quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O ataque do anencéfalo musculoso

Essa é uma história verídica que aconteceu há mais ou menos uma semana, na cidade de Brasília, em sábado chuvoso, com uma mulher de 30 anos. Mas poderia ter sido qualquer dia, em qualquer local, com qualquer uma de nós. Nesse enredo, não há inocentes. Mas criminoso burro tem de monte, e nesse crime apresentamos mais um. Porque é isso que dá subestimar a inteligência de uma mulher (e suas amigas, claro) e o ovo de codorna que é essa cidade.

Como sempre trabalhamos com anonimato nesse blog - embora muitos nem mereçam essa consideração! -, vamos chamar nossa heroína de *Heloísa.

Eis que um belo dia, depois de uma semana de muito trabalho, nossa heroína acorda com a seguinte mensagem no seu celular:


Ela olhou, coçou os olhos e pensou: "WTF?"

Como qualquer vivente do século XXI, resolveu tirar print e mandar para as amigas:

"Isso aqui é pegadinha do malandro, né?!"

Umas riem, zoam, concordam, mas uma... ah, essa uma diz uma coisa que muda tudo:

- Eu conheço esse cara!! Ele é amigo do *Paulo!

Ahhh, Mr. M! Sabe quem é o Paulo?! Um rapaz que está louco pela nossa Heloísa, que já cansou de dizer não, mas não consegue se livrar da insistência do cara, que todo dia manda mensagem enchendo o saco. Suspeito, não?!

As amigas aconselharam a dar corda e a conversa continua:



1) Que diabo de desculpa esfarrapada é essa? Porque você pega o número de uma pessoa que você "não tem a menor ideia de quem seja" e manda uma foto sem camisa dando "bom dia"? Pelo amor de Deus, né? Ninguém aqui é idiota.

2) Frase pronta de "Prazer não, satisfação, o prazer vem depois" - é sério isso?!

3) "Vc ficou muda". Oi? A pessoa passa UM MINUTO sem responder e é acusada de mudez? WTF?


4) Daí sem mais nem menos, o cara começa a mandar fotos semi-nu para uma pessoa que ele não sabe quem é, mas que por algum motivo "estava no celular dele".
E pede nudes.


5) Avisando que "não abaixou mais porque tá pelado", como se ela tivesse perguntado alguma coisa ou se tivesse interesse em ver a parte debaixo.

6) LINDA XAU. LINDA XAU. Linda. XAU. X-A-U. Só pra deixar bem enfatizado que ele, de fato, escreveu que nem um menino de 11 anos.


7) Se achando o mais gostoso do mundo, tomou uma e deu a melhor resposta do mundo: "Frouxo? Tenho 25 anos." WTF? É tipo "Bacon? Eu nunca fui para a Europa".

8) Tá pedindo nudes desde que acordou e começa a fingir que não quer deixar a menina "molhadinha". Prossigamos com a palhaçada circense.


9) Lá vai ele tentar puxar um sexting (sexo por mensagens) com a nossa vítima. E enquanto isso, ele está lá, sendo printado e zoado no grupo dazamiga.


10) Tá de pau duro com uma conversa sexual que ele tá participando sozinho. Com os nudes que só ele mandou. Com uma pessoa que ele nunca viu. Ok, aquele típico cara que goza em 2 minutos.


11) Pois é, Helô. Nem falei nada. Nem mandei nudes. Eu ein.


12) A essa hora, o ser humano já está sendo mais zoado que tudo, quando Helô e as amigas zoeiras resolvem perguntar seu nome e ele diz "João". Todas caem na gargalhada sabendo que esse não é nem de longe o nome verdadeiro do canalha. E então, uma delas tem a brilhante ideia de dizer: "Não lembra de mim, não, SADDSA (chamando pelo apelido que ele é conhecido pelas bandas)?




13) Linda, XAU. Vive dando XAU e nunca vai embora. E a propósito, me segurei para não falar disso, mas O QUE ADIANTA ESSE CORPO MALHADO NUMA PESSOA QUE NÃO SABE NEM ESCREVER?!

14) Ouve-se à boca miúda que ele não é personal, não. Pelo menos não um qualificado. Inclusive há boatos de que nem o ensino médio foi concluído (o que pode explicar o português "mal escrivinhado").

15) O amigo recalcado, vulgo Paulo, mandou que ele tentasse seduzir Heloísa? Eis a grande questão do mistério.

15) Homem escroto vai ser exposto, sim. E é bom para que todo mundo veja a qualidade de homem que temos que lidar todos os dias. Acredite, tem mais caras anencéfalos e arrogantes assim do que se possa imaginar. Toda hora cruzando caminho de pessoas inteligentes e do bem, como nossa amiga Heloísa.

16) O mal do esperto é achar que todo mundo é burro.


Lindos, XAU!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Sobre pedaladas amorosas

Ela ia fazer spinning porque adorava, sempre adorou.

Um dia começaram um flerte leve: ele ia na bike dela, brincava que ela podia pôr mais carga e girava o botão. Ela xingava, mas no fundo achava bom aquela atenção extra que ele dedicava, mas não passava disso.

Mas o destino tratou de, alguns meses depois, colocá-los no mesmo local, no mesmo horário, no mesmo estado alcoólico. Foi então que uma conversa mais aberta e um flerte bem menos inocente tomou forma. Se beijaram como loucos, porque a vontade estava guardada há muito tempo. Foi melhor que imaginavam, leve, natural, engraçado, divertido, sexy. Ficaram grudados a noite toda e depois se despediram sem trocar telefones. "Estranho", ela pensou, mas encontrá-lo novamente seria inevitável.

Na semana seguinte, lá estava ela pronta para mais uma aula e ele... cadê? Não apareceu. Foi substituído. Ela achou estranho, mas fez a aula com o outro professor e tocou a vida. E assim aconteceu durante várias semanas. Nada de ele aparecer, tudo era esquisito, ninguém falava do assunto e ela não tinha idéia do que tinha acontecido. Pensou em várias coisas, até na possibilidade de alguém tê-los visto juntos e demitido (achando que fosse contra a política da academia).

Eis que depois de dois meses sem saber se a pessoa estava viva ou morta, ele retorna aos trabalho e eles conversam. Ele cobra a presença dela na semana anterior, ela se defende alegando que estava viajando. Ele brinca, disse que só a perdoa por causa da viagem e a convida a aparecer mais vezes para suas aulas. Ela diz que não pode por causa de trabalho, eles sorriem, se despedem e vão embora. Nada promissor, mas tudo bem.

Mais uma semana se passa e ele convida os alunos a curtirem a página do Facebook da modalidade na academia. Ela resolve curtir e o encontra. Ao tentar adicioná-lo, a surpresa: ele está em um relacionamento sério.

A primeira reação foi ficar levemente decepcionada em saber que nada mais poderia acontecer entre eles. O segundo pensamento foi: "peraí... será que eles já estavam juntos quando ficamos?".

Stalkear ativar. Informação encontrada: o namoro começou em abril de 2016. 8 meses antes de eles ficarem. A tal namorada já tinha sido vista por ela nas aulas.

"Ok, mas eles podem ter terminado e voltado" - mas a pulga continuava lá, atrás da orelha, incomodando.

Stalker ativar parte 2 - a vez dela. Informação encontrada: um comentário dizendo 'eu te amo' poucos dias antes do fatídico dia.

Ela, que não se chocava com mais nada, de repente se viu incrédula com tamanha cara de pau. Com tamanha destreza em esconder a verdade de duas mulheres.

Depois se lembrou que era um talento deles. E voltou a olhar só para os pedais.

sábado, 28 de janeiro de 2017

A história que sempre se repete

O blog está cheio de moscas e eu vou falar para vocês porque ele está tão abandonado: além da correria que minha vida tem estado, não tem graça vir aqui e sempre contar a mesma história, né?

O fato é que o mundo gira, entra ano, sai ano, mudam as estações e apenas uma coisa não muda: a mulherada continua se dando mal.

Não é generalização, não é clichê, não é mimimi, é análise de fatos.

Solteira há 4 anos - um recorde pra mim, que nunca tinha ficado nem 2 anos solteira -, eu tenho me entristecido com a forma como os homens andam tratando as mulheres. Eu já vi de tudo, mas nunca achei tão escroto quanto nos últimos tempos. As pessoas não se conhecem mais. Não saem, não tentam se dar bem, e acham que gostar de alguém é algo ruim. Os homens estão cheios de prepotência, achando que qualquer mulher vai se apaixonar por ele, porque afinal, todas as mulheres estão desesperadas para namorar e casar, e aparentemente qualquer um serve, né?

É triste como a gente não tem direito de ser quem a gente é, sem ser julgada. De agir como queremos agir. De ter que sempre ficar pisando em ovos para "não assustar o cara". Ninguém chama mais ninguém para ir ao cinema, comer uma pizza, sentar e simplesmente conversar. Para ver se bate, se encaixa, se gosta. Se envolver com alguém é coisa de gente fraca. Sentimento é coisa de idiota.

E pior que não sei de onde veio isso. E pior que quanto mais velhas vamos ficando, mais eles vão achando isso. E pior que a história se repete com toda e qualquer mulher solteira que eu conheço. E pior que a gente tá aí, levando fora atrás de fora de pessoas que nem sequer ousaram nos conhecer antes de decidir que não vale a pena.

Se pelo menos as histórias fossem mais variadas, os motivos fossem diferentes, eu pudesse ter algo engraçado ou interessante para contar aqui no blog. Mas não tem graça sempre falar: conheci um cara, ficamos, transamos e ele desapareceu. Sempre a mesma história batida. Comigo, com minhas amigas, com minhas primas, com as amigas das amigas. Ah, já mencionei que mulher não pode ter vontade de transar? Pode não, viu? É feio.

E por aí vai... nossa saga... de conhecer caras que parecem legais e no dia seguinte entram no mesmo saco dos homens babacas.

É claro que tem mulher maluca por aí também. Mas acho que cada homem que por ventura venha a ler isso sabe da diferença, sabe como é ou os amigos que tem e pode confirmar o comportamento descrito acima, se tiver coragem de ser honesto.

Enquanto isso, continuamos nessa aventura de tentar ser quem a gente quer ser nesse mundo distorcido, que está fabricando mulheres céticas em série, onde ninguém acredita mais em ninguém. Será que um dia o jogo vira e as pessoas voltam a se tratar como pessoas novamente?

domingo, 11 de setembro de 2016

Quanto tempo é tempo o suficiente?

Nossa querida Charlotte York, de Sex and the City, tem uma interessante teoria sobre o tempo que levamos para superar um amor perdido. Ela diz que o tempo correto é metade do tempo que a relação durar, mas será que isso faz algum sentido? Oras, se a pessoa termina um casamento de 30 anos, então a coitada vai demorar mais 15 anos para colocar o carro na rua de novo e isso simplesmente não faz sentido!

Brincadeiras à parte, afinal, quanto tempo demora para nos sentirmos prontos ou até mesmo livres daquele maldito sentimento de perda que nos toma quando terminamos um relacionamento ou mais uma vez nos apaixonamos sem ser correspondido?

Essa superação depende de uma série de fatores, é claro, entre eles: a intensidade do sentimento, o motivo do término, sua personalidade, o momento que está vivendo nos outros campos da sua vida, mas pelo menos para mim, o fator principal está numa palavrinha chamada CLOSURE.

É aquele momento em que vocês já não tem mais nada a dizer um para o outro, onde não há nada sem resposta, onde você vê finalmente tudo preto no branco, as coisas como elas são e aceita ou se conforma que a única saída é move on e partir para a próxima.

É impossível falar em tempo exato. 2 semanas, 1 mês, 1 ano e meio? Já tive namoros superados em um mês e paixonites não-correspondidas que mesmo depois de anos ainda mexem comigo. Quando o tal ponto final ainda não apareceu, você não consegue fechar essa gaveta.

A verdade é que, particularmente falando, como os homens não costumam gostar muito de sinceridade, eu frequentemente fico tempos e tempos viajando, analisando, rebobinando, na esperança de encontrar a resposta para aquele velho "onde foi que eu errei?", como se tudo pudesse ser simplesmente resumido a mim e/ou a alguma pisada de bola.

Porém, por mais dramático que isso possa parecer, para mim um momento crucial tem sido determinante no processo de seguir em frente e superar: o tal ver o bofe com outra pessoa. É uma dor dilacerante muitas vezes, que dá aquela pontada no coração, que mais parece um soco no estômago e que às vezes era o tapa na cara que precisávamos para acreditar de verdade que aquilo acabou. Quando a gente gosta de alguém, inevitavelmente, nem que seja naquele fundinho escuro do coração - que até nós mesmos temos vergonha de admitir que existe! - temos aquele fiozinho mirrado de esperança de uma possível volta ou milagre divino. Aquele sonho secreto de que a pessoa vai te procurar e te dizer que errou e vocês vão ser felizes para sempre.

Seria muito mais fácil que a gente pensasse de modo exclusivamente racional e rapidinho conseguíssemos ver tudo com claridade e tocar a vida, mas infelizmente, às vezes precisamos daquela medida drástica para entender coisas que não conseguimos compreender de cara.

Portanto, minha dica é: respeite seu tempo. Cada pessoa, cada relação, cada sentimento é diferente um do outro e vai levar o exato tempo necessário para ser curado. Não julgue as outras pessoas porque elas não tem o mesmo tempo que o seu - qualquer hora você pode estar do outro lado da história, pois ninguém está imune a um sentimento avassalador ou a uma relação mal-acabada.

Just TAKE YOUR TIME. MOVE ON. AND BE HAPPY.

domingo, 3 de julho de 2016

Por gentileza, tire suas mãos de mim.

Tem coisas que, por ver com muita frequência, você acaba internalizando como normal. Só que depois que você desconstrói aquilo, parece impossível de achar normal de novo. É um caminho sem volta.

Tenho trabalhado vários conceitos e desconstruindo muitas coisas que tomava como verdade e acho importante para evoluir como pessoa. Só que é muito difícil lidar com isso num mundo onde as pessoas ainda não enxergam as coisas como você. Não está entendendo nada? Vou exemplificar.

Há algum tempo comecei a pensar sobre a mania que os homens tem de chegar pegando na gente na balada. Foi uma vida inteira passando por isso e achando absolutamente normal, porque afinal de contas, "todo mundo faz". Até que eu parei pra pensar no quão absurdo isso é! Por que diabos uma pessoa ACHA que pode encostar no meu corpo sem a minha autorização?! Sempre fico pensando em como um homem hétero "machão" reagiria se um gay chegasse nele já envolvendo-o pela cintura ou passando a mão no cabelo dele. Imagina a cena!

Enfim, isso começou a me incomodar demais e comecei a reagir nas baladas quando um homem que queria chegar em mim já chegava colocando a mão.

- Oi, posso te conhecer? (com a mão na minha cintura)
- Pode, mas tira a mão de mim.

Sou chata? Sou, sim. Você não tem direito nenhum de fazer isso a não ser que eu sinalize que você pode fazer.

Eis que ontem eu estava numa balada com uns amigos e um segurança passou por mim, num ambiente onde havia espaço o suficiente para ele passar sem precisar encostar em ninguém e passou por mim passando a mão na minha cintura. Fiquei tão revoltada, que fechei a cara instantaneamente e tirei a mão dele. Ele se surpreendeu, ficou indignado e, mesmo depois de ter passado, voltou e falou no meu ouvido:

- Peraí que eu vou lavar a mão, tá? - com uma cara de puto.

Sim. Isso é sério. Eu sou assediada e ainda passo por preconceituosa. Para ele falar uma coisa dessas, ele só deve ter achado que eu achei ruim ele pegar na minha cintura porque ele era o segurança.

Aviso aos navegantes: você pode ser o rei da Inglaterra. O Brad Pitt. O Adam Levine. O dono do mundo. MEU CORPO, MINHAS REGRAS. Você não vai encostar no meu corpo se eu não quiser.

E sabe qual é a pior parte? Fiquei um tempo péssima por isso ter acontecido. Minhas amigas falaram pra eu esquecer e deixar pra lá, mas aquilo ficou me martelando! Mais uma vez, a culpa é da vítima e eu já estou cansada disso. Eu não teria que ficar me sentindo mal por ter me defendido de assédio. Mas fiquei.

Gostaria mesmo era de pegar todos os homens e enfiá-los numa escola para educá-los. Ensinar que ninguém pode fazer nada que o outro não queira, mesmo que pareça absolutamente normal porque você já está acostumado a fazer e ver todo mundo fazendo. Aprendam isso, urgentemente, POR FAVOR.

Está difícil demais começar a enxergar estando rodeada de tantos cegos.



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Encontrado anão que fugiu da casa da Branca de Neve

Em tempos de crise, utiliza-se métodos extremos para tentar colocar-se de volta ao mercado. A crise no Brasil é política, é econômica, e como não poderia ser diferente, acabou chegando aos relacionamentos e causando uma crise amorosa generalizada. Quando menos esperávamos, lá estávamos todos nós baixando e apagando o Tinder, o Happn e seus amigos.

Baixando e apagando porque esses aplicativos são uma eterna relação de amor e ódio. O negócio está tão ruim que sucumbimos à falta de bom senso e criamos alguma esperançazinha nos açougues humanos virtuais.

Acontece que a crise também chegou lá e, por causa dela, nós mulheres andamos nos divertindo muito com um novo hobby: entrar no Tinder, tirar print das zoeiras e compartilhar com as amigas, soltando todo aquele veneno que só um grupo de mulheres - solteiras, então...! - pode soltar.

Poderia passar o dia inteiro contando da criatividade dos caras, nas fotos e na descrição, comentando sobre homens que acham que o Tinder é o Catho e colocam logo o CV no perfil, pirralhos e coroas tentando se passar por homens de 30 anos, nudes não-solicitados de pessoas aleatórias, enfim, a lista de absurdos é infinita. Porém, essa semana já temos um vencedor. Para nós, apenas Dengoso.

Eis que uma amiga esses dias partilhou um print de uma conversa com um Match, onde o cara, que nunca havia falado um oi com ela, provoca o seguinte diálogo:

- Tá à toa?
- Tô na rua... por que?
- Posso te deixar dengosa??
- An? Com dengue? Kkkkkkk

É claro que ele não teve nem balls de continuar a conversar com a amiga zoeira e tocou a vida.

Num mundo ideal, ele teria se tocado do quão cafona esse papo é e mudaria de estratégia. However, nosso amigo breguete é insistente.

Dei match com um cara bem gato e a conversa começou tranquila. Aquele velho "onde você mora", "trabalha com o que", "é daqui?", blablabla, quando de repente...

- Gosta de homem dengoso?
- hahahaha Que?? Como assim?
- Ahhhh, sei lá, tô carente, precisando de um carinho, querendo um dengo...
- Ahhh, é isso? Sei lá, não sendo muito grudento, a gente até gosta.
- Mas... você é dengosa?!

WTF?! É você novamente, anão Dengoso?

Cara... Ele vai mesmo persistir no erro? Será que ele não tá vendo o quão creepy ele está soando com essa conversa esquisita?!

Pois é, é por essas e outras que a vida segue em crise em todos os segmentos e o Tinder, mais do que um app de pegação, virou a maior diversão do nosso cotidiano.

Que a gente possa qualquer dia desses ter uma conversa normal e decente com alguém e que não só o Tinder, mas o mundo como um todo, tenha menos dengosos nos assustando por aí.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

33 contra 1

Desde que começamos a escrever esse blog, temos relatado os abusos a que temos que nos submeter por causa do machismo presente na nossa sociedade.
É claro que tratamos tudo com o maior bom humor do mundo, na maioria das vezes, tentando fazer todo mundo enxergar que não se deve tratar o outro como objeto descartável, julgar, entre outras coisas, na brincadeira.
Dentro da pauta do blog também falamos de sexo, de mulheres que também dão mancada - não é só homem, claro! -, e outros assuntos pertinentes que tenham a ver com relacionamentos em geral.

Acontece que o bom humor tem que ficar guardadinho no nosso coração quando escutamos que uma garota de 16 anos sofreu um estupro coletivo, onde 33 homens a violentaram e ainda por cima filmaram e espalharam o vídeo na web.
Não tem e nunca teve graça nenhuma falar de machismo, mas sempre escolhemos o approach mais leve. Acontece que uma situação grave dessa, pede uma abordagem agressiva.

A cultura do estupro, a qual tanto nos referimos e os homens têm absurda dificuldade de enxergar, está presente em TUDO. Em tudo? Em TUDO.

O machismo está arraigado em nossa cultura de uma forma que poucos conseguem ver com clareza.

Desde pequenos, na escola, quando tinha festinha, os meninos sempre levavam bebida e as meninas comida. Era assim SEMPRE, já para ensinar para as meninas que elas tinham que cozinhar.
As meninas ganhavam forninhos, panelinhas e cozinhas equipadas de brincadeira. A sociedade já mandava seu recado desde o infância.

"Você está exagerando!". Não, eu não estou.

Piadas que denigrem a imagem e inteligência da mulher, músicas que diminuem a mulher a objeto sexual ou dona de casa, novelas, livros, comerciais de TV e propaganda impressa, programas de televisão exaltando apenas o corpo da mulher e sexualizando todos os movimentos do feminino... Poderíamos passar dias enumerando as razões pelas quais a nossa sociedade é machista e patriarcal e porque temos que lutar contra isso diariamente.

A cultura do estupro é que te dá o direito de investigar o passado da vítima (e não do agressor), como se QUALQUER COISA que ela tivesse feito na vida justificasse tamanha barbaridade. A cultura do estupro é que permite que nós saiamos para alguma festa e os homens nos abordem colocando a mão na nossa perna, na nossa cintura, puxando nosso cabelo ou tentando nos agarrar à força. É ela que também dá ao nosso marido/namorado/peguete a falsa ideia de que eles podem transar conosco a qualquer momento e em qualquer lugar, desde que ELES queiram. É ela que dá a eles o "direito" de nos julgar pela roupa que vestimos, lugar que frequentamos, quantidade de parceiros, linguajar que utilizamos, maneira como dançamos etc. É ela que causa o enorme número de imagens de mulheres nuas trocadas diariamente nos celulares e e-mails dos homens. Através dela, vem o medo de andarmos sozinhas nas ruas, especialmente à noite, e também é só por ela que utilizamos a frase "Todo homem é um estuprador em potencial", que vocês homens tanto odeiam. O são porque tem o respaldo da sociedade patriarcal, por causa de situações como essa, onde o investigado é a vítima e não o estuprador. O são porque estupro não é apenas agarrar alguém pelos cabelos e levar pro mato para violentá-la. E é isso que vocês precisam entender.

Você é um dos 33 cada vez que você vê o seu amigo sendo agressivo com a namorada e acha normal. Você é um deles quando diz "mas também com essa roupa, né?". Você é um deles quando puxa o cabelo de uma gata na balada. Você é um deles quando divide mulher em "pra casar" e "pra comer". Você é um deles quando sua peguete está altamente bêbada e você transa com ela, que mal consegue reagir. Você é um deles quando é agressivo com sua namorada que não está a fim de transar hoje.

Você sabe o que é voltar tarde do trabalho e ficar com medo de qualquer pessoa andando atrás de você, não porque tem medo de ser roubada, mas porque tem medo de ser estuprada?
Você sabe o que é ter que receber imagem de Pênis de homens que você mal conhece pelas redes sociais?
Você sabe o que é ser xingada e empurrada quando diz um "não" para alguém numa festa?
Você sabe o que é querer colocar um batom vermelho e não ter coragem porque vão te achar com cara de puta?
Você sabe o que é ter que escolher uma roupa coberta no maior calor porque você vai estar sozinha com outro homem/homens e tem medo de ser assediada?
Você sabe o que é estar passeando na rua e mudar seu caminho só para evitar aquele grupo de homens logo ali na esquina porque não quer ser assediada?
Você sabe o que é ser estuprado e ter vergonha de falar porque muita gente não vai acreditar em você e questionar a sua moral e perguntar se você não mereceu aquilo?

Não. Você não sabe. Você nunca vai saber. Você não tem direito de dizer se alguém se ofendeu ou não com algo que você diz ou fez. Apenas peça desculpas e trabalhe o conceito de empatia.

Por favor, homens. Procurem entender mais nosso lado. Não somos histéricas, somos pessoas desesperadas lutando pela nossa liberdade total. A simples liberdade de ir e vir e ser como somos.
Esse direito vocês sempre tiveram. Se pudessem ficar um dia na pele de uma mulher, iriam se unir a nossa luta num instante. Portanto, façam esse exercício de se colocar no lugar do outro antes de falar absurdos que apenas vão te colocar no mesmo bolo dos 33.

sábado, 19 de março de 2016

Espécie em extinção

Eu não sei o que se passa na cabeça dos homens para que eles façam tantas deduções equivocadas a respeito das mulheres. Além da enorme quantidade de esteriótipos com os quais temos que lidar diariamente por conta do machismo, também temos que lidar com algumas situações bastante chatas - e que desconfio que o machismo também tenha influência nisso, mas vamos analisar friamente.

A pergunta é: de onde eles tiraram que a gente não aguenta sinceridade?

Durante esses 20 anos que estou no jogo do amor (brega só um pouco), eu ouvi tanta, mas tanta desculpa esfarrapada que até agora me choco com o vasto repertório e a tamanha cara de pau de repetir clichês para dar um fora em alguém. E não só eu, mas todas as mulheres com as quais convivo também estão de saco cheio. Afinal de contas, porque vocês não viram e simplesmente falam: "eu não quero mais"? Será que é tão difícil ser transparente e ter o mínimo de consideração pelo outro? Será que vocês acham que não aguentamos lidar com a verdade?

Às vezes acho que os homens gostam que a gente fique repetindo a frase "homem nenhum presta" porque eles não andam se esforçando muito para mudar a reputação manchada.

Diante de todas as desculpas esfarrapadas do mundo, o pior pra mim ainda é o tal do CHÁ DE SUMIÇO. Sério... para que isso? Será que é necessário agir como um moleque, se acovardar e desaparecer do mapa? Será que é melhor do que olhar no olho da outra pessoa e falar que não rola mais? Vocês acham mesmo que a gente prefere isso?

Ei, calma aí! Em nenhum momento eu disse que era super divertido levar um toco. Entretanto, menos divertido ainda é você ficar surtada imaginando o que aconteceu, se o sujeito morreu, se você fez alguma coisa de errado, se o celular dele caiu na privada, se foi abduzido, quando no fundo ele apenas não teve balls para te dizer "não".

Quantos homens ficam anos em relacionamentos falidos por pura falta de coragem de colocar um ponto final em algo que já não tem mais conserto? Quantos inventam histórias mirabolantes para tentar justificar um sumiço que só poderia ser explicado por coma ou morte, subestimando nossa inteligência, só para não ter que falar a verdade e nem parecer canalha?

Nunca vi uma mulher não querer ficar mais com um homem e simplesmente desaparecer. Geralmente temos a tal da conversa honesta e damos o toco. Não é agradável, mas traz paz de espírito e mostra que você tem respeito pela outra pessoa.

Já tá ficando chato, rapazeada. Já deu preguiça. Deixa a titia contar um segredo para vocês: a gente aguenta tomar toco. Dói? Sim. É chato? Demais. Vamos chorar? Provavelmente. Mas daqui uns 3 dias estamos conformadas e de cabeça erguida novamente, procurando mais sarna pra se coçar.

Portanto, peço encarecidamente, pelo amor de Deus, sejam homens com H e tenham a decência de ser verdadeiros e transparentes. Parem de falar coisas que não sentem, contar histórias que não aconteceram, inventar desculpas esfarrapadas e aprendam a lidar com as consequências dos seus atos. E se você não faz isso, mas tem amigos que fazem, dá um toque no brother aí. Manda ele largar de ser otário e enfrentar a vida com maturidade.

Definitivamente, homem sincero é uma espécie em extinção!

__________________________________________________________________________________________________________________________

PS: se você faz parte da minoria de homens que é sincero, por favor, não se ofenda à toa. O post é direcionado para quem não é. E é claro que também existem mulheres que não tem coragem de ser sinceras, mas a minha vivência é com os homens, então essa é a minha perspectiva.
E só lembrando que esse blog se baseia em generalizações, portanto, não precisa comentar se defendendo de algo que você não faz. Se você não se identificou com o comportamento descrito no post, parabéns, você faz parte da exceção.

terça-feira, 8 de março de 2016

Machismo x Feminismo – para entender de uma vez por todas


Muito me entristece que cheguemos no ano de 2016 e eu ainda tenha que escutar mulheres dizendo que odeiam feministas ou que não são feministas, mas sim humanistas, ou que não precisam do feminismo ou que feministas são chatas.

Tudo isso só tem dois possíveis motivos. Das duas, uma: ou você realmente não sabe o que é feminismo – e acha que sabe - ou você é machista. Se você não sabe, isso é muito fácil de resolver. Se você é machista... bem, é mais difícil de resolver, mas não impossível.

Vivemos em uma sociedade machista e é claro que, mesmo nós que nos declaramos feministas, às vezes soltamos uma frase machista, nos comportamos de tal forma, enfim, a cultura de uma sociedade patriarcal está arraigada dentro de nós e isso é algo que temos que nos policiar e combater dia após dia. Por isso, acredito que destruir o machismo dentro das mulheres não seja impossível.

Há pouco tempo, eu não sabia o que era feminismo. Sempre fui, mas não sabia que era [feminista], então dizia que não era, porque só escutava o povo falar mal do movimento. Até que resolvi ir atrás e estudar um pouco sobre o assunto. Não é preciso ir muito longe, basta jogar no Google a palavra FEMINISMO e bam, lá está no WIKIPEDIA:

“Feminismo é um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de gênero”.


Ou seja, o feminismo, ao contrário do que muitos pensam, não quer oprimir o sexo masculino – e portanto, não é o oposto do MACHISMO – e sim buscar a igualdade de gênero, dando à mulher o mesmo poder de escolha que foi dado ao homem desde o início dos tempos. O machismo é a opressão do homem sobre a mulher.

Homens que acreditam na igualdade de gênero são feministas. E mulheres que acreditam que os homens merecem mais que nós ou que tem direito sobre nós de alguma forma são machistas.

Vai aí uma lista de atitudes aleatórias e aparentemente inocentes. Se você ler e se identificar, fique atenta. Moça, você é machista.

- Chamar alguma mulher de piranha por causa da roupa que ela está usando.
- Achar que quem tem que cozinhar, lavar e passar em casa é só a mulher e que quem troca pneu, instala Internet ou entende de carro é só o homem.
- Achar que mulheres tem que ter cabelo longo, falar delicadamente e se comportar como “mocinha”.
- Descobrir uma traição do seu namorado e ir querer tirar satisfação com a menina e não com ele.
- Achar que futebol, luta ou subir em árvore não é coisa de menina.
- Achar válido que um homem ganhe mais que uma mulher, pelo mesmo serviço executado.
- Achar que quem tem cuidar dos filhos são as mães e os pais não.
- Dizer que alguém é um “super pai” porque o viu trocando fralda, dando banho ou cuidando do seu filho de qualquer forma. Ou seja, ele está “ajudando” a mãe.
- Achar que fulano é um ótimo marido porque “ajuda” a esposa nos serviços de casa.
- Proferir frases do tipo “também, olha a roupa que ela sai de casa” ou “olha o jeito que ela dança” ou “mulher não devia beber desse jeito” para justificar casos de estupro.
- Achar que o homem tem que pagar a conta sozinho, pronto e acabou.

Poderia passar 3 anos fazendo essa lista e não terminaria. O fato é que o machismo domina a nossa sociedade, mas graças a Deus existiram – e existem - mulheres que enfrentaram o patriarcalismo em busca de justiça e igualdade de gênero. E por causa delas, hoje podemos estudar, trabalhar, votar, escolher nossos maridos, nossas carreiras, nossas roupas (apesar de que alguns desses direitos ainda estão no caminho de serem completamente concretizados). Portanto, cuidado ao dizer por aí que não precisa do feminismo. Graças a ele, você não vive como sua bisavó viveu – provavelmente num cárcere privado, sem poder fazer nada que quisesse.

“Mulher quer igualdade? Então vai ter que carregar as compras sozinhas, trocar pneus, pagar a conta”. Ok, machista. Presta atenção: mulher pode fazer o que ela quiser. Homem também. Contanto que ninguém desrespeite o outro. O seu direito acaba quando começa o meu. Quando falamos sobre igualdade, não estamos falando de mulher = homem. Cada gênero tem suas habilidades, facilidades, particularidades. Quando falamos de igualdade, nos referimos aos direitos e deveres, guardadas às devidas particularidades de cada um. Não me venha com seus argumentos vazios para não perdermos nosso tempo, ok?

Caras mulheres, companheiras de tantas lutas, que compartilham comigo o medo de andar sozinha à noite e ser estuprada. De ser assediada na rua, no ônibus, no trabalho, na faculdade. De usar roupa curta e ser taxada de vagabunda. De casar tarde (ou não casar) e ser chamada de encalhada. De usar cabelo curto e ser rotulada de sapatão. De ser lésbica e ter que ouvir convite de homem para fazer ménage. De ouvir piadas de duplo sentido dos amigos. De ter que fazer todo o serviço de casa enquanto seu irmão, marido ou pai assiste televisão. De falar palavrão e ser chamada de mal-educada (porque isso não é coisa de mocinha). De sofrer com cólica e TPM e ouvir que “é frescura”. Apenas nós sabemos a dor e a doçura de ser mulher. Um homem nunca vai saber o que é, mas são bem-vindos se quiserem ter empatia ou tentar compreender e nos apoiar. A luta continua diariamente! VAMOS NESSA!

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

domingo, 17 de janeiro de 2016

Demasiadamente mimizentos (ou não?)

Não, cara. Bom humor e sarcasmo só podem ter saído de moda e eu não fui avisada - o que é seríssimo, considerando que trabalho bastante nas duas áreas.

Como se já não bastasse o enfezadinho do último post que me chamou para fazer sexo e me chamou de baranga e bruxa quando eu recusei, sou eu mesmo ou os caras andam com uma dose extra de mimimi na genética?

Lá estou eu, novamente brincando de Happn, quando rola um CRUSH! Goody! Let's talk!

O carinha veio super animado:

- Oiiieeeeee!
- Nossa, que animado! Hahahahaha Oiiii!
- Claro! Combinar com uma mulher tão interessante é motivo de animação?
- Interessante? Mas a gente nem se conhece ainda! kkkkkkkk Mas curti a empolgação!
[Pausa Dramática]
- Nossa... desculpa aí pela animação! Boa noite, senhora.
- Eiii! Calma! Eu não tava achando ruim, não!
- Você foi extremamente grossa. Não precisa ser tão ríspida.
- Não foi minha intenção! Sério mesmo! Perdão!
- Boa noite, senhora. E boa sorte, viu? Estou bloqueando o seu contato!
- Oo

Por favor, me ajudem! Eu realmente fui grossa com ele?? Porque pra mim, tava muito claro que eu estava brincando e admirada com a animação dele.

E estou começando a achar que realmente o problema sou eu, porque não faz muito tempo eu tive uma briga imensa com um mocinho aí porque fiz uma brincadeira e ele jurou que eu tava falando sério. O que foi ainda mais chocante para mim, tratando-se de um cara que me conhecia relativamente bem e should know better.

Mas sério, das três, uma: ou os homens armaram um complô contra mim, ou eu tô fora de moda com meu humor sarcástico ou realmente eu só tô cruzando com homem mimizento para cacete! Será possível?!