sexta-feira, 3 de maio de 2013

O preço de um "não"

Lembra de um vídeo que ficou super famoso - inclusive foi postado aqui no blog - de um cara que quebrou o braço da menina em 3 lugares diferentes quando levou um toco na balada?

Pois é, estava conversando com umas amigas essa semana e percebi que a violência contra mulheres na balada é mais comum do que eu imaginava! Só entrar no assunto e cada uma foi tirando da manga uma história bizarra para contar.

Uma amiga minha foi para um show de axé (lugar cheio de homens bêbados, sem camisa e sem-noção) e foi abordada por um rapaz. Na época devia ter seus 16 anos, mas já era alta, daquelas que impõem respeito, sabe? Mas os caras parecem não se intimidar! Quando o tal ouviu um "não" depois de ter pedido um beijo, sabe qual foi a reação do maluco? Dar um tapa na cara dela. Atenção: ELE DEU UM TAPA NA CARA DELA!!! O que ela fez? Nada! Ficou tão sem reação, tão sem acreditar que aquilo estava acontecendo, que ficou ali parada, boquiaberta, enquanto assistia ao sujeito virando as costas e indo embora.

Uma outra amiga disse que, na última Festa da Fantasia de Goiânia, levou um empurrão de um cara que levou um toco dela. O cara simplesmente se emputeceu, a empurrou com força e saiu.

Isso me fez lembrar de uma noite em que eu e Loira fomos no Poizé da Asa Norte (um bar/boate aqui de Brasília) e um brutamontes imenso quis ficar com ela. Ela disse não e nos retiramos. Ao passarmos novamente pelo sujeito, ele simplesmente agarrou-a à força, por trás, sem dar chance de ela se defender. Como ela era muito magrinha e ele todo bombado forte, ela não conseguia se desvencilhar das garras do bandido. Eu tive que pular nas costas dele e esmurrá-lo até que ele soltasse a garota, porque também todo mundo ficou olhando sem ter coragem de ajudar.

Essas são histórias mais extremas, claro. Não estamos contando agressões verbais, nem os milhões de casos em que os caras passam a mão na nossa bunda, puxam nosso cabelo, seguram nossos braços com força, tentam forçar a situação.

E o pior é ainda ter que ouvir de homem babaca e machista que "tem mulher que provoca! Sai de casa quase pelada e ainda quer que a gente respeite". Vai pro inferno com esse argumento boçal! Uma mulher gostar de vestir roupa curta não te dá o direito de querer abusar dela sem seu consentimento! Ela pode passar uma vibe mais sensual, sexual até, mas que só deve ser aproveitada se ela quiser e permitir. Não existe desculpa nenhuma para destratar ninguém e nem forçar pessoas a fazer algo que elas não queiram.

Acho muito triste que em pleno século XXI, onde as mulheres já passaram por poucas e boas e provaram que tem tanta capacidade quanto os homens, sermos submetidas a humilhações desse tipo quando sairmos para nos divertir.

Aindo espero ansiosamente pelo dia em que certos homens perceberão que não somos pedaços de carne! Já passou da hora!

5 comentários:

Sheilla Albuquerque Ribeiro Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sheilla Albuquerque Ribeiro Silva disse...

Já passei por uma situação dessa, estava em uma balada com os amigos e quase levei um soco de um bombado, só não apanhei pq estava com dois amigos que partiram para cima dele na hora, e só para resaltar eu não estava com saia curta nem decote, ele simplesmente ficou revoltado por ouvir um NÃO....monstro.

DanyZinha disse...

Nossa, amiga, que horror! Pois eh, ainda bem que vc tava acompanhada ne!

Sr. Sete disse...

Como tratado, não são os homens que fazem isso. Esse substantivo é específico para uma espécie de mamíferos racionais. É a variação/flexão de gênero de "mulheres".

Ainda sonho em ver os outros mamíferos (os Irracionais é claro e foco do texto) em algum lugar com a placa: "NÃO OS ALIMENTE".

DanyZinha disse...

Tbm sonho com esse dia, Gui! Temos que chama-los de homem por mera questao vocabular, mas adoraria colocar outro nome tbm!