domingo, 28 de julho de 2019

O maluco das lantejoulas

Com o advento das redes sociais, inauguramos uma nova era da paquera. Além dos apps específicos para isso como Happn e Tinder, o próprio Instagram se tornou um ótimo meio de conhecer pessoas novas. O problema é que na rede em que tudo parece perfeito, detalhes importantíssimos podem ficar mascarados e aí, my friend... prato cheio para esse blog aqui!

Hoje vou contar a história de um date de uma amiga (vou chamá-la de Lili) com um cara digamos, inusitado, que ela conheceu no Instagram. Vou chamá-lo de Paulo.

Após alguns dias de conversa no Direct do Instagram, Paulo convidou Lili para um cineminha, que ela prontamente aceitou.

Lili, sempre muito elegante, colocou seu scarpin vermelho, uma linda blusa, sua calça jeans preferida e passou seu melhor perfume. Linda e fina, pronta para causar aquela boa primeira impressão.

O universo já deu o primeiro sinal do desastre que aquilo seria quando Paulo disse que estava na porta de seu prédio e ela quase entrou no carro errado. Chegou a colocar a mão na maçaneta, quando recebeu uma mensagem dizendo que ele tinha errado o endereço. Quando finalmente ele chegou, ela ficou abismada com o carro do moço. Além de estar sujo, estava caindo aos pedaços. Para conseguir abrir a porta tinha toda uma técnica de segurar e empurrar para cima ao mesmo tempo, uma loucura. Como ela não tem carro, pensou "bom, eu nem tenho carro, melhor esse do que nada né?" e seguiu o baile. Difícil foi superar o look do rapaz: uma camiseta azul piscina com glitter, uma calça jeans rasgada, um cinto branco e uma jaqueta caramelo com lantejoulas.

Ao chegar no cinema, o cartão de Paulo não passou no momento de pagar pelo ingresso. Ele disse que era um problema com a bandeira e ela sugeriu que ele pedisse ao banco para trocar a bandeira do cartão, pois tinha passado pelo mesmo problema. Ele alegou que estava com o nome sujo. Felizmente, ele tinha sacado dinheiro e ela não teve que bancar tudo sozinha.

Na hora de comprar o lanche, Lili pediu uma pipoca com manteiga e coca-cola. Ele disse que estava de dieta e ela respondeu "mas eu não!".

Quando o filme começou, seu pesadelo continuou. Ele não a deixava comer e nem assistir ao filme direito, pois ficava jogando o corpo em cima dela. Colocou as pernas sobre as pernas dela e envolveu seu braço no dele (até ficar dormente), deixando totalmente sem movimento.

Ao fim do filme, ele foi deixá-la em casa. Quando ela tentou sair do carro, ele sentou no colo dela, agarrou-a e disse: "não vá, não me deixa! A lua está tão linda!". Lili ficou sem acreditar que aquilo de fato estava acontecendo, especialmente em um primeiro encontro. Conseguiu descer do carro e ir para casa após alguns minutos.

Alguns dias depois, ele a chamou para almoçar. Apesar do primeiro encontro horroroso, ela queria dar uma segunda chance, não queria julgar o rapaz por apenas uma saída.

Foram em um rodízio de galeto. Mais uma vez, o look dele foi um show à parte: calça jeans, regata com aquelas aberturas enormes nas laterais e um tênis vermelho.

Ao começarem a comer, ela ficou horrorizada com a cena: ele comia parecendo que o mundo ia acabar. A impressão é de que ele não sabia usar talheres, ficava gritando ( de boca cheia): "quero mais coxinha!"; suas mãos estavam tão oleosas que ele não conseguia segurar o copo e pedia que ela colocasse o refrigerante em sua boca. A boca também estava toda imunda, mas mesmo assim ele ficava pedindo que ela o beijasse.

Durante o almoço, ela descobriu que todas as tatuagens que ele tinha haviam sido feitas com ex-namoradas. Ele disse que iria cobri-las e que custaria 5mil reais. Ela sugeriu que esse dinheiro seria melhor gasto pagando o cartão e limpando o nome dele.

Após o almoço, Lili queria ir embora, mas Paulo disse que queria apresentá-la a melhor amiga - que estava na casa dele -, não sem antes dizer que ele tinha perdido a virgindade de boca com ela (sabe lá Deus porque ele achou que essa informação fosse relevante). Quando entrou na casa de Paulo, Lili descobriu que ele morava com mais 10 pessoas. A casa era imunda, tinha comida e roupa para tudo quanto é lado. Ele disse que precisava estender umas roupas no varal. Nesse momento, ela percebeu que todas as roupas dele tinham glitter e/ou lantejoulas. Foi um golpe duro demais para aguentar.

Ela suplicou para que ele a deixasse em casa. O irmão dele, que a propósito estava super bêbado, foi junto, deixando a volta para casa ainda mais terrível.

Depois de dois dates como esse, ela resolveu que realmente não tinha como aquilo dar certo e parou de respondê-lo. Até que um dia ele lhe manda uma mensagem desaforada dizendo que ela tinha acabado com a vida dele. Que ele sonhava com o casamento deles; que ele seria personal e ela ficaria em casa cuidando dos filhos. Quando você pensa que o sujeito não tem como ser mais tosco, ele ainda fecha com chave de ouro.

A lição que tiramos disso tudo? Cuidado com redes sociais. Antes de sair com uma pessoa, certifique-se de que o estio dela te agrada, que vocês tem afinidade e que ele não seja um maluco machista querendo te transformar em dona de casa. E se der, tente descobrir algo sobre os hábitos de higiene do rapaz, por que né? Beijo com óleo de galeto... ninguém merece!

segunda-feira, 13 de maio de 2019

A admirável arte do SIM

Eu tenho medo de casamento. Parece uma frase meio doida, mas hoje consigo identificar de onde vem minha dificuldade de estar em relacionamentos longos.

Eu tenho 32 anos e meu namoro mais longo foi de 1 ano e 8 meses, há mais de 10 anos. Meu padrão de relacionamento é me envolver com pessoas que tem poucas afinidades comigo e em 3 meses a validade da empolgação expirar. A ideia de "os opostos se atraem" é a maior balela, para mim. Eu sempre acabo buscando aquele elo duradouro entre a outra pessoa e eu, e nunca encontro. As poucas vezes que conheci pessoas com bastante afinidade comigo, eu me apaixonei perdidamente e acabei machucada por N motivos diferentes.

Depois do meu último namoro, procurei uma terapia. Era difícil acreditar que eu tinha enjoado de mais uma pessoa. Afinal, qual era o meu problema? Eu precisava saber!

Após algumas sessões de análise, de cavar fundo no meu histórico amoroso e familiar, a psicóloga chegou a conclusão de que eu supervalorizo a ideia de casamento. Que, para mim, o casamento é um negócio tão ideal, que eu dificilmente me verei na posição de me comprometer de forma tão séria.

Um dos maiores pavores da minha vida, é ter um relacionamento igual ao dos meus pais. É ser como a minha mãe e encontrar um cara como meu pai. Minha mãe lutou para salvar o casamento dela de todas as formas que pôde. Adiou até demais a separação. Eu vivi uma vida de pensar "a qualquer hora minha mãe vai desistir". Ela foi persistente, porque é assim com tudo. Mas a verdade é que meu pai não tinha o que ela queria para dar. O que ele tinha para oferecer era muito pouco para as expectativas dela e ela não percebeu isso no início.

Não havia companheirismo entre eles. Meu pai trabalhava de domingo a domingo e mesmo assim nunca tinha dinheiro. Minha mãe, como a maioria das mulheres, fazia jornada tripla, estava sempre à beira de um ataque de nervos. Raramente via os dois em um momento de intimidade, de romance. Eles nunca saiam juntos. Meu pai sempre dormia no sofá assistindo jornal e minha mãe sempre ia beber e dançar com os amigos.

Minha família nunca viajou junta. Aliás, as vezes que viajamos, éramos só eu, minha mãe e meu irmão. A gente não fazia nada os 4 juntos. Meu pai nunca foi muito família e minha mãe sempre sonhou com isso. Acho que dá pra diagnosticar onde o casamento deu errado, né?

O fato de eu não conseguir me envolver facilmente vem desse medo. Eu tenho dificuldade de acreditar que vai dar certo, e aí não dá. Eu tenho pavor de acabar me contentando com alguém que não pode me oferecer o que eu procuro em um relacionamento. Mas eu ainda não entendi como eu somatizo isso e acabo enjoando dos caras. E nem porque quando eu acho que está certo, a pessoa sempre me magoa. Muito menos como resolver isso. Talvez por isso (entre outras coisas) tenha passado 10 anos da minha vida questionando as coisas do amor.

Não é fácil vir aqui admitir minhas fraquezas. Eu vejo minhas amigas casando e acho lindo. O que admiro mais é a fé que elas tem no relacionamento que construíram. Faço piadinhas inapropriadas aqui e ali, mas no fundo é meu mecanismo de defesa, porque nunca tive algo parecido, que me desse a confiança de dizer um SIM tão transformador. Se tivesse como, pediria que elas me ensinassem, porque gostaria de saber como é estar tão confortável com alguém a ponto de saber que ele tem tudo o que você quer e necessita. É óbvio que elas tem dúvidas, mas eu apenas não me imagino tendo a coragem de dar esse passo.

Não é só o casamento dos meus pais, mas quantas histórias escutamos todos os dias? Traições, desconfianças, casamentos de fachada, casamentos assexuados, casamentos abusivos, casamentos infelizes em que as pessoas ficam acomodadas...

A verdade é que, com tanto exemplo ruim, acho bem admirável que elas conseguiam bloquear o barulho e confiar que os seus serão diferentes. E espero que sejam mesmo! Que nossa geração seja mais feliz, mais preocupada em resolver essas coisas, ao invés de ficar jogando para debaixo do tapete e se contentando em ser infelizes. Que cuidem mais um do outro, que se comuniquem melhor, que se abram mais. Quem sabe assim, como mais exemplos bons do que ruins, eu consiga acreditar que pode sim dar certo? Como eu quero!

Enquanto isso, continuarei chorando em casamentos, porque independente do que eu acredite ou não, ô negócio emocionante!

segunda-feira, 8 de abril de 2019

"Mas ela é mulher! É diferente!"

Era uma vez a história de um rapaz que se achava o comedor pica das galáxias e conheceu uma mina ponta firme que não tinha medo de assumir quem era e o que queria. Vamos chamá-los de Jenifer e Wesley, porque a zoeira não pode morrer.

Eles se conheceram no Tinder (porque né?) e começaram a ficar. Já de cara - como nós mulheres já estamos acostumadas - veio avisando que não queria nada sério. Mais que isso, que não acreditava em monogamia. Que só tinha relacionamentos abertos. Que gostava de frequentar casas de swing e praticar menage a trois. Perguntou se ela aceitaria um relacionamento aberto. Ela, que já tinha feito um pouco de tudo dessas loucuras sexuais, sabia que não fazia sentido para ela relacionamento aberto e disse que então não teriam nada.

Eles continuaram ficando, sem muito compromisso, aquela velha história que já conhecemos também. O rolo estava durando bastante tempo, mas sabíamos que Wesley não queria relacionamento fechado. O que ele não esperava, era que ela fosse uma mulher que aproveitava bem as oportunidades que a vida trazia.

Um belo dia, na casa de Jenifer, ele a convidou para ir a uma festa no dia 12. Ela disse que não poderia, porque iria viajar com um boy.

Ele, muito chocado, perguntou:

- É sério isso?
- Sim, ué. A gente não tem nada. Eu não gosto de mentir. Estou te falando a verdade. Tenho um crush em SP, ele está vindo para Goiânia, vou encontrá-lo e passar alguns dias com ele.
- Você só pode estar brincando.

Wesley sentia como se uma faca estivesse o partido de ponta a ponta. Mas como assim ela ia viajar com o outro homem? E ainda dizia na cara dele, sem nenhuma vergonha ou pudor?


Essa história é baseada em fatos reais e pode nos fazer refletir sobre aquele velho conceito de 2 pesos e 2 medidas, que também estamos bastante acostumadas. Essa não foi a primeira vez em que eu ouvi a história de um cara que queria relacionamento aberto, mas não estava pronto para ele. Que não acreditava em monogamia - para ele. É mais um caso de gente que fala "mas ela é mulher. É diferente."
Você dá a premissa da liberdade para o outro, mas quando o outro (a outra, no caso) aproveita o que lhe foi concedido, você não sabe lidar.

Hoje mesmo estava assistindo uma entrevista do Fábio Porchat sobre a nova série que ele estreou mês passado, chamada "HOMENS?". A temática é: homens se descobrindo machistas e tentando lidar com isso e com as mudanças que estão acontecendo no mundo moderno.

Ele citou uma cena onde, um dos personagens trai a esposa com várias mulheres. Posteriormente, descobre que sua mulher tem um amante e se indigna. Quando os amigos o questionam sobre seu não-direito de se revoltar (devido a sua própria traição), ele diz: "mas é diferente!". É diferente por que?

Uma vez, um amigo chegou em minha casa aos prantos. Descobriu uma conversa mega suspeita entre a esposa e um cara no Facebook. A xingou de vagabunda, duas-caras, fingida, traidora, mentirosa. Eu nunca tinha o visto tão magoado, tão nervoso, chorando tanto. Alguns dias depois, eles resolvem dar uma nova chance ao relacionamento. Pouco tempo depois, em nome de um novo relacionamento construído com honestidade, ele abre o jogo: havia traído a esposa duas vezes. Uma delas, durante a gravidez.

Agora me explica... que direito ele tinha àquela reação tão descompensada? A xingar a mulher de tudo quanto é nome, se sentindo ferido, quando ele tinha feito coisa pior? É tanta hipocrisia que não dá para defender!

Eu já vi meu pai defendendo meu irmão e sua mania de trair as namoradas porque "é difícil para ele, vocês tem que entender. Ele é músico, é muito assédio em cima".

E por aí vai! Tenho certeza que cada vez parágrafo que você leu te trouxe a memória de algum homem usando 2 pesos e 2 medidas para analisar uma mesma atitude de acordo com o sexo da pessoa que agiu.

A lição que fica é a seguinte: NÓS NÃO SOMOS IGUAIS, MAS TEMOS DIREITOS IGUAIS. O mundo mudou, acompanhe. Não existe mais passaporte exclusivo para homem fazer o que quer e a mulher ficar sendo a santa, a submissa, a que aceita ser cagada na cabeça. Pare de achar que você tem direito/coragem de fazer alguma coisa e a mulher não. Pare de achar mulher de roupa curta na rua bonita, mas a sua não. Pare de querer comer todo mundo, mas achar que mulher que dá para todo mundo é piranha. Apenas PARE. A balança é uma só, cherrie. Seja ela com um homem ou uma mulher em cima.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Como o machismo afeta os homens - mais um motivo para você lutar contra ele

8 de março. Um dia que muitos (quase todos) os homens devem achar um saco. Várias mulheres passam o dia todo postando mensagens feministas, pedindo respeito, salários justos, e essas coisas que eles já ganharam só por ter um pênis no meio das pernas.

Já escrevi alguns textos sobre a importância e a função do Dia Internacional da Mulher, mas hoje resolvi tratar do machismo sob uma outra perspectiva: a perspectiva masculina. Afinal, toda mulher já provou do gosto amargo do machismo, então não é novidade para nós. Mas e se você nunca tiver parado para pensar como o machismo afeta a vida dos homens? É disso que quero falar hoje.

Homem, leia a lista abaixo e veja quantos itens você marca:

- Já tive vergonha de chorar na frente de outras pessoas
- Já deixei de usar roupa cor-de-rosa
- Já saí pagando de pegador para os amigos mesmo sem realmente estar pegando ninguém
- Já fugi de ter algo sério com uma menina que eu gostava
- Acho que se apaixonar/gostar de alguém é uma furada/coisa de gente fraca
- Repito por aí "pego, mas não me apego"
- Já escondi gosto musical ou cinematográfico porque tal gosto é considerado feminino
- Tenho dificuldades de expressar seus sentimentos
- Acho que terapia é coisa de mulher e gente maluca
- Tenho dificuldade de admitir meus erros e/ou pedir perdão
- Achou uma atitude machista de um amigo tosca, mas não teve coragem de chamar sua atenção/discordar.
- Sinto prazer na região anal, mas finjo indignação se minha parceira chega perto.
- Já fui incentivado a trair minha namorada/esposa


Poderia passar o dia escrevendo coisas que os homens deixam de fazer ou acreditam ou escondem porque os amigos vão chamá-lo de "mulherzinha", de "viadinho" ou coisa parecida.
Como se ser mulher ou gay fosse alguma coisa negativa (mas isso é assunto para depois!).

Como professora, enxergo isso desde cedo. Os meninos não querem fazer time junto com as meninas, porque acham que elas são inferiores. Os meninos tem dificuldade de expressar o que sentem, porque os ensinam que "macho que é macho não chora". Os meninos fingem que odeiam rosa porque é cor de menina. Que odeiam boneca, porque é coisa de mulherzinha. Fingem que não gostam de desenhos que são protagonizados por meninas, por melhor que eles sejam. Tem dificuldade de dizer que admiram atletas mulheres que são bem sucedidas num esporte predominantemente masculino.

Imagina... como seria bom poder sentir o que quer sentir, chorar se quiser chorar, sem ninguém te julgar fraco por isso? Não seria incrível não ter que esconder sentimentos, gostos e prazeres por puro medo de ser zoado? Seria maravilhoso poder procurar ajuda profissional quando você estiver se sentindo perdido, sem achar que psicólogo é só para o sexo feminino ou gente maluca! Como seria ótimo ter liberdade para corrigir uma atitude boçal de um amigo sem medo de represálias! Gostaria que todos vocês pudessem expressar admiração por qualquer pessoa, independente do sexo!

Homens, o machismo afeta a todos nós de maneira negativa. Sendo uma pessoa boa, sensata, justa, você já entraria nessa luta conosco, mas agora eu te dei mais motivos para se unir à nós!

Convido a todos os cidadãos decentes a dar as mãos e entrar nessa guerra com a gente! Quanto mais gente estiver junto lutando pelo mesmo objetivo, mais efetivos são os resultados?!

What do you say?

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Sobre levantar bandeiras e manter a coerência

Ontem tive uma conversa muito interessante com duas amigas e fiquei pensando muito nas bandeiras que levantamos. Estou dividida entre o que eu penso e o que elas sugeriram. Continuar levantando a bandeira e entender que ela não me imuniza de cair em ciladas que a vida às vezes nos prega ou não levantar tanto a bandeira para que, quando eu cair nessas tais ciladas, não me julgue tanto e nem deixe que as pessoas me julguem tanto também?

Esse blog é a minha maior bandeira. Através dele eu dei força para a voz das mulheres, para o empoderamento delas, para o direito de se comportarem como quiserem em suas próprias vidas. Ajudei a expor as coisas que nos incomodam no sexo oposto. Expus feridas da sociedade. Histórias de amor, histórias de horror, histórias de comédia. Tudo para levantar a bandeira do feminismo da melhor forma possível, aplicada às situações vividas por mim e pelas pessoas próximas a mim no dia-a-dia. E eu gostaria que as pessoas entendessem que falar de tudo isso, defender tanto essas ideias, não me torna imune a sofrer por amor. A cair na lábia de um mulherengo. A acabar reproduzindo algum comportamento ou fala machista sem querer. Acabei criando uma imagem de mulher forte auto-suficiente (as duas coisas não estão interligadas, por mais que possa parecer. Gostar da sua própria companhia não significa não querer ninguém na sua vida), eu percebo. As pessoas (e eu mesma) criaram certas expectativas em relação ao meu comportamento, especialmente quando se trata de relacionamentos.

No primeiro ano de blog, quando ainda éramos 5 mulheres escrevendo aqui, fizemos o concurso "Babaca do Ano". Um peguete meu venceu (empatado com o ex de uma das meninas). Alguns meses depois, eu apareci namorando com ele. Escrevi o post sobre o assunto, explicando o que tinha acontecido e como eu tinha me sentido. Mas o que mais me lembro sobre aquele post foi a quantidade de comentários me julgando, dizendo que eu falava tanto em não cair na lábia dos caras e acabei caindo.

A verdade é que bem mais fácil vir aqui e falar quando você não está apaixonada. Quando você consegue neutralizar o cara e perceber o veneno antes de se apaixonar. E eu sou boa nisso. Mas nem sempre isso acontece. E eu também, mesmo tendo conseguindo desviar de uma quantidade considerável de pessoas babacas, às vezes caio em tentação e me lasco. Quando estou apaixonada, algumas vezes nem eu consigo seguir meus próprios conselhos, também fico cega. E da última vez levou um tempão para enxergar o quanto eu estava me desvalorizando. E me machucando. Até que um dia eu consegui e caí fora.

Depois de muito refletir sobre o assunto, cheguei à conclusão de que essas bandeiras fazem parte de quem eu sou, da minha história, dos meus princípios. Eu tenho certeza que já ajudei muitas mulheres a se empoderar, a tomar coragem, a se amar mais, a entender que elas precisam primeiro ser felizes sozinhas, para depois serem felizes acompanhadas. Eu tenho certeza que já ajudei algum homem a melhorar seus comportamentos machistas e refletir mais sobre como anda tratando as mulheres por aí. Eu ter caído em tentação algumas vezes não invalida minha luta. Aliás, ela me lembra quem eu sou e no que acredito. E aí quando eu precisar sair dessas ciladas, eu acesso dentro de mim tudo o que eu preciso para tomar as rédeas da minha própria vida! Tenho uma amiga muito sábia que diz: o que conta é o que você faz 90% do tempo. E 90% do tempo eu consigo ser o que minha bandeira prega! Então, em 2019, nada de bandeira a meio mastro: quero essa linda lá no topo, brilhando no céu!

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Sobre relações abusivas

Em quase 10 anos de blog nós abordamos assuntos variados: traições, mancadas masculinas e femininas, histórias de amor, ilusionismos, machismos, feminismos, cantadas, histórias de balada... olhei para trás e percebi que um assunto absurdamente importante não estava aqui.

Hoje eu quero falar de relacionamento abusivo. Graças a Deus, nunca estive em um, mas conheço várias pessoas que estiveram. Algumas acompanhei de perto, outras ouvi histórias. Depois de ouvir mais uma história mega power inacreditável, decidi que não tinha mais como adiar esse assunto tão sério.

Primeiramente, existe uma coisa em comum entre basicamente todos os relacionamentos abusivos: ele começa perfeito. O cara é um verdadeiro gentleman, conquista seus pais, te dá presentes, te elogia o tempo todo, melhor amigo da sua família, acima de qualquer suspeita. “Um cara do bem”, costuma-se descrever.

O tempo passa e pode ser que ele comece a implicar com algumas coisas. Suas roupas, maquiagens. Seus amigos e os lugares que frequenta. Fica com raiva e dá show de ciúmes na presença de qualquer pessoa do sexo oposto (ou às vezes nem precisa ser! É comum ciúmes de amigos, familiares e acreditem, uma amiga relatou ciúmes de CACHORRO). Começa a querer te controlar. Você passa a pedir desculpas por tudo, inclusive quando não está errada. Tem medo de dizer “não” para ele e começa a fazer coisas contra a sua vontade – inclusive no sexo -, só para não contrariá-lo.

De repente, ele te faz se sentir burra e louca. Tudo o que você fala é digno de piada, ou de escrutínio, afinal de contas “você não sabe de nada”. Se discorda dele ou reage a alguma coisa que ele diz, está ficando louca e histérica. Mansplaining, mansinterrupting e gaslighting. Tudo junto e misturado.

Ele tem dificuldade de vibrar com suas conquistas e duvida constantemente da sua capacidade profissional ou talento. E de outras mulheres também, soltando sempre piadinhas machistas como “dormiu com quem para conseguir esse cargo?”.

Depois de passar o começo do namoro te enchendo de elogios, ele começa a te diminuir. Faz você acreditar que ele é o único que te aceita, que te aguenta e que ninguém mais vai querer você se ele te largar. Mina sua auto-estima fazendo você crer que passa por isso porque merece.

Ele não te bate, mas te segura com força ou soca mesas e portas para descontar a raiva de você. Ele grita o tempo todo, te xinga, te desvaloriza. E às vezes chora, dizendo que você o fez perder a cabeça.

Depois das brigas e discussões, você sempre se questiona se aquilo é normal de todo casal, mas quando alguém pergunta, tende a relativizar as ações dele, dizendo que “no fundo, ele é uma boa pessoa e me ama”. Ele te envolve totalmente na conversa, nos argumentos, e você acaba achando que ele tem razão e que quer te preservar.

Até que um dia ele te bate. Depois pede perdão de joelhos, diz que nunca mais vai voltar a fazer isso. Que se excedeu. E acontece de novo. De novo. E começam as ameaças. Você diz que vai à polícia e ele ameaça te matar.

Nem todo relacionamento abusivo chega ao ponto de agressão física, é importante manter isso em mente. E isso não significa que não seja um! Quis fazer uma espécie de ordem cronológica do que pode acontecer se não conseguirmos identificar antes de chegar ao extremo da violência física.

Às vezes quem está de fora fica absolutamente angustiado tentando ajudar. Devemos lembrar que não adianta você sacudir a pessoa e dizer “será que você não enxerga o que está acontecendo?” (já fiz isso!), porque não, a pessoa não enxerga. O bagulho é desenvolvido para deixar a pessoa completamente cega. Por isso, a maneira de ajudar é estar sempre por perto, de olho para detectar qualquer sinal de agressão, dando conselhos, tentando fazer a pessoa chegar às próprias conclusões, mas sem atacar como se a pessoa fosse burra. Ela não é burra, ela está sofrendo abuso psicológico e não consegue compreender isso. A auto-estima baixa faz com que acreditemos em inúmeras inverdades a nosso respeito e é isso que o abusador faz: ataca seu amor próprio para que você desconfie de si mesma e de seus próprios julgamentos. Uma amiga descreveu “como uma droga, você tem crise de abstinência, é viciante. É estranho.” Deve haver uma vontade da pessoa de sair dessa situação. Não adianta querer arrancar a pessoa da bolha onde ela está inserida. Ela só sai quando consegue ver que aquilo não faz bem.

Para ilustrar melhor, vou colocar um dos melhores vídeos que a Internet já viu, “Não tira o batom vermelho”, da JoutJout:

https://www.youtube.com/watch?v=I-3ocjJTPHg

(o Blogspot continua me trolando e não consigo validar os links. Mas vale a pena copiar e colar no seu browser. Esse vídeo tem que ser visto!!)

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Você não é obrigado a ser infeliz

Eu me sinto extremamente tocada quando vejo pessoas desperdiçando seu potencial de felicidade. Às vezes a gente acha que está vendo uma pessoa feliz, uma família perfeita e por uma frase simples você descobre que a pessoa está agarrada à infelicidade como se tivesse cola.

Por que é tão difícil para largarmos um curso da faculdade com o qual não estamos nos identificando? Ou um emprego que odiamos? Ou se afastar de uma "amizade" tóxica? Ou abrir mão de um relacionamento teoricamente perfeito? Bate aquele medo né? Medo de não encontrar seu caminho, de ficar desempregado para sempre, de ficar solitário, de nunca mais alguém querer ficar com você...

Essa semana eu estava dando aula e o tópico era STRESS. Tenho 3 alunos, 2 mulheres e 1 homem, todos casados e com filhos pequenos (entre 2 e 8 anos). Estávamos lá debatendo situações de estresse, falando que era estressante fazer o dever de casa com os filhos e discutindo moedas de troca, como por exemplo "você só pode jogar video game se fizer todo o dever de casa". Assim que mencionamos essa opção, uma aluna disse: "e quando é o seu marido que não sai do video game?"

Eu senti a mágoa nas palavras dela. O marido dela é médico. Quase não fica em casa. E quando chega, só quer ficar grudado no video game.

Rimos, falamos que realmente era um problema (tudo em tom de brincadeira), mas eu não pude reparar em como ela ficou após mencionar o marido. Parece até que abrimos as portas para ela desabafar e acredito que tenha ficado claro para todos - não só para mim - que ela estava em uma relação infeliz.

Passamos para falar sobre modos de desestressar. A outra mulher da turma disse que gostava de ouvir música, assistir um filme ou tomar uma cerveja. Aí eu perguntei: "vocês saem sozinhos com seus cônjuges?" e os dois disseram que sim na hora, menos ela. Ela disse "NÃO!" imediatamente. E complementou: "eu convido meu marido, mas ele sempre diz não. E passa a noite com o video game. Isso me irrita!".

Mais do que irritada, ela estava claramente magoada e se sentindo rejeitada.

Depois mencionou que uma vez ela deixou os 2 filhos ( um de 2 e um de 7) sozinhos com ele por uma tarde, que ele passou assistindo TV com os meninos, segundo ela. Quando ela chegou, ele disse que precisava de ajuda porque cuidar de dois 2 sozinho era muito trabalho. E ela respondeu: "assistir TV com as crianças o dia todo não é cuidar deles. Se fosse só isso, seria mole."

Dá pra perceber que além de estar magoada como mulher, como esposa, ela está recebendo toda a carga de cuidar dos filhos também, porque pelo jeito ele não é lá o melhor pai do mundo, não.

É complicado. Ela está infeliz, isso ficou óbvio para mim. E se separar, vão chamá-la de louca. Que o mar lá fora não tá pra peixe. Que eles tem um filho pequeno. Que ele é médico. Que é só uma fase. E enquanto isso, a vida dela vai passando e ela lá, abraçada com a frustração e a tristeza.

Eu não acho que casamento seja fácil e que as pessoas devam desistir no primeiro obstáculo. Demanda muito diálogo, comunicação, afeto, compreensão, ceder daqui e de lá. Mas se está deficiente dessa forma em coisas tão básicas, considero esse relacionamento na UTI.

Não é que o marido dela não possa jogar um video game de vez em quando, claro! Mas quando ele negligencia a família e o relacionamento o tempo todo para fazer outra coisa banal (qualquer vício que seja), ele não está verdadeiramente AMANDO. Eu posso até correr o risco de ser um pouco leviana, mas também acho que a chance de ele estar traindo ela é bem grande. Esses são sintomas bastante comuns em alguém que está mantendo vida dupla.

Nós precisamos ter coragem. Não é fácil! Mas acredito muito que viemos ao mundo para sermos felizes! E depende da gente construir nosso caminho. É necessário desapegar de certas coisas e pessoas que já não cabem mais na nossa vida. Só a gente pode mudar nosso destino, tomando as rédeas e decidindo por nós mesmos. Ninguém é obrigado a nada e nos faltar compreender isso. Nos apegamos a padrões, conceitos, ideais que muitas vezes nem fazem sentido para nós.

Me deu uma tristeza olhar para ela, uma mulher jovem, tão cheia de decepção no rosto. O cansaço estampado. A própria imagem de quem só vive para os outros e nada para ela.

E aí eu precisei escrever esse post! E ele é para dizer para você, que está preso a um relacionamento falido, que não te faz mais bem, que não te traz mais felicidade e leveza, para você TER CORAGEM e RETOMAR A SUA VIDA. Você importa! Você merece ser feliz! Com 18, 40, 60 ou 80 anos! A felicidade é uma escolha. Você não precisa ficar sofrendo! Você poder fazer diferente, escolhas novas, mudar! Toda mudança causa dor no início, mas EU JURO que vai valer a pena! Lembre-se: somos escravos das nossas escolhas. O que você vai escolher hoje?

PS: Falamos de relacionamento, mas essa reflexão pode servir para tudo na sua vida! Apenas decida mudar a rota se a rota que você faz todo dia não te faz mais feliz! Saia do emprego, mude de curso, de casa, de amizades! VÁ SER FELIZ!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

"Vale night é coisa rara. Você me entende, né?"

Chegamos aí, levantando a cabeça depois de mais uma série de murros em ponta de faca, aquela velha fossa que a gente precisa viver, mas como boa sagitariana que sou, vale aquele lema né "Quem tá quebrado é o coração, não a boca".

A gente está sofrendo, mas está com o copo na mão e beijando bocas, porque afinal de contas não há tempo a perder!

Acontece que até mesmo quando a gente não tá caçando confusão, a confusão vem até a nós. Nem quando a gente quer sossego e só dar uns beijos, a gente tem paz.

Eis que semana passada, logo após acabar com 2 garrafas de whisky de um bar, eu e mais 5 amigas fomos parar na boate do momento aqui em Brasília. Através de uma conhecida fomos parar até no camarote e toda hora aparecia bebida de graça, ou seja, todo mundo pode imaginar o grau em que ficamos.

Soltinhas que só, começamos a flertar com um carinha aqui, outro ali, quando conheci um rapaz interessante. Conversa vai, conversa vem, fomos parar um nos braços do outro. Aquele vuco vuco, quando vi estava entrando no carro dele e a gente se pegando. Olhei para trás e vi uma cadeirinha de bebê. Perguntei se ele tinha filho, ele disse que sim, um filho de 3 anos. Perguntei se ele morava com os pais, ele disse que sim, mas que já estava mais que na hora de sair. Concordei e seguimos a vida. Continuamos ficando até o dia raiar, mas por incrível que pareça acabamos não trocando telefone.

Lembrei que ele tinha me dito que já tinha ficado com uma das minhas amigas na adolescência e comentei com ela. Ela perguntou o nome dele, eu falei e ela, bem espantada, me disse: "Mas ele não é casado?" e mandou print do instagram dele.

Eu fui fuçando, fuçando e pensando: "bom, se separou foi agora esse mês, porque tem foto com a esposa mês passado aqui". Resolvi fazer o teste. Adicionei e aguardei ele aceitar, pensando que se ele realmente estivesse casado, não iria me aceitar. Mas... ele aceitou.

Primeiro ele ficou bem chocado quando o adicionei e pediu meu telefone. Quando eu dei meu telefone, ele quis me ligar. Disse que precisava me pedir desculpas.

"Por não ter me dito que era casado?", perguntei. E ele confirmou. "Vale night é coisa rara. Vc me entende, né?" Oi? Não entendo, não!

Mais tarde ele realmente me ligou falando mil coisas. As frases sempre começavam com "Não é querendo justificar o que eu fiz, mas..." E os "mas" dele eram os mais sem noção. Porque eu tenho certeza que não foi a primeira vez que ele chifrou a esposa, com a qual ele tem uma relação "muito boa e estável" - palavras dele - e com quem ele está casado há apenas 4 anos. Ele estava extremamente confortável com a situação, tanto sábado quanto ao telefone. Sabia exatamente o que estava fazendo e não demonstrou muita preocupação com o fato de ficar comigo em um local público, nem dos arranhões que foram para casa com ele e nem da possibilidade do meu brinco ter caído no carro dele.

Eu disse que ele tinha que ter me contado, que eu jamais teria ficado com ele se soubesse que era casado. Ele veio "ah, aquele ambiente, vi uma ruiva tão linda, fiquei com vontade mesmo". E ainda deu em cima de mim de novo no final da ligação insinuando que iria vir aqui pegar umas aulas particulares de inglês. Ou seja... não é um vacilo isolado. Se eu desse corda, ele ia querer me manter de amante.

Nessas horas eu fico me perguntando o que se passa na cabeça de uma pessoa dessas. Porque assim, eu nem sou dessas que acha que traição é algo imperdoável e não sei o que lá, mas a naturalidade com a qual esse cabra enfrentou a situação me assustou. Casamento recente, filho pequeno e zero consideração com a pessoa com a qual divide a vida. E ainda engana uma segunda pessoa que acaba participando da cachorrada sem querer.

Quando a gente fala que a coisa tá feia e que está difícil ter esperança no sexo masculino (heteros!), tem gente que acha que é exagero. OLHA O TIPO DE PESSOA que vem parar na sua vida sem você nem sequer se esforçar. É, cara... a cada dia só aumenta minha vontade de ser lésbica. Pena que nunca nos deram escolha. Se dessem, aposto que sobrariam poucas mulheres hetero para contar história, viu?



sábado, 25 de agosto de 2018

Quando seu egocentrismo te transforma num completo idiota

Olá, leitores amados!


Eu não sei se o povo anda confundindo auto-estima com arrogância ou se chegamos a um ponto em que pessoas bonitas acham que têm licença para serem completos idiotas e que sua beleza valida qualquer tipo de comportamento tosco que eles possam ter. Eu tenho certeza que isso não é uma exclusividade masculina, mas como são com eles que lido diariamente enquanto mulher heterossexual, vou contar causos que exemplificam o quanto as pessoas estão sendo egocêntricas sem nem disfarçar.

Eis que essa semana recebi um convite de um rapaz do Tinder para tomar um sorvete. Legal. O problema foi quando fomos decidir o local. A princípio ele disse apenas que queria um lugar não muito caro. Sugeri dois lugares e ele descartou os dois, com argumentos bem rasos e defendendo um sorvete que ele toma toda semana no mesmo lugar. Primeiro ponto: se ele queria tanto ESSE sorvete, por que já não disse logo "Vamos tomar ESSE SORVETE NESSE LOCAL?". Eu disse que tudo bem a gente ir no tal lugar que ele gostava, mas que aí eu teria o direito de escolher o sabor do sorvete (resumindo muito, porque ele ficou 3 anos reclamando das minhas sugestões). Para minha surpresa, ele respondeu "então, não". Eu com cara de choque sem acreditar que ele tava dando tamanha importância para o sabor do sorvete, não conseguia abstrair o fato de que, desde o começo, antes mesmo de nos encontrarmos, a minha opinião já não valia de nada pra ele. Que ele tinha sérios problemas com ceder ou chegar a um consenso. Aí ele disse que então iríamos comer e cada um pedia o seu. Eu concordei - já meio brochada com aquela situação, mas pensando que seria injusto dispensá-lo antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente - e sugeri um lugar que tem uma variedade grande de comida e que tem preços acessíveis. Ele disse que ia pensar, que a comida de lá era ruim e que só o açaí prestava. Engraçado... cheio de restrição, mas sugerir um local que é bom, nada né? Aí eu disse que estava aberta a opções. Hoje pensei em como fui legal com um cara CHATO PRA CACETE. Um cara que se mostrou super egocêntrico e intolerante. Ficamos nessa de não decidir nada. No dia seguinte, o egocentrismo - para não dizer megalomania - dele ficou cada vez mais claro. Em seu instagram, ele postou 3 enquetes. Temas:

- O que você mais gosta no meu Insta?
- Eu sou ou já fui seu crush?
- O que você não gosta em mim?

Eu ri, com uma pitada de desespero, confesso. E veio aquela luz de que aquele moço só estava aberto a se relacionar com pessoas dispostas a se anular para agradá-lo. E mamy... não serei eu, né? Nunca precisei!

Chegou mensagem dele dizendo que estava meio "bleh" e que ia se encontrar com uns amigos no OUTBACK (bem econômico né?), que eu desculpasse e compreendesse. Eu apenas disse, "ok, sem problemas". E hoje chegou um convite para um almoço quase 14h. Eu agradeci e disse que já tinha almoçado. Nem tinha. Mas não né?

Compartilhando a história com minhas amigas, começaram a chover outras anedotas.

"Um dia estava em uma festa e um cara passou a noite toda me olhando. Eu achei ele bonito e de vez em quando olhava de volta, mas nada demais. No fim da festa ele resolveu chegar em mim com a seguinte frase: 'eu reparei que você passou a festa toda me olhando'. Eu disse que não foi bem isso e ele disse que queria me conhecer. O problema é que ele não queria bem me conhecer, mas sim ficar falando dele mesmo. Dizendo que era estudante de medicina, que ia ser muito rico, que os pais dele eram donos de hospital e que ele queria se especializar em nutrologia. Eu, nutricionista, disse que trabalhava na área e ele tentou de todas as formas diminuir a importância da minha profissão. Quando eu tentei defender, ele perguntou porque eu estava tão nervosa e disse que eu não precisava me preocupar porque ele me daria um emprego no hospital da família dele." {clássico caso de gaslighting}

"Eu fiquei com um menino que só falava de si mesmo o tempo todo. Dizia que ele era o melhor em tudo o que fazia, o mais inteligente da faculdade, que gostava de estudar sozinho porque ninguém conseguia acompanhar a inteligência dele. Ele não conseguia tirar dúvidas na faculdade porque ninguém conseguia atingir o nível das perguntas que ele fazia. E quando eu tinha espaço pra falar, que falava de coisas da minha área, ele sempre me interrompia e rebatia, como se soubesse mais do que eu da minha própria área. Tudo o que eu fazia, ele dizia que fazia melhor e debochava de mim, rindo das coisas que eu falava." {clássico caso de mansplaining}

"Eu saí com um cara que ficava me perguntando o que tinha me atraído nele, o que eu mais gostava nele, o que tinha chamado minha atenção nele. Na cama, perguntou "você é difícil de gozar, né? [eles nunca acham que estão mandando mal e por isso não gozamos]" {clássico caso de egocentrismo}

Eu não tenho como expressar nosso sentimento quanto a isso. Queria saber quando foi que essa gente começou a achar que o mundo gira em torno do próprio umbigo, porque não existe explicação plausível para sair por aí distribuindo tanta idiotice gratuita. Apenas parem. Tá feio.

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Para ajudar a entender o post de hoje, quero deixar a definição de 2 termos que usei aqui e que muitos de vocês podem não conhecer.

MANSPLAINING
: uma junção de MAN (homem) com EXPLAINING (explicando) do inglês. Usamos essa palavra pra definir aquele momento em que um homem quer ensinar a uma mulher algo que ela já sabe e demonstra claramente saber, mas ele insiste porque, para ele, uma mulher necessariamente não teria capacidade intelectual para compreender um determinado assunto; e como homem, é impossível que você não saiba melhor do que ela.

GASLIGHTING: é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. É muito comum ouvir o homem chamar a mulher de louca, nervosa, doida estressada, a fim de tirar a validade do que ela diz ou sente.



quinta-feira, 12 de julho de 2018

Surpresas do amor

Já falei aqui sobre a fórmula da felicidade, em como parece que já traçaram os 5 passos para ser feliz (e que se você não segui-los, bye bye happiness!), mas graças a Deus, a vida é muito louca e a cada dia fica mais claro que não adianta ficar tentando prever seu destino: a gente nunca sabe o que o futuro nos reserva!

Tenho várias amigas que podiam jurar que já tinham encontrado o homem da vida, namoraram 4, 5, 6 anos e por isso estavam certas de que era isso mesmo e ele ia ser o marido e pai dos filhos, quando de repente... BAM! A vida ia lá e enchia a cabeça dela (dele) de dúvidas e todas aquelas certezas absolutas começavam a virar uma penca de question marks na cabeça.

Pois bem, ontem conversando no whatsapp com um grupo de amigas, uma delas - a única atualmente ficando fixo com uma pessoa - puxou o assunto sobre casamento, dizendo que adorava os doces, as lembrancinhas e tudo mais e disse: "casem-se e me chamem". Caímos em cima dizendo que era mais fácil ela ser a primeira a casar porque era a única que já tinha um "pretendente". Ela então resolveu contar uma história super louca de uma amiga e eu fiquei tão encantada com a história que pedi permissão para publicá-la para vocês. Como já é de praxe, usarei pseudônimos para proteger a privacidade de todos.

*Renan e *Alice namoravam há muitos anos. Fizeram tudo do passo a passo da felicidade: compraram um apartamento, foram morar juntos e depois de muita insistência da família super católica dele, resolveram ficar oficialmente noivos.

Começaram toda aquela conversa de organizar casamento, decidir padrinhos, lista de convidados, agendar igreja, pagar lua-de-mel, blablabla... Até que olharam para trás e viram que não era exatamente o que eles queriam. Que no fundo tudo aquilo era um desejo da família e não genuinamente deles. Resolveram se separar, para o trauma e choque de amigos e familiares.

A lua-de-mel para Miami estava paga, então Alice resolveu viajar para lá, de qualquer forma. Ela tinha um amigo chamado *Leandro que tinha um amigo cubano morando em Miami. Ele se sentiu tocado pela história de Alice e pediu para que o tal cubano a recepcionasse em Miami.

Os espertinhos já devem estar chegando à conclusão, não é mesmo? Pois é: Alice foi para Miami e voltou cantando "Havana, uh na na, half of my hy heart is in Havana, uh na na".

No começo foi aquela negação: o trauma de um noivado que chegou ao fim depois de tantos anos, o fato de estarem em países diferentes, nada disso tinha como dar certo. "Não vou nem namorar!", dizia ela. Mas... o coração da gente não tem mesmo juízo (ou tem, né!), e eles ficaram nesse vai e vem por alguns meses, mas sem admitir em voz alta que aquilo era real e sério. Até que um dia ele resolveu perguntar para ela "e ai? Isso é um relacionamento sério ou não?" e ela respondeu que namoro à distância não funcionava. A réplica dele? "Você tem razão. Então vamos casar!".

Sim. Não houve namoro e nem noivado. De viagens para o altar, em um ano e meio. E estão lá, há 8 anos juntos, vivendo super felizes. Quem poderia prever que algo tão louco poderia ser a coisa mais certa na vida deles?

Tudo isso para chegar à conclusão de que nem tudo o que reluz é ouro, que nem tudo que parece é, e que a cada rotação da Terra, temos a chance de chacoalhar a vida e tudo virar de cabeça para baixo. E isso não vale só para relacionamentos amorosos, mas sobre tudo na nossa vida. Muita atenção!

"E quem um dia irá dizer que exste razão para as coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?"