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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Estamos andando de ré?

 Quando comecei a escrever esse blog, eu tinha 20 e poucos anos. A razão pela qual começamos a escrever (para quem não sabe, esse blog era um blog de 5 amigas que depois virou só meu) foi a quantidade de histórias estranhas que vivíamos com os homens. Já nos assustava em 2009 e resolvemos brincar com tudo aquilo com bom humor e muito sarcasmo e crítica. Dito isso, eu confesso que aos 38 anos eu não imaginava que as coisas iam piorar. Nos últimos anos, o sentimento é de total desespero entre todas as mulheres hetero solteiras que eu conheço. A verdade é que parece que a humanidade está andando de ré. Evoluímos ou os homens pararam no tempo? Ou melhor, estão regredindo, porque para ser sincera, está dando até saudade das coisas que passávamos aos 20 anos. Ali nós poderíamos entender a falta de maturidade, de experiência, a vontade de viver tudo ao mesmo tempo, o processo de aprendizado... Mas o que justifica homens 30+ agindo da seguinte forma:

Eis que minha amiga *Helena (sempre usando um pseudônimo para proteger a identidade de nossas heroínas) foi passar o fim de ano na cidade de São Paulo com sua família. Helena tem 38 anos, um filho de 12 e já é divorciada. Ou seja, essa mulher já viveu poucas e boas. Mas um rapaz paulista conseguiu fazê-la viver um fato inédito: ser chamada de "desumilde" por ter se negado a ter um date dentro de um carro.

Explicando: ela ligou o Tinder por lá, conheceu um povo, conversa vai e conversa vem com um cara e o tal a convidou pra sair. Todo empolgado, super animado para conhecê-la. Ela pediu que ele sugerisse o local, porque não era de lá e não sabia de bons lugares. Eis que a seguinte conversa acontece (vai ter print porque aqui a gente mata a cobra e mostra o pau):




O sujeito teve a pachorra de sugerir que eles tivessem o primeiro date deles dentro do carro. Eu não sei o que se passou na cabeça dele, sinceramente. Ou esse homem não tem dinheiro para pagar um cachorro-quente na rua, ou esse homem ficou com medo de ela não ser o que parecia nas fotos, ou esse homem tava com medo de ela ser um assassino, ou esse homem não tem a menor noção da violência das cidades grandes, sei lá. Eu juro que a gente fica tentando entender e não encontra nenhuma explicação plausível!

Ela, então, ainda muito paciente, sugeriu que eles fossem a um café. Ele pareceu ter achado tranquilo.




Ela então foi se arrumar, tomou banho e o avisou quando estava pronta. Ele demorou 40 minutos para responder. E respondeu assim:



O cara cobrou humildade da pessoa dizendo que era médico três vezes em menos de cinco minutos, começamos por aí. Mas vem cá... esses cara tão tudo maluco?! Alguém me responde, porque é difícil de acreditar nas coisas que a gente anda vivendo por aí. Tudo parece pegadinha do Silvio Santos! É tão inacreditável que você fica se perguntando se aquilo realmente aconteceu. Se não tivesse print, ia parecer coisa inventada. Parece até que ela sugeriu ir a um restaurante com estrela Michelin. O cara simples coringou e ainda veio querer dar lição de moral com historinha triste. Agora dá para imaginar porque faz um ano que ele não sai com ninguém, né? Deve estar faltando mulher que tenha coragem para ter um date dentro de carro. 

Eu não encontro nem as palavras para terminar esse post.
Tá muito triste, gente.
Melhorem. Mas assim, melhorem MUITO. E urgentemente.
Procurem ajuda, vocês não tão bem, não!

E assim começa nossa temporada de caça de 2025... Deus abençoe o rolê!







sábado, 2 de outubro de 2021

Não pegue o boomerang. Não vale à pena.

Quando o universo te livra de gente maluca, você escute, viu? Porque se voltar que nem boomerang você devolve. Não pegue o maldito do boomerang! Eu peguei. 

Já tinha dado match com esse cara no Tinder uma vez. As fotos dele eram super bonitas e a descrição do perfil irreverente, fora do lugar comum, o que costuma me agradar. A nossa conversa foi meio estranha, não marcamos de sair e segui a vida.

O vi algumas vezes no app de novo, mas passava reto. Um dia, depois de tantas vezes ignorar, dei like. Peguei o boomerang, gente. E deu match.

Começamos a conversar, inclusive constatando que já tínhamos dado match antes, mas que não lembrávamos direito porque não tínhamos saído. Ele me chamou para sair no mesmo dia. Na verdade, a ideia dele era já vir aqui para casa ou que eu fosse para casa dele (detalhe que ele mora com a mãe). Eu disse que não topava, que ele era um desconhecido total e que não achava uma boa ideia trazer de cara para dentro da minha casa. Ele argumentou dizendo a seguinte frase icônica:

- Mas eu tenho 13 gatos e gosto de Pokemon. Que mal eu poderia te fazer?

Eu fiz aquela cara que quem me conhece bem já pode estar imaginando aí e perguntei:

- Só porque você ama os animais e gosta de coisa de criança eu tenho que confiar em você? Se tem pai que estupra filha, uai!

Enfim, marcamos uma pizza. Chegando no local, ele não parava de falar de si mesmo. O quanto ele era legal, evoluído, as experiências que ele teve, a quantidade de minas que ele já pegou, como ele sempre vira amigo das mulheres que fica, as decepções que teve, a ex... A ex apareceu na conversa do app e depois pessoalmente. O cara era tão self-centered que até quando perguntou sobre mim, foi para rebater com coisas sobre ele. O cara era tão carente que depois de uma hora conversando, perguntando o que eu tinha achado dele (não façam isso, homens, é BROCHANTE!). O cara era tão sem filtro que achou apropriado me contar que já teve primeiros encontros no tinder onde ele acabou na cama com a mulher pedindo para ela penetrá-lo no forevis.

Como se a conversa toda não tivesse sido um mar de red flags, o cara pediu a conta DO NADA, sem nem me perguntar se podia, se eu queria comer mais ou algo parecido. O que me pareceu o tempo todo é que minha opiniões, desejos e vivências eram nada relevantes para aquele encontro. 

Dei um abraço nele e segui em direção ao meu carro para ir embora. Ele morava na quadra da pizzaria, então foi indo para casa à pé. Enquanto eu colocava o cinto e ajeitava uma musiquinha para ouvir durante o caminho, ele voltou e me questionou porque eu não tinha ficado com ele. Ofereci uma carona, ele entrou no carro e fomos conversando amenidades até lá. Chegando na casa dele, eu parei o carro e disse que não tínhamos nada a ver e que, ainda por cima, ele estava obviamente ainda envolvido com a ex. Ele tentou se esquivar, dizer que não era bem assim, que estava meio triste ainda, porém superado (aham). Eu disse que não tínhamos nada em comum e que não iria rolar nada entre nós. 

Nesse momento, ele resolveu colocar a cereja em cima do bolo e revelar que o motivo maior de frustração era porque sua intenção era fazer uma perfect week.

Para quem não pegou a referência, cata aqui: no seriado How I met your mother, tem uma personagem chamado Barney Stinson (interpretado por Neil Patrick Harris). O personagem é um mulherengo, gordofóbico, etarista, boçal. Em um dos episódios, ele se empenha para completar um perfect month: 30 mulheres diferentes em 30 dias do mês.

Agora me fala... se a referência de homem para alguém é o Barney Stinson, ele tem no mínimo um caráter duvidoso. Se ele ainda tem coragem de falar abertamente na cara da pessoa, ele não tem noção e nem respeito. 

E a partir de agora, eu prometo solenemente não pegar mais o boomerang. No good can come from this.


sábado, 6 de março de 2021

La friendzone






Todos já ouviram falar, muitos já frequentaram. A famosa "friendzone" nada mais é que você acabar no território de amigo e aquela pessoa que você está a fim não conseguir te olhar de outra forma. Pode ser que você tenha ficado a fim de quem você já era amigo ou pode ser que você tenha se tornado amigo demais da pessoa que você quer ficar. Acredito que os homens passem muito mais por isso do que as mulheres.

COMO ESSE FENÔMENO ACONTECE?

Primeiramente, por você ser a melhor pessoa do mundo com ela. Se preocupar, trazer mimos, ajudar a resolver os problemas, ser todo respeitoso, estar sempre disponível etc. 

MAS ISSO É RUIM?!

Pode ser, quando você deixa nesse campo e esquece da sexualidade. Você precisa deixar suas intenções claras. Não adianta você achar que a pessoa vai te querer apenas por você ser um cara super bacana. Tem que ter toque, pele, aquela brincadeirinha de duplo sentido, aquele elogio mais safadinho, aquele abraço com mais pegada, um cheiro no cangote. E o convite para sair não pode demorar muito. Se você ficar construindo território por muito tempo, a cada dia você vai entrando mais e mais na friendzone e a maioria dos casos é irreversível. 

COMO SABER SE ESTOU NA FRIENDZONE?

Se a pessoa começar a falar com você sobre outras paqueras... pode saber que já era. Ela não sacou que você queria algo mais (porque você com certeza não foi claro) ou ela não te olha dessa forma, e aí não tem jeito. Não tem como forçar a barra. Às vezes até ela te via como uma opção no começo, mas como você nunca demonstrou interesse nesse sentido, nunca a chamou para um date, ela achou que estava viajando. 

TEM COMO SAIR DA FRIENDZONE?

É difícil, mas não custa tentar, né? Se você perceber que ela tá te vendo só como amigo, você precisa imediatamente abrir o jogo. É a única solução. Não é garantia de que vá dar certo, mas quem tá no inferno, abraça o capeta. Tem a chance de, quando você falar, a sementinha ser plantada ali na cabeça. Se ela não te olhava daquela forma, de repente comece a considerar. Talvez demore um tempo. Se ela te der um fora, se afaste. Não continue sendo o fofo dos fofos (mas também não é para ser idiota, claro), porque dessa forma ela nunca vai te olhar mesmo como algo mais. Se você não acha que está pronto para se declarar, mude de postura. Seja menos fofinho e mais "pra frente". Já vai dando as indiretas, o lance é não deixar dúvidas de que você a deseja de outra forma

E se não der certo... parte para outro, my friend (desculpe o trocadilho infame!). E aplica as lições aprendidas na próxima vez. O que não tem remédio, remediado está.

E aí, pessoal? Já frequentaram a zona? Ou ao final desse post percebeu que tem alguém na sua vida que você pode estar colocando numa friendzone? Comenta aí e compartilha esse post com quem você achar que precisa ler essas coisas! 😅

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Falha na comunicação

Já escrevi aqui reclamando sobre a pouca habilidade dos caras de se comunicar nos aplicativos de paquera. É muito comum dar match com eles e ninguém puxar assunto (ou não responder quando você puxa). É comum também conversas monossilábicas, onde o cara só responde o que você pergunta. E também aquelas conversas que não duram 24h. 

Pois bem, não sei se foi a quarentena que deixou todo mundo meio zureta, mas agora os caras, em vez de fazer o mudo, tão falando horrores. E já de cara. Não dão nem oi, já chegam com o pé nos peito da gente. Mas é aquele negócio né... margem de erro para mais ou para menos, eles continuam com aquela dificuldade imensa de falar alguma coisa que faça sentido. 

Olha só esses macholinos que encontrei por esses tempos:





Bom, primeiramente esse rapaz enviou a mesma mensagem EXATAMENTE igual, o que me leva a crer que ele deu um Ctrl C + Ctrl V bonito e deve mandar a mesma coisa para várias mulheres.





Esse aqui tentou ser romântico, mas só passou                                                         por peão mesmo.






Esse é o meu preferido! O cara sem empolgou e deixou minha autoestima em dia hahahaha 

Um gênio!







Eu demorei uns 35 minutos para ler o currículo do Catho que ele me mandou, mas fiquei bastante impressionado mesmo foi com as marcações em caixa alta. Dedicado o rapaz. Deixa essa palavra mesmo.







Se descreveu como "peculiar". Você iria?





 É o que, moço?! Não entendi nada! hahahaha






Sério... QUÊ?!



O clássico "quando uma imagem vale por mil palavras", né?! Divirtam-se. Porque pelo menos para dar risada esses apps ainda estão funcionando! 


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O esquerdomacho

Por conta do BBB do ano passado, onde pautas como o feminismo e o racismo foram assuntos em evidência entre os participantes e definiram toda a dinâmica do jogo, o BBB21 começou com uma pegada bem diferente. Esse debate já entrou com força desde o primeiro dia do programa e iniciou-se um perigoso jogo de cancelamento dentro da própria casa e um clima de bastante intolerância.

Dentro dessa temática, surge uma figura que eu ainda não tinha catalogado aqui no blog: o esquerdomacho. Representada principalmente na figura do Fiuk dentro da casa, o esquerdomacho é aquele homem que paga de desconstruidão, de apoiador de causas como feminismo e racismo, mas no fundo não passa de um macho escroto do mesmo naipe do hetero top que tanto criticamos. É um executor ferrenho de práticas como maninterrupting e mansplaining. É aquele que pede desculpa por ser homem e nos faz revirar os olhos num movimento de 360º.

Para começar, o Fiuk estragou expressões como "desconstrução", "reconhecer seus privilégios" e "lugar de fala". Está usando de forma leviana, querendo "converter" pessoas como se ele fosse o suprassumo entendedor das causas. 

Eu não estou aqui para cancelar ninguém. Eu acredito muito na aprendizagem, na evolução das pessoas - até porque, se não acreditasse, esse blog nem existiria, porque eu o vejo como uma ponte para aprender, não só uma chuva de críticas. Porém, o que falta para quem está aprendendo esse tipo de coisa, é ouvir mais e falar menos. Aprender é colocar em prática, muito mais do que arrotar lições de moral em qualquer pessoa que aparecer na sua frente. Na maioria dos casos, o cabra presta um serviço de muito mais qualidade se mantendo de boca fechada.

O Fiuk, por exemplo, nos primeiros dias de jogo, pareceu ser super sensato, aberto, acolhedor. Seu jeito carinhoso conquistou a paraibana Juliette, que logo começou a imaginar coisas românticas a seu respeito (chegando até a deixar o público impaciente com tamanha empolgação). Fiuk estava lidando  com o assunto de forma leve, mas agora, percebendo seu poder sobre a moça, usa de um tom arrogante e superior para falar com ela e dela (mas sempre com a fala bem mansa, repare), chegando a humilhá-la e fazendo-a sentir burra e não-autêntica. Esse é um dos comportamentos-chave de um esquerdomacho. Clica aí embaixo para conferir o ataque:


Fiuk praticou maninterrupting pesado com Carla Diaz (e tem feito isso com frequência) e já é conhecido na casa como um participante que não deixa ninguém falar. Depois de ter ido atrás dela para, supostamente, saber se estava bem e queria conversar, ficou debochando dela com outros participantes da casa. Também já vimos cenas onde ele "explica" para Carla seu lugar de privilégio num tom bastante presunçoso, fazendo-a sentir culpada por ter nascido branca e por ser uma artista bem-sucedida. Isso passa bem longe do objetivo de ensinar alguém a reconhecer seus privilégios. Reconhecer seus privilégios é um passo para que você use sua voz, que é ouvida, para ajudar quem não é ouvido (entre outras coisas, claro). Não deve ser uma ferramenta para fazer alguém que não tem culpa de ter nascido privilegiado se sentir mal por sua condição natural. Clica aí embaixo para conferir a palestrinha:


Li no Twitter (não vi essa cena) que as meninas estavam falando sobre tamanho de seios e o Fiuk chegou dizendo que corpo natural é lindo, que ele se amarra em seios pequenos e coisa e tal. Já falei aqui brevemente também sobre a mania que os homens tem de palpitar sobre nossos corpos. Com certeza ele achou que estava arrasando com esse comentário, já que a sociedade idolatra mulheres com seios grandes. Porém, mais uma vez, ele chega dando palpite em coisas que desconhece. Não experimenta da dor da pressão dos padrões estéticos sobre a mulher, dá opinião que não foi solicitada e palestra sobre assuntos que nunca lhe dirão respeito. Clássico esquerdomacho.

Fiuk é tão sem noção que soltou frases como "eu tive uma vida muito difícil", "ser pobre é uma delícia" e "não sabia que eu ia passar fome aqui", numa sala onde havia pessoas que cresceram na periferia, sem 1% das oportunidades que ele teve e possivelmente tendo algum que realmente tenha passado fome. Isso prova o quanto o discurso dele é incoerente com suas ações. Se tem uma coisa que ele não sabe ainda é reconhecer seus privilégios, embora não se acanhe em puxar cada participante da casa num canto e vomitar seu discurso decorado de livro. 

Portanto minha amiga, quando você conhecer um cara que paga de desconstruidão por aí, tome cuidado. Já fique de olho nesses sinais de alerta, porque se ele for um esquerdomacho, aparecem rapidinho. 

Para terminar, deixo esse vídeo sensacional da Ademara (uma influencer comediante de Pernambuco maravilhosa!) com uma ilustração do esquerdomacho clássico:



segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

O homem-gambá

Essa quarentena mexeu com nossas cabeças de um jeito que nem Freud explicaria. Em nome da carência, algumas pessoas aceitaram coisas que até Deus duvida. E é nesse espírito que venho contar a história da nossa heroína do dia. 

Eliane um dia foi visitar uma sobrinha e conheceu uma amiga dessa sobrinha, que disse ter um irmão para apresentar para ela. Gustavo, o tal irmão, adicionou Eliane no Instagram e assim começaram a se conhecer.

Tudo foi estranho desde o começo. Gustavo insistia para que Eliane o recebesse em sua casa e chegava a ser inconveniente com a insistência. Porém, como a carentena bateu forte, Eliane acabou cedendo um dia desses e o rapaz foi parar em seu apartamento. 

Era a primeira vez que se veriam, mas pelo jeito ele não se preocupou nem em tomar um banho. Chegou com aquele fedor de quem passou o dia todo na rua e isso já deixou Eliane bastante desanimada.

Ainda assim, a carentena não deixou de falar mais alto e quando menos esperava, ela estava na cama com um cara que gritava OHHHH a cada enfiada e que urrava feito um gorila na selva quando gozava; ela nunca se esforçou tanto na vida para não rir. 

Alguns dias depois, a carentena bateu novamente e Eliane deixou Gustavo fazer uma segunda visitinha. Dessa vez, ele se superou e trouxe, junto com o já conhecido cheirinho azedo de sovaco vencido, um chulé insuportável. O futum empesteou o apartamento, ela teve que arreganhar todas as janelas numa tentativa desesperada de se livrar do odor do bofe. A paciência estava no talo. Ele sentou-se no sofá e jogou as pernas por cima dela, prendendo sua circulação. Foi o fim. Dessa vez não teve carência que desse conta, Eliane teve que se livrar do homem-gambá.

Depois de alguns dias sem dar muita moral para ele, ela recebe uma mensagem dizendo:

- Você está estranha. Você deve ter algum problema. Você ainda pensa muito no seu ex, né?

- É, você tem razão. Penso MUITO no meu ex.

O mais bonito desse tipo de homem é que ele nunca acha que o problema é ele. É o que a gente sempre diz: a autoestima do homem hetero precisa ser estudada.

E pasmem, quando ela achou que havia passado por tudo o que tinha que passar com esse homem, ele comenta um de seus stories dizendo:

- Quero você com esse bocão aí!

Às vezes é melhor ficar na carência, galera. Vai por mim. Nada é tão ruim que não possa piorar. 

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*Todos os nomes desse post estão com nomes fictícios, como sempre fazemos nesse blog.

domingo, 20 de dezembro de 2020

Tratamento especial?

Esse ano passei por uma situação delicada que quanto mais eu analiso, menos eu entendo onde foi que as coisas se perderam.

A gente fala em não criar expectativas, mas a verdade é que tudo é bullshit. O ser humano é um criador nato de expectativas e com uma boa dose de encorajamento, a coisa tende a desandar de forma desgovernada. O resultado é quase sempre um coração partido e uma quantidade infinita de "por quês".

É claro que eu não entrei imaginando que ia dar tudo certo. Afinal de contas, quando você resolve se envolver com uma pessoa que terminou um namoro de mais de uma década há pouco tempo, você já sabe que a chance de se dar mal é grande.

Mas essa probabilidade significa nada quando você e a outra pessoa parecem estar conectados de uma forma inexplicavelmente boa. Quando tudo parece estar em sintonia, quando você finalmente encontrou aquele cara que atende todos os requisitos da sua check list dos sonhos, o resto se torna invisível.

O cara te trata como rainha. Te apresenta para os pais. Te busca no aeroporto quando você chega de viagem. Te manda mensagem todo dia. Vai atrás das suas amigas para saber se você está bem quando você demora a avisar que chegou em casa. Lembra que você sonhou com um chocolate e compra o tal chocolate para te dar de presente. Olha para você com carinho, e diz o quanto ele está feliz, de forma constante. Te lembra toda hora o quanto você é maravilhosa e o quanto traz luz para vida dele. Faz planos com você. Te coloca no grupo de whatsapp dos amigos dele. Dorme na sua casa todo FDS. Quem não vai criar expectativas? Quem vai lembrar que tem ex fresca na cabeça dele?

Os sinais começam a aparecer de leve, mas ele continua bom em te deixar tranquila e não ter medo de baixar a guarda. Você baixa.

E logo, logo toma um pé na bunda por mensagem. Como se isso fosse válido em qualquer situação. E com as palavras mais frias que nem parecem estar vindo daquela pessoa que te fazia se sentir tão bem e amada.

O problema é que tem uma categoria "nova" de caras babacas por aí: eles acham que tem que tratar toda mulher como se fosse a mais especial do mundo. Que isso é ser um cara decente, um bom moço. I'll tell you what... PAREM! 

Não confundam respeito, sinceridade, transparência com brincar com os sentimentos das pessoas. Vocês não precisam tratar toda mulher como a mais especial do mundo. Para ser considerado decente, só é necessário ser respeitoso e honesto. O resto já é alimentar um amor que você não pretende colher e isso é TÃO cruel! 

Cada vez que olho para trás, me pergunto se o que vivi foi verdadeiro de alguma forma e como pode ter sido tão insignificante para outra pessoa quando foi tão importante para mim. E não adianta ele dizer que "não é bem assim"; quando alguém não tem coragem de olhar nos seus olhos e explicar porque não pode mais estar com você, já é um atestado de que você não teve tanta importância assim. E dói. Para cacete. Quando as palavras não têm coerência com as atitudes, elas são irrelevantes.

Então, eu peço, rapazes... Tratem bem as pessoas com as quais vocês se relacionam. Isso significa ter respeito e ser honesto. Se não está preparado, se não tem intenção de se abrir, não alimente. Não transforme aquilo numa relação se realmente não quiser uma. Seja educado, mas não aja como se estivesse super envolvido se não estiver. O que te faz ser babaca não é querer ou não alguém, mas a forma como você lida com esse não querer, com seus sentimentos e os da outra pessoa. Tenham responsabilidade afetiva. Se recuperar da impressão de ter passado um tempão vivendo uma mentira é muito doloroso.

Honestidade sempre vale a pena. Seja honesto com você e com os outros.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

O dia em que legalizaram o estupro no Brasil

O dia em que legalizaram o estupro no Brasil - o vídeo


Hoje eu morri um pouquinho. Vivi para ver um juiz inocentar um estuprador mesmo cheio de provas. E isso me matou.

Fica até difícil colocar os sentimentos em palavras porque é um nível de revolta que nos deixa atônitas, sem ter mesmo como se expressar. 

Como se o nosso país já não fosse super perigoso para ser mulher, eles conseguiram deixar ainda pior. Levantaram a possibilidade de que é possível estuprar sem ter a intenção.

Ler a reportagem do "The Intercept" sobre o julgamento foi a mesma sensação de ficar de cabeça para baixo depois de ter comido muito. Náusea. Vontade de vomitar.

Como se costuma fazer por aqui, expuseram a vida da vítima. Mostraram fotos de seus trabalhos de modelo, com pouca roupa, fazendo poses sensuais. Questionaram sua integridade, sua moral, suas motivações. Disseram até que não gostariam "de ter uma filha do seu nível". Humilharam-na de todas as formas possíveis, com a permissão do juiz. O ás da justiça.

E aí, quando imaginava-se que não podia ficar pior... Emitiram a sentença por falta de provas, com a fundamentação de que não tinha como ele saber se a vítima estava em condições de reagir ou não e que não existe categoria culposa do crime de estupro de vulnerável; portanto, o crime não teria acontecido. Aos que não entendem, isso significa que o réu "não teve a intenção de estuprar". 

Agora me diga... como alguém não tem intenção de estuprar?! Ninguém transa com alguém à força sem querer. Isso é tão absurdo, tão ridículo, que parece até sem noção explicar. E por não existir esse crime previsto em lei, André Aranha, o estuprador, foi absolvido. MAS É CLARO QUE NÃO EXISTE ESSE CRIME EM LEI. Isso não existe! Não existe estupro não intencional! Existe uma sociedade bosta, misógina, imunda, QUE QUER NOS MATAR.

A partir de agora, quantos estupradores serão absolvidos sob a alegação de "estupro culposo"? Quantos advogados alegarão que seu cliente não teve a intenção de estuprar? O termo [estupro culposo], de fato, não foi utilizado como tal, mas a interpretação pode se dar dessa forma. Há muito mais escrito nas entrelinhas dessa sentença (e na forma como esse julgamento foi conduzido) do que apenas as palavras que podemos ler. Legalizaram o estupro no Brasil, minha gente. LEGALIZARAM o estupro no Brasil.

É pra combater essa cultura assassina que blogs como o meu existem. Para denunciar, para gritar nossas dores, para que eles saibam que não vão nos calar! Que por mais que passemos por coisas absurdas como essas, não passaremos caladas e passivas! 

Hoje, eu tenho dois pedidos para vocês:

1) Assinem a petição Abaixo-assinado por Mariana Ferrer

2) Compartilhem esse post com o máximo de mulheres que puderem (e homens que nos apoiam também, claro!)

Mexeu com uma, mexeu com todas! Vamos colocar a boca no trombone!


"O estado opressor é um macho estuprador."


PS: Após ler a sentença do juiz na íntegra, alterei algumas coisas do post. O estuprador foi, na verdade, condenado por "falta de provas" ou "provas fracas". Porém, na apelação o promotor cita a "falta de dolo", o que caracterizaria que ele acha que alguém pode estuprar sem ter a intenção.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Deixe o seu passarinho dentro da gaiola

 Esses dias estava conversando com umas amigas e uma delas foi contar uma história bem conhecida da maioria das mulheres solteiras: conheceu um cara num aplicativo, conversa vai, conversa vem e, no mesmo dia, quando ela menos esperava... BAM! Rola não solicitada. Seguido de vídeo se masturbando não solicitado. 

Eu queria dizer que essa história me chocou, mas a verdade é que já ouvi tantas vezes esse relato de diferentes mulheres que só conseguia pensar "oh, yeah, it seems about right".

Sinceramente, eu não sei o que se passa na cabeça de um cabra que faz isso. Primeiramente, não conhece mulher AT ALL, né? Nós não somos como vocês, que só de olhar para um órgão sexual já ficam em ponto de bala. Nossa excitação é um pouco mais complexa que isso. É cheiro, é toque, é conexão, é audição. Se você quer saber, quando você manda essas fotos, a gente só encaminha para as amigas para dar risada. 

Segundamente, o que te faz pensar que vamos ficar felizes em ver o pinto de uma pessoa que conhecemos há menos de 24h? Meu bem, se não foi solicitado, não envie. Uma coisa é você estar no meio de um sexting (sexo por mensagem), ou naquela vibe falando do assunto e aí tem todo um contexto para envio de fotos safadas; outra coisa é você num minuto perguntar em que a pessoa trabalha e no outro minuto mandar foto da sua jeba. Além de nada sexy, é invasivo e inconveniente. 

Pensando nessa perspectiva, resolvi fazer uma lista sobre outras coisas que as mulheres não solicitaram aos homens e vivem recebendo, além de rolas e punhetas virtuais:

- Opinião sobre nossos corpos;

- Opinião sobre nossa vontade de casar ou ter filhos;

- "Explicações" sobre o que é feminismo;

- Categorização em "pra comer" e "pra casar";

- Informações sobre o quanto "a sua ex era louca";

- Opiniões sobre nossas roupas ou maquiagem;


Tem mais coisa, mas por ora, deixo vocês com essa pequena reflexão sobre autocontrole. 

A gente vive em sociedade; se fizermos tudo o que queremos, o mundo ficará mais caótico do que já é. Segurem seus pintos dentro da cueca e só tirem para fazer xixi, lavar ou caso seja solicitado. Have some self-control, for God's Sake! 

Ah! Façam o mesmo com as outras coisinhas da lista também, não custa nada.




segunda-feira, 22 de junho de 2020

VOCÊ tem direito sobre o MEU corpo?

Quando falamos por aí do desrespeito com o corpo da mulher, muitas pessoas têm a sua "opinião" sobre o que pode ser classificado como desrespeito ou não. Os homens tendem a relativizar essa coisa toda, pois cresceram em uma sociedade que os ensina que eles têm direito sobre nossos corpos. Não raramente passamos por situações constrangedoras como passarem a mão na nossa bunda, puxarem nosso cabelo, pedirem para nos conhecer já nos agarrando pela cintura, etc. Tudo isso parece besta, mas é uma tremenda violação da nossa individualidade.

E isso é só a ponta do iceberg, pois um cara que faz isso, que normalizou esse comportamento (que ele não aceitaria se fosse alguém fazendo com ele - principalmente se fosse outro homem), é capaz de fazer coisas muito piores.

Esse FDS escutei duas histórias que me fizeram refletir muito sobre como precisamos acabar com essa cultura escrota que nos expõe a tantas situações inaceitáveis.

A primeira história é de uma amiga que contou que conheceu um cara na balada. Eles ficaram e ela foi dormir na casa dele. No meio do ato sexual, ele aproveitou que ela estava de costas e tirou a camisinha, e ela só percebeu depois de um tempão.

A princípio, eu achei muito surreal, mas depois, pensando na linha toda da cultura, que acaba incentivando esse tipo de comportamento masculino, fiz um pequeno experimento. Perguntei num grupo com mais 4 amigas (sim, só 4) se já tinha acontecido isso com alguma delas. Dessa forma, eu teria uma noção se isso é uma prática recorrente entre os homens.

Prontamente uma delas disse que sim e relatou a seguinte história:

Ela estava ficando sério com um cara e a primeira vez que eles transaram, foi na loucura, dentro do carro, bêbados, e acabou rolando sem camisinha. Na segunda vez, ele veio querendo fazer sem de novo. Ela disse que não, que aquilo não aconteceria novamente, que foi um vacilo e que ela não queria mais assim. Ele insistiu, querendo fazer sem camisinha, mas ela não cedeu. Porém, no meio do sexo, ele aproveitou que ela estava de costas e tirou a camisinha sem informá-la.

Ao perceber, ela ficou muito chateada, confrontou-o e ele disse que "tirou porque estava incomodando". Ela pediu que ele a levasse para casa imediatamente. E sabe o pior disso tudo? Ela disse que se sentiu "suja, desprezada, um lixo" e morreu de chorar.

Gente, isso é errado de tantas formas diferentes! Como vocês homens não conseguem perceber a gravidade dessas atitudes?!

A primeira coisa que me choca é a falta de autocuidado. Não entendo como pessoas que têm a vida sexualmente ativa, principalmente sendo solteiros, não se preocupam com sua saúde sexual. Como vocês têm tanta certeza de que as pessoas que vocês ficam não tem doenças? Doença não tem cara, não, galera. Qualquer um pode contrair. Não dá para olhar para cara da pessoa e confiar que ela está limpa. Usar preservativo é cuidar de si mesmo, primeiramente. É claro que - não vamos ser hipócritas - às vezes a gente acaba deixando rolar sem camisinha, no calor do momento, mas isso deveria ser uma exceção, e não uma prática comum. É perigoso para todo mundo.

Segundo, o que aconteceu nessas histórias configura ABUSO SEXUAL. O consentimento foi COM camisinha. Se você ultrapassou essa linha, você violou a outra pessoa. SIM, isso também é uma forma de estupro. Estupro é sexo sem consentimento. Se ela não consentiu sem camisinha e você não respeitou, você estuprou. Parece que vocês têm dificuldade de compreender os limites! O seu direito acaba quando começa o do próximo. Se você não quer se proteger é problema seu, mas não tem direito de expor a outra pessoa a sua negligência.

As duas histórias tem antagonistas bem diferentes: um é um desconhecido de uma transa casual. O outro era alguém conhecido, fixo, no qual a minha amiga achou que poderia confiar. Isso mostra bem que não importa a relação que eles têm com a outra pessoa, eles se acham no direito de tomar decisões sobre os nossos corpos.

E por último, você desrespeita a pessoa como ser humano. O sexo é um ato conjunto, então tudo o que acontecer deve ser consentindo por todas as partes. Tirar a camisinha sem informar a outra pessoa é o cúmulo do menosprezo pelo outro. Você não se sentiria violado caso sua parceira fizesse algo sem o seu consentimento? Por que é tão complicado se colocar no lugar do outro? É só a sua vontade que conta?

E aí, além da exposição física ao perigo de uma doença sexualmente transmissível ou uma gravidez indesejada, surgem as consequências psicológicas. A primeira pessoa a me contar a história, relatou um sentimento de paranoia e extrema preocupação, que durou dias. A segunda relatou um sentimento de autodesprezo e desespero.

Mais uma vez, o egoísmo masculino nos traz consequências de atitudes que nem são nossas. Olha que absurdo: nós é que temos que lidar com as consequências das atitudes de vocês!

Essa postura é tão infantil, sabe? Vocês acham que a gente também não preferia transar sem camisinha? CLARO! Mas é uma questão de maturidade. De compreender que antes de qualquer coisa, vem a nossa saúde. Se você não concorda com isso, arranje alguém que pense como você, pois nós não temos a obrigação de lidar com suas decisões erradas. Você não pode obrigar uma outra pessoa a engolir as suas escolhas individuais contra a vontade dela. A única pessoa que tem lidar com as consequências das nossas atitudes somos nós mesmos.

GROW UP!

Já chega, machaiada! Vamos botar a mão na consciência!



sexta-feira, 15 de maio de 2020

Carentena

Olá, queridos leitores! O último post foi antes de começar a nossa tão detestada quarentena! Que vergonha dessa escritora relapsa!

Em minha defesa, o volume de trabalho tem sido maior que nunca, e bom, sem sair de casa, teoricamente, não está acontecendo muita coisa para contar né?

Só que junto com a quarentena chegou também a inevitável CARENTENA, minha gente. E eles estão de volta com as piores desculpas esfarrapadas e falta de tato para paquera. Eles. Eles mesmos. Os homens solteiros sem-noção.

Vou mostrar dois para vocês hoje. Mostrar, sim. A gente gosta é de print, né?

Sério, acho que vou lançar um curso online para ensinar esses moços a conversar porque tá difícil demais. Eu não sei se rio ou choro.

Vamos aos casos!

CASO 1: Esse rapaz super simpático (?) que conheci na igreja e literalmente só falo "oi" e "tchau", um dia desses resolveu me abordar no Whatsapp (que pegou no grupo) e puxar um assunto nada a ver. Eu achei estranho, mas respondi normalmente. Pouco depois, ele admitiu que só tinha mandado aquela mensagem para ter uma desculpa. E aí, my friends, vocês vão ver a "conversa" mais doida dos últimos tempos.


Eu achei que fui muito educada e paciente para o nível de sandice que esse rapaz apresentou. De vez em quando chega um "linda" nos meus stories, mas a gente continua sem responder, porque né... não tem propósito de tentar conversar com uma pessoa que parece um chimpanzé tentando se comunicar com seres humanos.

E aí ontem apareceu um outro mocinho, que eu nunca vi na vida, puxando assunto no Instagram. O meu Instagram é fechado, então ponderei bastante se eu ia responder. Olhei nos amigos em comum e ele tinha uma das minhas melhores amigas. Já mandei logo um print perguntando quem era e ela disse que era um cara que ela já tinha ficado duas vezes. Confesso que já fui meio armada porque se ele já tinha ficado com ela, eu provavelmente não ia dar bola pra ele. Mas aí... aí ele veio com umas ideias muito tortas:


Olha... eu admito que sou chata. Às vezes eu pego no pé mesmo. Mas vai, ele CLARAMENTE sugeriu furar a quarentena. Eu não estou ficando doida. E aí quando não colou, quis tirar o dele da reta. Se você vai propor uma idiotice, pelo menos tenha coragem de admitir o que está propondo, né? Porque as coisas que ele falou não explicam nada do que ele disse sobre "compartilhar a quarentena". E aí ele foi só aumentando o nível de babaquice mesmo.

Então é isso. A CARENTENA está batendo à porta de todos. Mas nem todo mundo sabe aproveitar bem as oportunidades, né?

Você tem uma história boa de CARENTENA? Se quiser vê-la publicada aqui, só deixar um comentário que a gente se comunica!

Até a próxima, pessoal! E FIQUEM EM CASA!



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Ser mulher e querer sair para se divertir é...

Dia desses eu e minhas amigas do trabalho marcamos um happy hour super light, super família. Fomos a um karaokê num rolê bem alternativo, onde uma das meninas até levou os dois filhos.

Ao chegarmos, já fitei um cara bem estranho no balcão bebendo. Ele me incomodou já de cara porque nos secou dos pés à cabeça quando entramos. Meu olho treinado para pervert creeps já logo pegou o tarado no meu radar.

Tudo bem, sentamos, começamos a comer, conversar, dançar. E ele lá, bebendo sem parar no balcão, um tiozão na casa dos 60 e poucos anos, claramente sozinho e começando a ultrapassar a linha do aceitável da bebida.

Estávamos no maior papo, quando de repente ele levanta e acha apropriado ir fazer uma "dancinha seduzente" (uma tonelada de sarcasmo aqui) na nossa mesa. Todas o olharam com reprovação e ele continuava achando que tava abafando.

Educadamente, eu pedi que se retirasse da nossa mesa, pois não estávamos achando legal. Ele foi para o meu lado e disse: "agora que eu quero ouvir essa conversa mesmo!" e continuou lá rindo, se achando super engraçado e sedutor, até que eu repeti:

- Moço, você pode, por favor, se retirar? Nossa conversa é particular e você está sendo muito inapropriado.

Ele saiu com cara de cão abandonado e eu não conseguia parar de observar como ele olhava para as mulheres. QUALQUER MULHER que aparecia na frente dele, ele olhava com aquela cara de que vai te atacar a qualquer momento e eu comecei a temer pela integridade de todas ali.

Havia um grupo de 3 meninas conhecidas na mesa de trás. Após ser rejeitado na nossa mesa, percebi que ele foi à mesa delas fazer o mesmo número. Até desconcentrei da conversa com minha amiga, porque a presença dele estava obviamente incomodando a todas, mas as meninas não tiveram coragem de expulsá-lo e ficaram só olhando com cara de ódio, na esperança de ele se tocar e sair. Novamente senti a necessidade de interferir. Me levantei e disse:

- Moço, de verdade, você está sendo MUITO inconveniente!!

As meninas em coro, concordaram comigo:

- Está mesmo!

Eu continuei:

- Dá para você sair daqui e parar de incomodar, por favor?

Ele saiu, relutante, e eu já não conseguia mais relaxar naquele ambiente. Peguei um papel e escrevi para a gerente que o homem estava assediando todas as mulheres do local. Ela me respondeu que uma vez ele foi até expulso desse mesmo bar porque ficava assediando as mulheres e fazendo gestos obscenos para elas. Me disse que eu podia ficar tranquila que ele já estava pagando a conta e indo embora. Como e por qual razão eles permitiram sua volta lá, é que não ficou claro para mim.

Não estamos seguras em lugar algum. A nossa realidade é que um homem aleatório se sente à vontade para se comportar como um bicho solto na selva, nos tratar como um pedaço de carne e não respeitar quando alguém rejeita suas investidas indesejadas.

Eu estou sem palavras para terminar esse post, porque estou exausta de ter que combater esse tipo de animal que é tão comum por aí. A gente não devia passar por isso diariamente. A gente não deveria ter que sofrer assédio quando estamos tentando nos divertir. Não deveríamos ter que dizer o óbvio para um homem que sabe muito bem o que está fazendo.

Estamos cansadas. Se não sabe se comportar como ser humano, então fique preso numa jaula. Não somos obrigadas a perdermos a paz por conta de um neandertal que não tem o mínimo de auto-controle.

PELO AMOR DE DEUS, fique em casa!






domingo, 16 de fevereiro de 2020

Será que você já foi estuprada e não sabe?

- Saí com um cara de uma festa e fomos para o apartamento dele. Eu nem queria transar, só ia dar uns pegas e ir pra casa depois. Quando chegamos lá, por algum motivo, a porta não abria. Ele baixou minha saia ali mesmo no corredor e eu disse que não ia rolar, que eu não queria. Ele sugeriu que fôssemos para o carro dele. Eu disse que queria ir pra casa e ele disse que me deixava. Entramos no carro dele, e ele colocou o protetor de sol. Pulou em cima de mim, eu disse que não ia rolar, ele respondeu que ia sim. Eu fiquei pondo a mão para ele não enfiar, mas ele enfiou.

- Você foi estuprada, você sabe, né?

- An??

Pois é, gente. E foi assim que a minha amiga descobriu que tinha sido estuprada e eu vi a necessidade de falar um pouco sobre estupro, porque a nossa visão sobre ele é bem limitada.

Para muitos, estupro é só quando um maluco te arrasta para o mato e te força a transar. Mas o estupro tem muitas outras vertentes. É preciso manter na cabeça bem claro que qualquer tipo de sexo sem consentimento é estupro, sim. Não importa se você está ficando com a pessoa, namorando, casada, se já está sem roupa, se estava se pegando. Se na hora H você não quiser e a outra pessoa forçar, você está sendo estuprada.

Eu sei que é difícil aceitar isso, eu já passei por essa revelação.

Uma vez eu ficava com um cara e saímos de uma festa bêbados. Eu mal conseguia ficar em pé, estava absolutamente inconsciente, mas me lembro direitinho de falar para ele que queria ir para casa e esse pedido ser totalmente ignorado. Ele me levou para casa dele e eu só lembro de flashes dele transando comigo e eu sem conseguir reagir, até porque ele era um cara bem forte e grande.

Demorou anos para que eu entendesse que naquele dia eu fui estuprada pelo meu ficante. Ele tirou vantagem da minha condição e me violou.
Foram necessárias muitas leituras, ouvir muitos depoimentos, e finalmente, o que me derrubou, foi o clipe da Lady Gaga "Till it happens to you", que mostra várias cenas de estupro - uma delas onde o cara se aproveita de uma menina que estava inconsciente. Eu chorei quando assisti porque eu me vi ali e tomei consciência de como o estupro realmente funcionava.

A verdade é que muitas de nós fomos estupradas sem saber.
Tudo isso porque não consideramos estupro quando gostamos da pessoa ou temos tesão por ela. A gente mesmo se culpabiliza pelo excesso de álcool, provocações sexuais ou coisas parecidas. É necessário compreendermos que estupro é muito maior do que imaginamos e fomos ensinadas, e começarmos a ficar mais atentas aos sinais. SEXO SEM CONSENTIMENTO É ESTUPRO E PONTO FINAL.

Espero também que os homens comecem a pensar mais nisso. Quantas vezes você já estuprou alguém? É, é isso mesmo. Pesado? Sim. E tem que ser. Você não é muito diferente do cara que arrasta uma mulher desconhecida e estupra, não.
Quantas vezes você já forçou a barra? Pôs a mão na menina mesmo quando ela relutava, achando que ela fazia "cu doce"?
Quantas vezes você já insistiu para transar com sua namorada/esposa/peguete mesmo quando ela dizia não querer?

O nosso corpo é propriedade nossa. Eu não devo nada a você. Se eu quiser desistir na hora, eu posso. Eu não tenho obrigação nenhuma de abrir meu corpo para você quando você bem entender. O consentimento é mandatório, eu sou dona do meu corpo. Não é porque eu tenho uma relação com você ou porque te dei uns pegas que eu sou obrigada a ir até o fim. Essa decisão é apenas minha. Está mais que na hora de todos os homens entenderem isso de uma vez por todas.

E a gente fica aqui desse lado, denunciando essa cultura monstruosa e ajudando umas às outras a aprender cada vez mais um pouco sobre como a misoginia está presente no nosso dia-a-dia. Vamos à luta!

domingo, 28 de julho de 2019

O maluco das lantejoulas

Com o advento das redes sociais, inauguramos uma nova era da paquera. Além dos apps específicos para isso como Happn e Tinder, o próprio Instagram se tornou um ótimo meio de conhecer pessoas novas. O problema é que na rede em que tudo parece perfeito, detalhes importantíssimos podem ficar mascarados e aí, my friend... prato cheio para esse blog aqui!

Hoje vou contar a história de um date de uma amiga (vou chamá-la de Lili) com um cara digamos, inusitado, que ela conheceu no Instagram. Vou chamá-lo de Paulo.

Após alguns dias de conversa no Direct do Instagram, Paulo convidou Lili para um cineminha, que ela prontamente aceitou.

Lili, sempre muito elegante, colocou seu scarpin vermelho, uma linda blusa, sua calça jeans preferida e passou seu melhor perfume. Linda e fina, pronta para causar aquela boa primeira impressão.

O universo já deu o primeiro sinal do desastre que aquilo seria quando Paulo disse que estava na porta de seu prédio e ela quase entrou no carro errado. Chegou a colocar a mão na maçaneta, quando recebeu uma mensagem dizendo que ele tinha errado o endereço. Quando finalmente ele chegou, ela ficou abismada com o carro do moço. Além de estar sujo, estava caindo aos pedaços. Para conseguir abrir a porta tinha toda uma técnica de segurar e empurrar para cima ao mesmo tempo, uma loucura. Como ela não tem carro, pensou "bom, eu nem tenho carro, melhor esse do que nada né?" e seguiu o baile. Difícil foi superar o look do rapaz: uma camiseta azul piscina com glitter, uma calça jeans rasgada, um cinto branco e uma jaqueta caramelo com lantejoulas.

Ao chegar no cinema, o cartão de Paulo não passou no momento de pagar pelo ingresso. Ele disse que era um problema com a bandeira e ela sugeriu que ele pedisse ao banco para trocar a bandeira do cartão, pois tinha passado pelo mesmo problema. Ele alegou que estava com o nome sujo. Felizmente, ele tinha sacado dinheiro e ela não teve que bancar tudo sozinha.

Na hora de comprar o lanche, Lili pediu uma pipoca com manteiga e coca-cola. Ele disse que estava de dieta e ela respondeu "mas eu não!".

Quando o filme começou, seu pesadelo continuou. Ele não a deixava comer e nem assistir ao filme direito, pois ficava jogando o corpo em cima dela. Colocou as pernas sobre as pernas dela e envolveu seu braço no dele (até ficar dormente), deixando totalmente sem movimento.

Ao fim do filme, ele foi deixá-la em casa. Quando ela tentou sair do carro, ele sentou no colo dela, agarrou-a e disse: "não vá, não me deixa! A lua está tão linda!". Lili ficou sem acreditar que aquilo de fato estava acontecendo, especialmente em um primeiro encontro. Conseguiu descer do carro e ir para casa após alguns minutos.

Alguns dias depois, ele a chamou para almoçar. Apesar do primeiro encontro horroroso, ela queria dar uma segunda chance, não queria julgar o rapaz por apenas uma saída.

Foram em um rodízio de galeto. Mais uma vez, o look dele foi um show à parte: calça jeans, regata com aquelas aberturas enormes nas laterais e um tênis vermelho.

Ao começarem a comer, ela ficou horrorizada com a cena: ele comia parecendo que o mundo ia acabar. A impressão é de que ele não sabia usar talheres, ficava gritando ( de boca cheia): "quero mais coxinha!"; suas mãos estavam tão oleosas que ele não conseguia segurar o copo e pedia que ela colocasse o refrigerante em sua boca. A boca também estava toda imunda, mas mesmo assim ele ficava pedindo que ela o beijasse.

Durante o almoço, ela descobriu que todas as tatuagens que ele tinha haviam sido feitas com ex-namoradas. Ele disse que iria cobri-las e que custaria 5mil reais. Ela sugeriu que esse dinheiro seria melhor gasto pagando o cartão e limpando o nome dele.

Após o almoço, Lili queria ir embora, mas Paulo disse que queria apresentá-la a melhor amiga - que estava na casa dele -, não sem antes dizer que ele tinha perdido a virgindade de boca com ela (sabe lá Deus porque ele achou que essa informação fosse relevante). Quando entrou na casa de Paulo, Lili descobriu que ele morava com mais 10 pessoas. A casa era imunda, tinha comida e roupa para tudo quanto é lado. Ele disse que precisava estender umas roupas no varal. Nesse momento, ela percebeu que todas as roupas dele tinham glitter e/ou lantejoulas. Foi um golpe duro demais para aguentar.

Ela suplicou para que ele a deixasse em casa. O irmão dele, que a propósito estava super bêbado, foi junto, deixando a volta para casa ainda mais terrível.

Depois de dois dates como esse, ela resolveu que realmente não tinha como aquilo dar certo e parou de respondê-lo. Até que um dia ele lhe manda uma mensagem desaforada dizendo que ela tinha acabado com a vida dele. Que ele sonhava com o casamento deles; que ele seria personal e ela ficaria em casa cuidando dos filhos. Quando você pensa que o sujeito não tem como ser mais tosco, ele ainda fecha com chave de ouro.

A lição que tiramos disso tudo? Cuidado com redes sociais. Antes de sair com uma pessoa, certifique-se de que o estio dela te agrada, que vocês tem afinidade e que ele não seja um maluco machista querendo te transformar em dona de casa. E se der, tente descobrir algo sobre os hábitos de higiene do rapaz, por que né? Beijo com óleo de galeto... ninguém merece!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

"Vale night é coisa rara. Você me entende, né?"

Chegamos aí, levantando a cabeça depois de mais uma série de murros em ponta de faca, aquela velha fossa que a gente precisa viver, mas como boa sagitariana que sou, vale aquele lema né "Quem tá quebrado é o coração, não a boca".

A gente está sofrendo, mas está com o copo na mão e beijando bocas, porque afinal de contas não há tempo a perder!

Acontece que até mesmo quando a gente não tá caçando confusão, a confusão vem até a nós. Nem quando a gente quer sossego e só dar uns beijos, a gente tem paz.

Eis que semana passada, logo após acabar com 2 garrafas de whisky de um bar, eu e mais 5 amigas fomos parar na boate do momento aqui em Brasília. Através de uma conhecida fomos parar até no camarote e toda hora aparecia bebida de graça, ou seja, todo mundo pode imaginar o grau em que ficamos.

Soltinhas que só, começamos a flertar com um carinha aqui, outro ali, quando conheci um rapaz interessante. Conversa vai, conversa vem, fomos parar um nos braços do outro. Aquele vuco vuco, quando vi estava entrando no carro dele e a gente se pegando. Olhei para trás e vi uma cadeirinha de bebê. Perguntei se ele tinha filho, ele disse que sim, um filho de 3 anos. Perguntei se ele morava com os pais, ele disse que sim, mas que já estava mais que na hora de sair. Concordei e seguimos a vida. Continuamos ficando até o dia raiar, mas por incrível que pareça acabamos não trocando telefone.

Lembrei que ele tinha me dito que já tinha ficado com uma das minhas amigas na adolescência e comentei com ela. Ela perguntou o nome dele, eu falei e ela, bem espantada, me disse: "Mas ele não é casado?" e mandou print do instagram dele.

Eu fui fuçando, fuçando e pensando: "bom, se separou foi agora esse mês, porque tem foto com a esposa mês passado aqui". Resolvi fazer o teste. Adicionei e aguardei ele aceitar, pensando que se ele realmente estivesse casado, não iria me aceitar. Mas... ele aceitou.

Primeiro ele ficou bem chocado quando o adicionei e pediu meu telefone. Quando eu dei meu telefone, ele quis me ligar. Disse que precisava me pedir desculpas.

"Por não ter me dito que era casado?", perguntei. E ele confirmou. "Vale night é coisa rara. Vc me entende, né?" Oi? Não entendo, não!

Mais tarde ele realmente me ligou falando mil coisas. As frases sempre começavam com "Não é querendo justificar o que eu fiz, mas..." E os "mas" dele eram os mais sem noção. Porque eu tenho certeza que não foi a primeira vez que ele chifrou a esposa, com a qual ele tem uma relação "muito boa e estável" - palavras dele - e com quem ele está casado há apenas 4 anos. Ele estava extremamente confortável com a situação, tanto sábado quanto ao telefone. Sabia exatamente o que estava fazendo e não demonstrou muita preocupação com o fato de ficar comigo em um local público, nem dos arranhões que foram para casa com ele e nem da possibilidade do meu brinco ter caído no carro dele.

Eu disse que ele tinha que ter me contado, que eu jamais teria ficado com ele se soubesse que era casado. Ele veio "ah, aquele ambiente, vi uma ruiva tão linda, fiquei com vontade mesmo". E ainda deu em cima de mim de novo no final da ligação insinuando que iria vir aqui pegar umas aulas particulares de inglês. Ou seja... não é um vacilo isolado. Se eu desse corda, ele ia querer me manter de amante.

Nessas horas eu fico me perguntando o que se passa na cabeça de uma pessoa dessas. Porque assim, eu nem sou dessas que acha que traição é algo imperdoável e não sei o que lá, mas a naturalidade com a qual esse cabra enfrentou a situação me assustou. Casamento recente, filho pequeno e zero consideração com a pessoa com a qual divide a vida. E ainda engana uma segunda pessoa que acaba participando da cachorrada sem querer.

Quando a gente fala que a coisa tá feia e que está difícil ter esperança no sexo masculino (heteros!), tem gente que acha que é exagero. OLHA O TIPO DE PESSOA que vem parar na sua vida sem você nem sequer se esforçar. É, cara... a cada dia só aumenta minha vontade de ser lésbica. Pena que nunca nos deram escolha. Se dessem, aposto que sobrariam poucas mulheres hetero para contar história, viu?



domingo, 4 de fevereiro de 2018

Homens Ruffles - vistosos por fora, vazios por dentro

Olá, galera!

Estamos aqui para fazer a primeira catalogação de espécie macholina de 2018! Fazia tempo que não encontrávamos uma nova espécie na fauna! Não que fosse novidade, mas quando as histórias e reclamações começam a se repetir demais, vejo a necessidade de catalogar, para não perder nenhum detalhe da biologia masculina.

Dito isso, vamos ao que interessa!

Entrei 2018 com aquela positive vibe, comecei o ano postando uma história fofa e maravilhosa de amor, mas pelo jeito as coisas não vão melhorar muito por enquanto.

Parece que ultimamente os homens estão com uma imensa preguiça de interagir e deixando o cérebro de lado quando se trata de se aproximar do sexo feminino. É inacreditável a quantidade de besteira que a gente anda ouvindo por aí e a falta de qualidade nas "conversas" - se é que posso chamar de conversa o que anda acontecendo ultimamente.

Um cara que aparentemente estava a fim de você chegar te "insultando" como forma de chamar sua atenção está na moda.

"Nossa, você está muito branquela" quando você volta da praia ou "Que nerd" quando você está assistindo a alguma série da Netflix, entre outras, viraram coisas comuns e a gente fica daqui se perguntando: "Ok, podia ser uma piada para puxar assunto", mas daí fica por aí e você fica "ueh?"

Tá lado a lado com aquele cara que dá match com você no Tinder e acha super apropriado iniciar a conversa dizendo "bela língua" só porque você tem uma foto engraçadinha dando língua no perfil. Classifico esse junto com o cara que assobia/buzina para você na rua. O que eles acham que vai acontecer? Que vamos achar super sexy, parar e agarrá-los? O cara que puxa assunto dessa maneira acha mesmo que eu vou me dar ao trabalho de responder um negócio desses?! Oo

Sem contar com aquele cara que só quer sair com você no meio da semana, porque afinal de contar "sábado é dia de balada" ou aquele que, só porque você não tem medo de falar abertamente de sexo, acha que não precisa se esforçar nenhum pouco e te trata como lanchinho da madrugada sem a menor cerimônia até mesmo antes de transar com você.

Só tenho uma pergunta a fazer: o que aconteceu com o hábito de CONVERSAR? Sério, tem alguma coisa errada. Porque vocês são inteligentes, a gente sabe. Aonde vai parar tudo isso quando o assunto é se relacionar conosco? Será que vocês de fato acham que não merecemos/queremos um bom papo?

Deixa eu dar uma notícia aqui para vocês: inteligência é afrodisíaco. Bom papo é essencial. Não adianta parecer aquele saco de Ruffles super brilhoso e quando abrir só ter ar dentro. A gente quer conteúdo. E não, não interessa se vai ser só casual, ninguém quer ir para cama com uma ameba que mal sabe conduzir uma conversa decente.

Sejam interessantes, for God's sake!




segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

A floresta de homens frouxos

Hello, people! Feliz Natal procês!

Vocês podem pensar que 2017 foi um ano fraco porque escrevi poucos posts, mas eis que hoje, dia 25/12/2017, vou escrever um post que resume bem a espécie macholina que mais se apresentou em abundância na fauna desse nosso Brasilzão sem porteira: O HOMEM FROUXO.

Oras, minha gente, já falei aqui sobre a liberação feminina e de como estamos tentando tomar as rédeas da nossa vida amorosa sem ficar dependendo da iniciativa exclusivamente masculina - porque vamos combinar que isto está super two thousand late. Sempre que comento que a maioria dos homens não está preparada para lidar com mulheres que tomam iniciativa, lá vem uma chuva de reclamação masculina dizendo que não é verdade, que eles gostam sim quando a gente chega junto e isso e aquilo. Mas, gente, está impossível defender vocês diante dos relatos das minhas amigas (e amigas das amigas) - e os meus também, claro!

Juntamente com a nossa vontade de dar o primeiro - o segundo, o terceiro - passo, também tem o fato de que sim, às vezes nós só queremos um trem casual, matar a vontade de sexo ou até mesmo de beijar na boca ou tomar uma cerveja num bar. Então primeiramente, abram-se para essas possibilidades. Acompanhem o novo tipo de mulher que está disponível no mercado e parem (PELOAMORDEDEUS) de achar que toda mulher que te dá mole vai se apaixonar por você e quer namorar, casar e ter filhos.

Dito tudo isso, já está ficando chato sentar na mesa de bar com as amigas e ouvir sempre a mesma frase: POUTZ, SÓ TEM HOMEM FROUXO, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?!
E lá vamos nós à definição de homem frouxo:

Aquele sujeito que te dá mole para caramba e na hora que você arroxa, peida na farofa.
Aquele sujeito que curte/comenta todas as suas fotos e quando você manda um direct sugerindo um lesco-lesco, some.
Aquele sujeito que vive te arroizando em festas e dizendo "que dia a gente vai fazer algo" e nunca de fato te chamar para sair.
Aquele sujeito que você já ficou/fica e vive dizendo que te quer, mas quando você se mostra disponível parece que de repente perde a graça para ele.
Aquele sujeito que dá em cima de você descaradamente, você corresponde, mas ele vive sempre muito ocupado para de fato concretizar uma saída.
Aquele sujeito que dá MATCH com você nos apps de paquera, mas não puxa papo (ou te ignora quando VOCÊ puxa papo).

Poderia passar 24h escrevendo mil situações que tem se repetido ao longo do ano e que tem dificultado bastante a nossa satisfação com a vida de solteira, porque afinal, o que adianta a gente sair da nossa zona de conforto e querer ser mais independente sexualmente quando o outro lado da linha não está ajudando?

Se tudo isso aí em cima se resume a "ELE NÃO ESTÁ TÃO A FIM", faça o favor de parar de fingir que está. Me poupe, se poupe, nos poupe.
Nosso tempo é valioso e o seu também deveria ser!

LARGUEM DE FROUXURA AND LET'S GET DOWN TO BUSINESS!

Caga ou sai da moite, amor!

Cheers!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Homens comprometidos, mas nem tanto.

Há 7 anos já falei aqui da dificuldade dos homens em dizer NÃO – para não chamar de pura safadeza mesmo – (foi nesse post aqui "Homens que não sabem dizer não"), mas vou voltar a comentar esse assunto porque aconteceram dois casos recentemente (e bem pertinho de mim) que acho que valem a pena serem analisados.

CASO 1

Você tá lá, tem um crush naquele rapazinho interessante, ficam, conversam um pouco e vai esfriando. Aí você o reencontra depois de um tempo e ele não te dá a mesma moral, mas ao mesmo tempo não corta de vez suas investidas e você fica se perguntando: “uai... ele quer ou não?”. A pulga está lá, instalada atrás da orelha e você ativa o stalker MODE só pra descobrir que o engraçadinho está namorando.
Fica na sua, respeita, quando de repente, uns tempo depois lá vem ele comentando seus posts, te elogiando, curtindo fotos antigas e você: “ué... terminou?”. Facebook, vem cá, amigo. Não, ele não terminou. Provavelmente o relacionamento lá deu uma esfriada e ele sentiu saudade de você. A carne é fraca, não vamos mentir, você fica dividida entre duas reações:

1) FDP, dando em cima de mim sem ter terminado o namoro!
2) O desgraçado é sem-vergonha, mas caceta, como é bom saber que ele ainda se sente atraído por mim!

Aí você só dá umas risadas, mas sem alimentar nada (só que sem cortar de vez, afinal, seu ego ainda tá precisando da massagem), até que ele investe pesado demais e você é obrigada a informar que sim, está sabendo que ele está em um relacionamento supostamente sério e que não tem vocação para amante.

CASO 2

Encontrou aquele cara que sempre mexeu com você numa balada, rolou uns olhares, mas ele estava acompanhado no dia, então você nem olha muito para não desrespeitar a mina. Dia seguinte, o que chega? Comentário engraçadinho em um post seu. Conversa vai, conversa vem, troca de whatsapp, afinidades. Você elogia, ele agradece de modo evasivo, você chama pra sair, ele diz que “não anda saindo muito”. Você fica sem entender porque tanta corda para depois cortar.
Ativa o Stalker Mode e descobre o que? Namorando. Mas esse é ainda mais espertinho: só aparece o status de relacionamento no Facebook da menina, mas não no dele.

ANÁLISE:

Caras... qual é? Parem com isso! Sejam honestos, sejam corajosos! Eu sei que quando a gente está namorando, aparece todo mundo que a gente esteve a fim na vida para atentar, então esse é o momento de sentir se você realmente quer estar numa relação séria. Porque ficar por aí ciscando em outros terreiros, dando corda para ex-peguete (ou pretendente) quando você está namorando é MUITA SACANAGEM com as duas meninas. A namorada, que está lá super achando que você sossegou e com a outra que só investiu por achar que você estava solteiro. Vamos ter coragem de admitir em que momento da vida estamos e dizer NÃO quando for necessário, mesma que seja difícil. Mesmo que você não faça nada concreto, de fato, isso não é legal. Apenas se coloque no lugar da sua namorada... o que você acharia de ver uma conversa cheia de flerte, piadinhas de duplo sentido e convites suspeitos dela? Acharia inocente ou também não gostaria?

Man up, for God’s sake!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Meninos religiosos

Desde adolescente fui envolvida com as coisas da igreja. Aos 14 anos, comecei a participar de um grupo jovem que era o amor da minha vida e nele permaneço até hoje - apesar de bem menos envolvida. Por isso, o assunto que quero tratar hoje é algo de que posso falar com propriedade, sem ficar me baseando num disse-me-disse, mas sim na minha própria experiência. Hoje quero parar pra falar sobre meninos religiosos.

O fato é que a gente entra na igreja, conhece pessoas, e acha que lá tem gente mais idônea do que nos outros lugares, o que é uma ilusão sem tamanho.

Ao longo desses mais de 15 anos dentro do grupo, conheci gente de tudo quanto é jeito! Mas preciso falar da quantidade de meninos religiosos hipócritas que existem.

Antes de mais nada, quero deixar claro que eu não tenho essa imagem de que as pessoas religiosas são mais certinhas que as outras. Na minha concepção, o indivíduo que procura uma religião está interessado em se conectar com o divino - seja lá qual for sua crença - a fim de melhorar como pessoa. O que não significa que ele seja perfeito ou santo, porque, afinal, se o fosse, não precisaria de igreja nem nada, certo? Pelo menos esse sempre foi o meu objetivo quando ia à igreja: fazer reflexões que pudessem afetar o modo como vejo as pessoas, trabalhar nos meus defeitos, ser mais compreensivo, mais caridoso, mais humano, enfim, melhorar enquanto pessoa.

A hipocrisia mora em um lugar bem diferente do que a maioria das pessoas imagina. Eu vou dizer onde está a hipocrisia.

A hipocrisia está naquele cara que você conhece na igreja, tenta te comer de qualquer forma, e depois fica postando textão sobre namoro santo ou fazendo homenagem para namoradinha virgem que ele arranjou porque ela é a mulher que Deus preparou para ele e eles formarão um lar santo algum dia. Sendo que no outro dia, o cara tava querendo comer tudo que via pela frente.

A hipocrisia mora naquele cara que trata a mãe que nem uma rainha, que morre de ciúmes da irmãzinha mais nova, mas que sai na balada e trata mulher como um objeto. Que engana todas, que faz coleção de contatinho e todo FDS escolhe uma diferente pra levar pra cama.

É esse mesmo cara, que anda com terço pendurado no retrovisor e tem uma tatuagem de Maria Santíssima, que divide mulher entre "pra comer" e "pra casar". Que ama a Mãezinha do Céu, mas não tem respeito pelas mulheres da Terra.

Então, infelizmente, não podemos contar com o fato de que homens religiosos tenham mais respeito e consideração por nós. É uma falácia, é uma mentira, isso não tem nada a ver com o caráter de alguém. Pode ser que um cara ateu te trate melhor e pode ser que você conheça alguém legal na igreja, sim. Mas provavelmente porque essa pessoa já é legal por si só, não porque a igreja o modificou. A reflexão religiosa tem esse poder de trazer bom senso para as pessoas? Claro que tem! Eu mesma já me policiei muito sobre várias atitudes por causa de coisas que li, estudei, vivenciei dentro da igreja, mas honestamente, isso não é garantia de nada. E é nesse ponto que quero tocar: conheça a pessoa de verdade. Não ache que só porque ela vive numa ambiente religioso, ela é melhor que a maioria das pessoas.

Fica aqui só um alerta, principalmente para meninas novas que acham que vão encontrar o príncipe encantado na igreja. Muito cuidado com a idealização de um esteriótipo! Experiência própria: NÃO DÁ CERTO!

XoXo

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O ataque do anencéfalo musculoso

Essa é uma história verídica que aconteceu há mais ou menos uma semana, na cidade de Brasília, em sábado chuvoso, com uma mulher de 30 anos. Mas poderia ter sido qualquer dia, em qualquer local, com qualquer uma de nós. Nesse enredo, não há inocentes. Mas criminoso burro tem de monte, e nesse crime apresentamos mais um. Porque é isso que dá subestimar a inteligência de uma mulher (e suas amigas, claro) e o ovo de codorna que é essa cidade.

Como sempre trabalhamos com anonimato nesse blog - embora muitos nem mereçam essa consideração! -, vamos chamar nossa heroína de *Heloísa.

Eis que um belo dia, depois de uma semana de muito trabalho, nossa heroína acorda com a seguinte mensagem no seu celular:


Ela olhou, coçou os olhos e pensou: "WTF?"

Como qualquer vivente do século XXI, resolveu tirar print e mandar para as amigas:

"Isso aqui é pegadinha do malandro, né?!"

Umas riem, zoam, concordam, mas uma... ah, essa uma diz uma coisa que muda tudo:

- Eu conheço esse cara!! Ele é amigo do *Paulo!

Ahhh, Mr. M! Sabe quem é o Paulo?! Um rapaz que está louco pela nossa Heloísa, que já cansou de dizer não, mas não consegue se livrar da insistência do cara, que todo dia manda mensagem enchendo o saco. Suspeito, não?!

As amigas aconselharam a dar corda e a conversa continua:



1) Que diabo de desculpa esfarrapada é essa? Porque você pega o número de uma pessoa que você "não tem a menor ideia de quem seja" e manda uma foto sem camisa dando "bom dia"? Pelo amor de Deus, né? Ninguém aqui é idiota.

2) Frase pronta de "Prazer não, satisfação, o prazer vem depois" - é sério isso?!

3) "Vc ficou muda". Oi? A pessoa passa UM MINUTO sem responder e é acusada de mudez? WTF?


4) Daí sem mais nem menos, o cara começa a mandar fotos semi-nu para uma pessoa que ele não sabe quem é, mas que por algum motivo "estava no celular dele".
E pede nudes.


5) Avisando que "não abaixou mais porque tá pelado", como se ela tivesse perguntado alguma coisa ou se tivesse interesse em ver a parte debaixo.

6) LINDA XAU. LINDA XAU. Linda. XAU. X-A-U. Só pra deixar bem enfatizado que ele, de fato, escreveu que nem um menino de 11 anos.


7) Se achando o mais gostoso do mundo, tomou uma e deu a melhor resposta do mundo: "Frouxo? Tenho 25 anos." WTF? É tipo "Bacon? Eu nunca fui para a Europa".

8) Tá pedindo nudes desde que acordou e começa a fingir que não quer deixar a menina "molhadinha". Prossigamos com a palhaçada circense.


9) Lá vai ele tentar puxar um sexting (sexo por mensagens) com a nossa vítima. E enquanto isso, ele está lá, sendo printado e zoado no grupo dazamiga.


10) Tá de pau duro com uma conversa sexual que ele tá participando sozinho. Com os nudes que só ele mandou. Com uma pessoa que ele nunca viu. Ok, aquele típico cara que goza em 2 minutos.


11) Pois é, Helô. Nem falei nada. Nem mandei nudes. Eu ein.


12) A essa hora, o ser humano já está sendo mais zoado que tudo, quando Helô e as amigas zoeiras resolvem perguntar seu nome e ele diz "João". Todas caem na gargalhada sabendo que esse não é nem de longe o nome verdadeiro do canalha. E então, uma delas tem a brilhante ideia de dizer: "Não lembra de mim, não, SADDSA (chamando pelo apelido que ele é conhecido pelas bandas)?




13) Linda, XAU. Vive dando XAU e nunca vai embora. E a propósito, me segurei para não falar disso, mas O QUE ADIANTA ESSE CORPO MALHADO NUMA PESSOA QUE NÃO SABE NEM ESCREVER?!

14) Ouve-se à boca miúda que ele não é personal, não. Pelo menos não um qualificado. Inclusive há boatos de que nem o ensino médio foi concluído (o que pode explicar o português "mal escrivinhado").

15) O amigo recalcado, vulgo Paulo, mandou que ele tentasse seduzir Heloísa? Eis a grande questão do mistério.

15) Homem escroto vai ser exposto, sim. E é bom para que todo mundo veja a qualidade de homem que temos que lidar todos os dias. Acredite, tem mais caras anencéfalos e arrogantes assim do que se possa imaginar. Toda hora cruzando caminho de pessoas inteligentes e do bem, como nossa amiga Heloísa.

16) O mal do esperto é achar que todo mundo é burro.


Lindos, XAU!