação com a vida de solteira, porque afinal, o que adianta a gente sair da nossa zona de conforto e querer ser mais independente sexualmente quando o outro lado da linha não está ajudando?

Se tudo isso aí em cima se resume a "ELE NÃO ESTÁ TÃO A FIM", faça o favor de parar de fingir que está. Me poupe, se poupe, nos poupe.
Nosso tempo é valioso e o seu também deveria ser!

LARGUEM DE FROUXURA AND LET'S GET DOWN TO BUSINESS!

Caga ou sai da moite, amor!

Cheers!

domingo, 19 de novembro de 2017

Quando tentar controlar tudo sabota sua felicidade

Em FRIENDS, Ross está em um relacionamento com outra pessoa quando descobre que Rachel também gosta dele. Para ajudar a decidir entre as duas, Ross faz uma lista de prós e contras. Ao descobrir, Rachel fica absolutamente magoada e diz: “Imagina as piores coisas que você pensa de si mesmo... agora imagina que a pessoa que você mais confia no mundo não só também pense as mesmas coisas que você, mas ainda use essas razões para não ficar contigo”.

Agora eu consigo entender o que a Rachel disse. Como é ruim ouvir da boca de uma pessoa que você gosta que o que você tanto temia que acontecesse, acabou acontecendo e te afastou dela. Suas maiores inseguranças superaram suas qualidades. Pior ainda é não conseguir ter a chance de mudar as coisas. Pior ainda é ficar martelando isso na cabeça sem parar, como se fosse um defeito que você jamais pudesse apagar. Como se fosse a razão pela qual todos os seus relacionamentos anteriores tenham afundado. Teria isso também atingido minhas amizades, minhas relações familiares? Ou seria essa a razão pela qual eu tenha se fechado tanto?

Que tristeza causa termos que tomar decisões que não queremos. Termos que nos afastar quando queremos ficar junto. Termos que fingir que tá tudo bem quando por dentro você está com um sentimento horrível de fracasso, de perda e você está numa interminável luta interna. Quando tudo o que você consegue pensar é “por que eu não consegui dar o melhor de mim para essa pessoa?” ou “por que eu deixei que minhas inseguranças estragassem tudo o que tinha de bom?”.

Disseram que tudo o que acontece em nossas vidas é porque provocamos ou permitimos. Provoquei isso ou permiti? O que seria pior? Teria sido o meu maior erro tentar controlar tudo? Tentar ter absoluto controle sobre sentimentos, pessoas, acontecimentos por causa do pavor de me machucar? Ter deixado medo e insegurança me engolirem? Até que ponto tentar se proteger acaba te fazendo sofrer ainda mais (“Tudo é dor – e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor”)? Seria adequado apenas deixar que as coisas que te incomodam ou ameaçam passem? É possível fazer com que essas coisas não tenham tanto impacto em nossa vida? Tivesse eu me comportado de outra forma, poderia ter mudado as coisas ou tudo está escrito na estrelas e nosso destino é imutável?

Às vezes queria me livrar desse excesso de intensidade. É incrível como ele vive me sabotando. Essa reatividade, essa insegurança, essa mania de querer controlar tudo, mas ao mesmo tempo a impossibilidade de fugir de viver as coisas por medo. Talvez fosse melhor não viver certas coisas. Porque sinto que vivo, mas vivo sempre tentando me defender de uma possível dor. E acabo sofrendo duas vezes.

Dói pensar que, quando tudo o que você almeja é ser luz, alegria e amor para as pessoas, alguém (e alguém muito importante para você) te descreve como um peso. Algo desconfortável e sem paz. Sem leveza. Algo que suga energia e que atordoa. Como limpar essa impressão? Como desfazer isso se não te dão chance de se redimir, de tentar melhorar? Me sinto condenada a conviver com esse fato me corroendo por dentro.

E ainda... toda a culpa desse fracasso é minha? Se tivesse a chance, daria para consertar tudo sozinha? Desistir? Me conformar?


quinta-feira, 22 de junho de 2017

A guerra dos sexos

Parece que está tudo em paz entre homens e mulheres (??), mas a verdade é que há uma guerra fria no mundo heterossexual.

De um lado, mulheres absolutamente céticas. De outro lado, homens absolutamente superficiais.

Eu não estou aqui para dizer quem está certo e quem está errado. Na realidade, essa guerra só tem perdedores.

Houve um tempo em que a gente tinha mais curiosidade uns pelos outros. Houve um tempo em que era preciso primeiro conhecer as pessoas e só depois decidir dispensá-las ou assumi-las. Hoje, está tudo pré-definido.

As mulheres estão absolutamente céticas e desconfiadas. Nunca a máxima "nenhum homem presta" foi repetida com tanta segurança e certeza. Deixamos de acreditar, vivemos por aí com os escudos levantados, sem ter coragem de baixar a guarda e desconfiando de qualquer comportamento fora do normal.

Os homens estão por cima da carne seca e nunca a máxima "não quero nada sério" ou "não quero me envolver com ninguém" foi repetida com tanta segurança e certeza. Eles deixaram de acreditar que as coisas precisam de tempo para acontecer. Acham que todas as mulheres querem namorar, casar e que todas vão se apaixonar por eles. E saem correndo feito bicho com medo de ir parar no zoológico.

Esses dias, depois de mais uma piada sarcástica sobre o desvio de caráter masculino, ouvi de um rapaz com quem estava saindo: "eu não tenho culpa de suas experiências ruins". Me fez refletir bastante sobre como eu cheguei ao ponto em que estou hoje. Estou chata. Não acredito em nada e provavelmente essa energia negativa emana e atrai uma quantidade inenarrável de homens babacas.

Lá fui eu tentar ao máximo baixar a guarda, tentar acreditar no que ele estava falando, quando depois de alguns bolos e sucessivas mancadas, ele finalmente entrou para mais um "culpado pelas minhas experiências ruins".

Ontem, desabafando com um amigo sobre esse assunto, contando sobre a minha falta de fé nos homens, ele - que recentemente terminou um namoro longo e mal sabe o que está pegando por aí - disse: "Nossa! Você é a quarta mulher que me fala isso em uma semana!"

Aí depois de, por um momento, achar que estamos ficando loucas ou paranóicas, percebemos que é um sentimento generalizado, e não individual. É meu, das minhas amigas, das amigas das amigas. Da galera da Internet. Da igreja, da balada, e até quem mal sai de casa tá se lascando por aí.

O que aconteceu com o velho "conhecer uma pessoa de verdade, sair, refletir, deixar rolar e só depois decidir se a pessoa é boa pra você ou não?"

Porque as mulheres já conhecem os caras esperando o pior e os homens já conhecem as mulheres fugindo para as montanhas a fim de evitar qualquer tipo de envolvimento?

De onde tiraram que gostar de alguém é ruim? De onde tiraram que todo mundo se comporta do mesmo jeito? Onde foi parar nossa paciência, nossa fé, nossa esperança, nossa vontade de sentir coisas boas, de viver momentos bacanas sem rotular tudo logo de cara?

Vocês não acham que está exaustivo vivermos uns fugindo dos outros? Será que é mesmo necessário a gente evitar se envolver com medo de sofrer?

Será que nós mulheres precisamos beijar um cara já pensando "ih, esse aí é só mais um que não vale nada"?

Será que vocês homens precisam beijar uma menina já pensando "assim que eu conseguir transar, vou dar no pé"?

Não seria melhor - e MAIS JUSTO - a gente primeiro saber quem é a pessoa que estamos conhecendo antes de rotular a pessoa e a relação (e importância) que teremos?

Será que possível acabar com essa guerra e voltarmos a viver em paz?

domingo, 3 de julho de 2016

Por gentileza, tire suas mãos de mim.

Tem coisas que, por ver com muita frequência, você acaba internalizando como normal. Só que depois que você desconstrói aquilo, parece impossível de achar normal de novo. É um caminho sem volta.

Tenho trabalhado vários conceitos e desconstruindo muitas coisas que tomava como verdade e acho importante para evoluir como pessoa. Só que é muito difícil lidar com isso num mundo onde as pessoas ainda não enxergam as coisas como você. Não está entendendo nada? Vou exemplificar.

Há algum tempo comecei a pensar sobre a mania que os homens tem de chegar pegando na gente na balada. Foi uma vida inteira passando por isso e achando absolutamente normal, porque afinal de contas, "todo mundo faz". Até que eu parei pra pensar no quão absurdo isso é! Por que diabos uma pessoa ACHA que pode encostar no meu corpo sem a minha autorização?! Sempre fico pensando em como um homem hétero "machão" reagiria se um gay chegasse nele já envolvendo-o pela cintura ou passando a mão no cabelo dele. Imagina a cena!

Enfim, isso começou a me incomodar demais e comecei a reagir nas baladas quando um homem que queria chegar em mim já chegava colocando a mão.

- Oi, posso te conhecer? (com a mão na minha cintura)
- Pode, mas tira a mão de mim.

Sou chata? Sou, sim. Você não tem direito nenhum de fazer isso a não ser que eu sinalize que você pode fazer.

Eis que ontem eu estava numa balada com uns amigos e um segurança passou por mim, num ambiente onde havia espaço o suficiente para ele passar sem precisar encostar em ninguém e passou por mim passando a mão na minha cintura. Fiquei tão revoltada, que fechei a cara instantaneamente e tirei a mão dele. Ele se surpreendeu, ficou indignado e, mesmo depois de ter passado, voltou e falou no meu ouvido:

- Peraí que eu vou lavar a mão, tá? - com uma cara de puto.

Sim. Isso é sério. Eu sou assediada e ainda passo por preconceituosa. Para ele falar uma coisa dessas, ele só deve ter achado que eu achei ruim ele pegar na minha cintura porque ele era o segurança.

Aviso aos navegantes: você pode ser o rei da Inglaterra. O Brad Pitt. O Adam Levine. O dono do mundo. MEU CORPO, MINHAS REGRAS. Você não vai encostar no meu corpo se eu não quiser.

E sabe qual é a pior parte? Fiquei um tempo péssima por isso ter acontecido. Minhas amigas falaram pra eu esquecer e deixar pra lá, mas aquilo ficou me martelando! Mais uma vez, a culpa é da vítima e eu já estou cansada disso. Eu não teria que ficar me sentindo mal por ter me defendido de assédio. Mas fiquei.

Gostaria mesmo era de pegar todos os homens e enfiá-los numa escola para educá-los. Ensinar que ninguém pode fazer nada que o outro não queira, mesmo que pareça absolutamente normal porque você já está acostumado a fazer e ver todo mundo fazendo. Aprendam isso, urgentemente, POR FAVOR.

Está difícil demais começar a enxergar estando rodeada de tantos cegos.



sábado, 19 de março de 2016

Espécie em extinção

Eu não sei o que se passa na cabeça dos homens para que eles façam tantas deduções equivocadas a respeito das mulheres. Além da enorme quantidade de esteriótipos com os quais temos que lidar diariamente por conta do machismo, também temos que lidar com algumas situações bastante chatas - e que desconfio que o machismo também tenha influência nisso, mas vamos analisar friamente.

A pergunta é: de onde eles tiraram que a gente não aguenta sinceridade?

Durante esses 20 anos que estou no jogo do amor (brega só um pouco), eu ouvi tanta, mas tanta desculpa esfarrapada que até agora me choco com o vasto repertório e a tamanha cara de pau de repetir clichês para dar um fora em alguém. E não só eu, mas todas as mulheres com as quais convivo também estão de saco cheio. Afinal de contas, porque vocês não viram e simplesmente falam: "eu não quero mais"? Será que é tão difícil ser transparente e ter o mínimo de consideração pelo outro? Será que vocês acham que não aguentamos lidar com a verdade?

Às vezes acho que os homens gostam que a gente fique repetindo a frase "homem nenhum presta" porque eles não andam se esforçando muito para mudar a reputação manchada.

Diante de todas as desculpas esfarrapadas do mundo, o pior pra mim ainda é o tal do CHÁ DE SUMIÇO. Sério... para que isso? Será que é necessário agir como um moleque, se acovardar e desaparecer do mapa? Será que é melhor do que olhar no olho da outra pessoa e falar que não rola mais? Vocês acham mesmo que a gente prefere isso?

Ei, calma aí! Em nenhum momento eu disse que era super divertido levar um toco. Entretanto, menos divertido ainda é você ficar surtada imaginando o que aconteceu, se o sujeito morreu, se você fez alguma coisa de errado, se o celular dele caiu na privada, se foi abduzido, quando no fundo ele apenas não teve balls para te dizer "não".

Quantos homens ficam anos em relacionamentos falidos por pura falta de coragem de colocar um ponto final em algo que já não tem mais conserto? Quantos inventam histórias mirabolantes para tentar justificar um sumiço que só poderia ser explicado por coma ou morte, subestimando nossa inteligência, só para não ter que falar a verdade e nem parecer canalha?

Nunca vi uma mulher não querer ficar mais com um homem e simplesmente desaparecer. Geralmente temos a tal da conversa honesta e damos o toco. Não é agradável, mas traz paz de espírito e mostra que você tem respeito pela outra pessoa.

Já tá ficando chato, rapazeada. Já deu preguiça. Deixa a titia contar um segredo para vocês: a gente aguenta tomar toco. Dói? Sim. É chato? Demais. Vamos chorar? Provavelmente. Mas daqui uns 3 dias estamos conformadas e de cabeça erguida novamente, procurando mais sarna pra se coçar.

Portanto, peço encarecidamente, pelo amor de Deus, sejam homens com H e tenham a decência de ser verdadeiros e transparentes. Parem de falar coisas que não sentem, contar histórias que não aconteceram, inventar desculpas esfarrapadas e aprendam a lidar com as consequências dos seus atos. E se você não faz isso, mas tem amigos que fazem, dá um toque no brother aí. Manda ele largar de ser otário e enfrentar a vida com maturidade.

Definitivamente, homem sincero é uma espécie em extinção!

__________________________________________________________________________________________________________________________

PS: se você faz parte da minoria de homens que é sincero, por favor, não se ofenda à toa. O post é direcionado para quem não é. E é claro que também existem mulheres que não tem coragem de ser sinceras, mas a minha vivência é com os homens, então essa é a minha perspectiva.
E só lembrando que esse blog se baseia em generalizações, portanto, não precisa comentar se defendendo de algo que você não faz. Se você não se identificou com o comportamento descrito no post, parabéns, você faz parte da exceção.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Ai de mim que sou romântica!

O povo me pergunta porque eu tô solteira há tanto tempo (na verdade, ainda nem fez 3 anos. Mas como meu último namoro durou só 3 meses, a gente pode contar com os quase 2 anos que fiquei solteira antes dele) e eu não sei o que responder.

As pessoas me acusam de ser muito seletiva, mas tenho a impressão de quem está comprometido, especialmente se for há muito tempo, não tem noção de que a coisa está feia. Não é simplesmente uma questão de querer ou não. É uma questão também de ser querida ou não. E de que, claro, alguns fatores pesam contra mim nesse momento:

1) Adoro balada, roupa curta e falo palavrão, então, obviamente, não sou mulher para você apresentar para sua mãe.
2) Faço 29 anos mês que vem.
3) Nunca tive relacionamento longo.
4) Ah, tá, vai, sou um pouco seletiva, sim e acabo ficando meio impaciente.

Mas vou contar para vocês dois episódios da minha vida que provam que não é tão simples quanto achar que eu escolho demais. Vou contar dois, mas vai parecer que é só um:

Estava eu lá, linda e ruiva, de boa na lagoa, quando de repente um certo alguém vem e se "declara" pra mim no whatsapp. Fiquei chocada, não esperava. Ele me pediu pra pensar. E foi o que eu fiz. Comecei a pensar na pessoa que ele era. Rapaz muita gente boa, extrovertido, carinhoso, trabalhador, blablabla, tudo o que uma mulher podia pedir a Deus e, mesmo sem ele fazer meu tipo, baixei a guarda e resolvi dar uma chance. Achava que estava entrando num local seguro, ele não fazia o tipo galinha. Tinha certeza que ele não ia me magoar e na verdade eu tinha era muito medo de magoá-lo. Depois de duas ou três semanas de intensa conversa no whatsapp, ele vira e fala pra mim que vai se mudar de Brasília.

A outra história é mais ou menos igual. Veja bem... o universo anda tão sacana que nem sequer se dignifica a mudar a história e manda duas repetidas: uma atrás da outra.

O primeiro, ainda depois da mudança, continuou num flerte eterno comigo, e eu continuei com a guarda lá embaixo, cogitando coisas, pensando, refletindo, até que ele resolve me dar o gelo do século e, assim como qualquer outro que eu fique numa balada, some e nunca mais olha para trás.

O segundo ainda não foi embora de Brasília e vez em quando vem demonstrar sua extrema dúvida e sua firme vontade de continuar ficando comigo, mas já deixei claro: WHY BOTHER? A gente continua, daqui a um mês você se manda e eu fico como? E você, fica como? Melhor não complicar as coisas.

Aí a pessoa mal sabe da minha vida e fala que "eu escolho demais"? Faça-me o favor! Abri meu coração para pessoas inimagináveis e não adiantou nada.
Não é melhor voltar a se proteger e ficar de boa, nas minhas baladas, sem me envolver?

No fundo, eu sou a personagem da música MUTANTE, eternizada pela Daniela Mercury.

"Juro que eu me sinto um pouco rejeitada, me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa, depois eu passo para outra
Como um mutante, no fundo sempre sozinho, seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica!"

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Porque mulher é tudo maluca

Ontem, dia 27/08, comemoramos o dia do Psicólogo, esse profissional super importante da mente, que nos ajuda a compreender nossas neuras, inseguranças, agonias, obsessões e dúvidas.

Foi aí que parei para pensar no quanto a psicologia influencia nos relacionamentos diariamente. Afinal, quem nunca ouviu da boca de um homem "aquela mulher é maluca!"?

Acho muito engraçado como toda mulher acaba passando atestado de maluca ao reagir a certas atitudes consideradas normais para um ser do sexo masculino. Os homens tem tanto medo de se envolver, que qualquer atitude de personalidade é considerado "maluquice" e usado como desculpa para cair fora de dar-se uma explicação para algum comportamento duvidoso.

Ilustremos:

Acontece quando aquele carinha com o qual você estava flertando e conversando todo dia, desaparece, sem nenhum motivo aparente, fica um, dois meses sem nem falar com você, e de repente, não mais que de repente, resolve aparecer como se nada tivesse acontecido, esperando que você o aceite de braços abertos e pergunte como anda a família. Quando você resolve questionar o sumiço, ele te acusa de louca, diz que você está criando expectativas e projetando um relacionamento que nem existe. É sério que eles esperam que estejamos disponíveis o tempo todo, enquanto eles decidem se somos ou não boas o suficiente para eles?

Acontece quando você pega seu namorado futricando o Facebook da ex e exige uma explicação. Para ele, você é uma doida varrida que tem ciúmes de tudo que anda e o sufoca o tempo todo.

Acontece quando você pede mil vezes para aquele carinha te respeitar e parar de te procurar, e ele continua te mandando insistentes mensagens, até que você, depois de muito ser educada, fica puta e mete-lhe um BLOCK. Quem você é? A louca, mal-educada, sem-noção.

Essa psicologia reversa que muitos usam para confundir nossas cabeças é um perigo absurdo. Basta um sentimento de culpa, uma cabeça fraca, um minuto de carência, para que eles te convençam de que você realmente está exagerando, sendo louca e que, desse jeito, irá perdê-lo para sempre.

Exigir coerência entre palavra e atitude é o mínimo que você pode fazer, se realmente se respeita. Deixar que o outro te trate com descaso é para quem tem vocação para ser segunda opção.
Para quem prefere ser tratado como prioridade, é melhor logo mostrar logo your true colors e deixar claro que ninguém vai sambar na sua cara sem ser levado a julgamento. Se ele te julgar maluca porque quis ter uma explicação mínima sobre a falta de consideração, é bom que já separa o joio do trigo. Você já fica sabendo quem vale a pena ou não. Quem não vai dar desculpa de "minha vida é muito corrida" para passar 2 meses sem falar com você. Quem não vai dar em cima de outras mulheres quando estiver ao seu lado. Quem vai te tratar como matriz e não como filial.

Desculpem-me os amantes da psicologia reversa, mas comigo isso não vai colar, não. Não vou me sentir culpada por exigir consideração. Seja você meu marido, namorado, peguete ou só pretendente - eu não preciso ter um anel do dedo para cobrar o mínimo de respeito. Se isso é ser maluca, pode abrir as portas do hospício que eu estou chegando!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

10 coisas "sem noção" que os homens adoram fazer

Hoje acordei feliz e sorridente e como uma típica vivente do século XXI, a primeira atividade do dia foi olhar o celular. Me deparei com o coraçãozinho do HAPPN piscando e pensei "Opa, tenho um novo CRUSH"! Quando abri, era uma mensagem de um cara com quem dei crush há vários dias e ele nunca tinha aberto a boca (os dedos?) pra falar comigo. Eu achando que ele queria começar o FDS com o pé direito (me achando, né?), mas acontece que ele me mandou a mensagem "Oi, linda, tudo bom?" às 3h50 da manhã.

Vamos lá, homens, para quem vocês mandam mensagem às 3h50 da manhã? Para lanchinho, né? Pelo amor de Deus, minha gente!!

Foi aí que me ocorreu: os homens tem uma certa dificuldade de lidar com limites. Eles vivem fazendo e falando coisas que nos deixam de cabelo em pé e é por essa razão que a frase que eu mais escuto das minhas amigas, conhecidas e mulheres no ônibus, na rua, na chuva e na fazenda é: "ELE É MUITO SEM NOÇÃO!!!"

Assim, resolvi escrever um post sobre coisas "sem noção" que os homens andam fazendo por aí e achando que são super normais. Por isso, passei a manhã coletando histórias das minhas amigas, que contaram algumas anedotas que apenas me deixaram com os olhos mais arregalados que aquele personagem do Zorra Total.

Eu não sei se eles escolhem não usar certas partes do cérebro, se acham que nós somos idiotas ou se são simplesmente cruéis mesmo, porque não tem explicação para essas coisas estarem acontecendo com pessoas de bem.

1) LIGAR/MANDAR MENSAGEM DE MADRUGADA

Então, como foi o incidente que alavancou a ideia, gostaria de deixar registrado aqui que, não, isso não é legal. Tudo bem se vocês já tiverem alguma coisa e tals (tudo bem forçando um pouco né), mas se você não tiver a menor intimidade com a pessoa é sem noção, falta de vergonha na cara e atestado de tarado. Você nunca me deu OI em horário comercial e agora quer fazer o bonito de madrugada?! Faça-me o favor, eu não sou obrigada!!!

2) DAR CRUSH/MATCH NOS APPS E IGNORAR ESSE FATO

Me explica para que usar esses aplicativos, sair distribuindo corações e não querer conversar com a pessoa? Você tem algum problema?

3) CHAMAR A PESSOA PRA SAIR E DESAPARECER

Sabe o que é mais triste? É ouvir minhas amigas descreverem isso como "típico". Again, qual é o seu problema? Se quer sair, vambora. Se não quer, não me chame. Meu tempo é precioso e o seu deveria ser também.

4) DAR EM CIMA/FICAR COM AMIGAS DA SUA EX

Uma coisa é acabar rolando um clima entre seu ex e uma amiga depois de mais de ano que vocês terminaram e vocês não sentem nada um pelo outro. Outra coisa é nego nem esperar o presunto esfriar e já está chupando o pescoço de amiga sua. Bad, guys. Very bad.
Também se encaixam nessa categoria, aqueles engraçadinhos que dão em cima da gente enquanto estão ficando com nossas amigas ou que dão mole para nossas amigas enquanto estão ficando conosco.

5) PROPOR COISAS SEXUAIS ESTRANHAS NA PRIMEIRA FICADA

A sexualidade é uma coisa individual, cada um tem seus gostos e preferências e a gente se descobre muito com o outro. Mas tem algumas coisas que só funcionam depois de se ter uma certa intimidade com a pessoa. Se na primeira ficada você vira para a menina e diz "vamos fazer um menage", você corre o sério risco de assustar a coitada que não sabe nem seu sobrenome ainda. Então vamos pegar leve aí - cada coisa a seu tempo.

6) NÃO TER CUIDADO COM O QUE FALA

Eu tinha um ex-namorado que falava qualquer coisa na minha frente, chegando ao absurdo de falar para um amigo, enquanto estava de mãos dadas comigo, que ia "apresentá-lo para uma loira muito gostosa que ele viu semana passada no forró". Pior que esse, só o peguete de uma conhecida minha: ela viajou, ele perguntou quando ela voltaria e ela respondeu que em duas semanas. Daí ele solta: "e até lá vou ter que ficar só na punheta??". Então assim... caras, a gente sabe que vocês olham para outras mulheres (também olhamos para outros homens). A gente sabe que vocês batem punheta. A gente sabe que vocês assistem pornô. A gente sabe que vocês acham aquela nossa amiga muito gata ou gostosa. A gente sabe muita coisa que não precisa ser dita. Afinal, pense como seria bom se virássemos para uma amiga, com vocês do lado, e disséssemos: "Nossa, mas o pinto daquele cara ali é enorme" ou "Vou te apresentar para um cara lá do meu trabalho, que toda vez que ele chega, eu fico passando mal" ou "meu ex fazia isso direitinho". SABE?? Precisamos ter NOÇÃO e saber quando é o momento certo de fechar essa boca e guardar certas coisas no seu coraçãozinho.

7) TER VÁRIAS MULHERES AO MESMO TEMPO

Tá certo que agora a gente está ultrapassando o nível de gente "sem noção" e vai chegando ao nível de gente "sem caráter". Manter dois relacionamentos - chamando uma de noiva e outra de namorada - concomitantemente é um absurdo tão grande que não consigo nem classificar. Também ouvi casos em que o cara de pau traía a noiva, casou e, ACREDITEM, levou a AMANTE para a lua-de-mel. CANALHA. Sim ou sim?

8) TERMINAR RELACIONAMENTOS POR OUTRO MEIO QUE NÃO SEJA UMA CONVERSA FRANCA

Tem coisa mais quinta série do que terminar relacionamento por telefone, e-mail, pombo correio, cartinha? Pois é, infelizmente, essa palhaçada ainda ocorre mesmo quando já estamos chegando aos 30 anos ou até quando já passamos dos 50. É classificado como "sem noção" qualquer outra forma que não seja olho no olho, afinal, se você tem o mínimo de consideração por aquela pessoa que compartilhou tantos momentos bons e ruins com você, ela merece um pé na bunda com dignidade.

O negócio é tão grave, que ouvi uma estória hoje, de um cara que pediu a menina em casamento, os dois começaram a morar juntos no apartamento dele e depois de 3 semanas ele fez um viagem e lá mesmo decidiu que não queria mais casar e simplesmente mandou uma mensagem dizendo que estava tudo acabado e que quando ele voltasse não queria mais encontrá-la no apartamento.

Respeito é pra quem tem. Então se você quer ser respeitado, não haja como um moleque sem noção. Aprenda a lidar com as consequências dos seus atos e não se acovarde atrás da tela de um computador.

9) CLASSIFICAR MULHER EM 'PRA PEGAR' OU 'PRA CASAR' BASEADO NA ROUPA QUE ELA USA OU NO JEITO QUE ELA DANÇA

Ou em nada, for that matter. A única coisa que deve ser considerada quando você escolhe se relacionar com alguém ou não, é sentimento e afinidade. Mulher parece que tem que ser perfeita. Não pode sentir calor, nem peidar, nem suar, nem querer sair pra dançar, nem ir pra balada, nem ser da igreja, nem falar alto, nem falar palavrão, nem ter barriga, nem celulite, e a lista não acaba nunca. Se a gente for tentar atingir esses padrões malucos, a gente não vive, vira estátua para vocês ficarem admirando. Largue esse machismo, conheça a mulher como PESSOA e não pensando que a roupa dela é curta demais ou que ela dança descendo até o chão e por isso já classificá-la como vagabunda.

10) TRATAR UMA MULHER COM A QUAL VOCÊ TEM UM RELACIONAMENTO CASUAL COMO UMA PROSTITUTA GRATUITA

Todos nós sabemos que relacionamento casual existe e que muita gente curte. Tem os famosos PA (pinto amigo) para aqueles momentos de necessidades biológicas, secas e carências. Mas vamos ser diretos: você não precisa tratar a pessoa como se ela fosse uma profissional do sexo, que você só liga, transa e não olha mais pra trás. Converse, seja legal, seja gentil. Não estou falando de declaração de amor, estou falando de decência. De conversar antes de propor uma noite, de não objetificar, de classificar como "frescura" quando ela não estiver a fim, de levá-la na porta quando ela for embora, de oferecer algo pra comer ou beber quando se encontrarem. Não precisa ser escroto porque não tem sentimentos amorosos por ela. Be cool.

Homens amados, é óbvio que existe muita mulher sem noção por aí e não pense que não reparei. Mas isso é muito pano pra manga e eu prometo escrever um post apenas com coisas sem noção que a mulherada anda aprontando. Enquanto isso, foco em melhorar a coerência das suas atitudes aí. Veja se está se comportando de algum dos jeitos descritos acima e vê se toma vergonha na cara.
Grata.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Quem precisa de cupido?

Pessoas bonitas do meu Brasil, feliz 2015!

Pensaram que eu tinha me aposentado, mas a balada não deixa, porque... né? Sempre tem alguma coisinha para acontecer e minha cabeça começar a fervilhar de vontade de contar mais uma anedota do bicho-homem.

Primeira balada oficial de 2015, aniversário de uma amiga, lá fomos nós pela vigésima terceira vez ao Poizé Beira Lago.

Pontos cruciais a serem a analisados:

- Eu estou de dieta e na política álcool zero (até que o carnaval nos separe);
- Atrações do dia: duas duplas sertanejas (vontade de se matar batendo forte)
- Mil casais e só eu e um amigo solteiros (vela detected)
- Você já pegou o peguete da aniversariante (desconforto extra)
- Homem bonito e/ou interessante no Poizé é utopia
- Eu estava de carona com a melhor amiga da aniversariante (a noite seria longa)

Tudo conspirava para uma noite sem graça. Eu, aguentar duas duplas sertanejas absolutamente sóbria, já era o máximo da dor suportável. Segurar vela para 50 casais também era doloroso.
Mas nada disso se compara à nova mania das minhas amigas: tentar me arranjar um homem.

Aparentemente, elas se esqueceram como é ser solteira - até mesmo a aniversariante, que nem está oficialmente namorando ainda - porque de repente começaram a se incomodar ou sentir certo desconforto em me ver sozinha.

Ok, meu último namorado já casou e teve filho (porque é apressado), mas vamos lá, eu estou solteira há pouco menos de 2 anos. Ok, tenho 28 anos e supostamente "na idade de casar", mas sou uma mulher independente que gosta da liberdade que tem e que é muito bem resolvida, e que, a propósito, se quisesse, já teria casado.

QUAL É O PROBLEMA EM ESTAR NUM LOCAL COM SUAS AMIGAS COMPROMETIDAS SEM QUE ELAS FIQUEM TENTANDO TE ARRANJAR UM PRETENDENTE?

Aviso aos navegantes: eu NUNCA precisei de ajuda para arrumar ninguém para mim. ISSO, todo mundo sabe ao meu respeito. SE EU QUISER SUA AJUDA, eu peço.
Sim, me incomoda profundamente que minhas amigas fiquem a noite toda sugerindo pessoas para mim ou soltando frases como "amiga, não se preocupe, vou arranjar um gatinho para você" ou similares.

Não, não me importo com um "olha, aquele ali é gatinho né?", porque não custa nada, especialmente num lugar com poucas opções como o que estávamos. Mas estou começando a repensar essas saídas com minhas amigas comprometidas, porque pelo jeito vou sempre precisar estar acompanhada para não me sentir desconfortável e não deixá-las desconfortáveis.

Eu já entendi que é difícil para algumas pessoas aceitarem que sim, existe a possibilidade de uma pessoa estar solteira aos 28 anos sem estar desesperada para casar. Por isso, resolvi escrever esse post como forma de protesto.

Vê se não vão sair por aí achando que eu não tenho interesse em ficar com ninguém, ou que eu não quero me envolver, ou que eu tenho resistência a quietar o faixo. Não é isso. A questão é que eu não preciso ouvir certas coisas. Ah, e tem mais um monte de coisa que eu não preciso ouvir:

- Vai lá, pega o buquê.
- É só você parar de procurar que acha.
- Você não vai querer ter filhos?
- Você vai ficar para titia.
- Quando você menos esperar, aparece alguém.
- Você escolhe demais.
- Você é muito exigente.
- Vou ver se meu namorado ainda tem algum amigo solteiro.
- Vou escrever seu nome na saia da barra do meu vestido de casamento.
- Já tentou o TINDER?
- Amiga, mas ele só quer te comer.

Eu adoraria conhecer uma pessoa especial e me apaixonar, só para deixar claro. Mas não preciso de cupido e nem de olhares de pena, como se ser solteira fosse igual a ter lepra. E nem preciso que ninguém force a barra com nada e nem ninguém. As pessoas falam "quando você parar de procurar, você acha", mas não cansam de procurar para mim.
Que tal mudar as frases? Prefiro assim:

- Bora naquela festa? Vai ter muita gente bonita!
- Vamos sair pra dançar?
- Hora do buquê! Vamos pegar uma caipiroska?
- Vamos viajar?

COPIOU?!

E que venha 2015 e suas peripécias! I'M READY!